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Espíritos
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Revista Espírita - Por espíritos diversos através da codificação de Allan Kardec Sr. Jobard
Depois de sua morte, o Sr. Jobard comunicou-se várias vezes na Sociedade, em sessões a que diz assistir quase sempre. Antes de as publicar, preferimos esperar ter uma série de manifestações, formando um conjunto que permitisse melhor apreciá-las. Tínhamos a intenção de o evocar na sessão de 8 de novembro quando, informado do nosso desejo, manifestou-se espontaneamente. (Vide o seu necrológio, publicado na Revista Espírita do mês de dezembro de 1861.) (Sociedade Espírita de Paris, 8 de novembro de 1861 – Médium: Sra. Costel) Ditado espontâneo Eis-me aqui, eu que ides evocar e quero manifestar-me, primeiramente por este médium, que em vão solicitei até agora. Antes de mais, quero contar minhas impressões no momento da separação de minha alma. Senti um abalo estranho; de repente lembrei-me do meu nascimento, de minha juventude, de minha idade madura. Toda a minha vida delineou-se claramente em minha memória. Experimentava um piedoso desejo de encontrar-me nas regiões reveladas por nossa querida crença; depois, todo esse tumulto se acalmou. Eu estava livre e meu corpo jazia inerte. Ah! meus caros amigos, que encanto desvencilhar-se do peso do corpo! Que deleite abarcar o espaço! Contudo, não imagineis que de repente me tenha tornado um eleito do Senhor; não, estou entre os Espíritos que, tendo aprendido pouco, devem ainda muito aprender. Não demorei a me lembrar de vós, meus irmãos no exílio e, eu vo-lo asseguro, toda a minha simpatia, todos os meus votos vos envolveram. Tive logo o poder de me comunicar e o teria feito por este médium, que teme ser enganada; mas que ela sossegue, pois nós a amamos. Quereis saber quais os Espíritos que me receberam? quais as minhas impressões? Meus amigos foram todos os que nós evocamos, todos os irmãos que compartilharam dos nossos trabalhos. Vi o esplendor, mas não o posso descrever. Apliquei-me em distinguir o que era verdadeiro nas comunicações, pronto a retificar todas as asserções errôneas; enfim, pronto para ser o cavaleiro da verdade no outro mundo, como o fui no vosso. Assim, conversaremos muito e isto não passa de um preâmbulo para mostrar ao caro médium meu desejo de ser evocado por ela, e a vós minha boa vontade para responder às perguntas que ireis me dirigir. Jobard ENTREVISTA 1. Em vida tínheis recomendado que vos chamásseis quando houvésseis deixado a Terra. Fazemo-lo não só para nos conformar ao vosso desejo, mas, sobretudo, para vos renovar o testemunho de nossa mui viva e sincera simpatia e, também, no interesse de nossa instrução, porquanto, melhor que ninguém, estais em condições de nos dar ensinamentos precisos sobre o mundo em que vos encontrais. Assim, ficaremos felizes se vos dignardes responder às nossas perguntas. Resp. – A esta hora o que mais importa é a vossa instrução. Quanto à vossa simpatia, eu a vejo e não a compreendo mais apenas pelos ouvidos, o que constitui um grande progresso. 2. Para fixar nossas idéias e não falar vagamente, assim como para a instrução das pessoas estranhas à Sociedade e presentes à sessão, perguntaremos, antes de mais, em que lugar estais aqui e como nós vos veríamos, se o pudéssemos? Resp. – Estou perto do médium. Ver-me-íeis com a aparência do Jobard que se assentava à vossa mesa, porque os vossos olhos mortais não descerrados só podem ver os Espíritos sob sua aparência mortal. 3. Teríeis a possibilidade de vos tornardes visível para nós? Em caso contrário, o que se opõe a isto? Resp. – A disposição que vos é inteiramente pessoal. Um médium vidente me veria; os outros não me percebem. 4. Este lugar é o que ocupáveis em vida, quando assistíeis às nossas sessões e que vos tínhamos reservado. Aqueles, pois, que vos viram, devem imaginar que vos vêem tal qual éreis então. Se aí não estais com o corpo material, estais com o corpo fluídico, que tem a mesma forma; se não vos vemos com os olhos do corpo, vemos com os do pensamento; se não vos podeis comunicar pela palavra, podeis fazê-lo pela escrita com a ajuda de um intérprete. Portanto, nossas relações convosco não estão interrompidas pela vossa morte e podemos conversar convosco tão fácil e completamente como outrora. É exatamente assim que são as coisas? Resp. – Sim, e o sabeis há muito tempo. Muitas vezes ocuparei este lugar, mesmo sem o perceberdes, porquanto o meu Espírito habitará entre vós. 5. Não faz muito tempo, estáveis sentado neste mesmo lugar. As condições em que agora estais vos parecem estranhas? Que efeito essa mudança produziu em vós? Resp. – Elas não me parecem estranhas, pois não senti perturbação e meu Espírito desencarnado desfruta de uma clareza que não deixa na sombra nenhuma das questões que encara. 6. Recordai-vos de haver estado nas mesmas condições antes da vossa última existência e encontrais algo mudado? Resp. – Lembro-me de minhas existências anteriores e acho que estou melhorado. Veja e assimilo o que percebo. Quando de minhas precedentes encarnações, Espírito perturbado, só divisava lacunas terrestres. 7. Lembrai-vos de vossa penúltima existência, da que precedeu o Sr. Jobard? Resp. – Em minha penúltima existência fui um operário mecânico, atormentado pela miséria e pelo desejo de aperfeiçoar o meu trabalho. Como Jobard, realizei os sonhos do pobre operário e louvo a Deus por sua bondade infinita, ao fazer germinar a planta, cuja semente havia depositado em meu cérebro. (11 de novembro. Sessão particular – Médium: Sra. Costel) 8. Evocação. Resp. – Estou aqui, encantado por ter oportunidade de te falar (ao médium) e a vós também. 9. Parece-nos que tendes um fraco pelo médium. Resp. – Não me censureis, porque foi preciso que me tornasse Espírito para o testemunhar. 10. Já vos comunicastes alhures? Resp. – Pouco me comuniquei. Em muitos lugares um Espírito toma o meu nome; algumas vezes eu estava perto dele, mas não podia manifestar-me diretamente. Minha morte é tão recente que ainda sofro certas influências terrestres. É preciso uma simpatia perfeita, a fim de que eu possa exprimir o pensamento. Em pouco tempo agirei indistintamente; não o posso ainda, repito. Quando morre um homem um pouco conhecido, chamam-no de todos os lados; milhares de Espíritos se apressam em revestir-se de sua individualidade; foi o que me aconteceu em muitas circunstâncias. Asseguro-vos que logo depois da libertação poucos Espíritos podem comunicar-se, mesmo por um médium de sua preferência. 11. Vossas idéias se modificaram um pouco de sexta-feira para cá? Resp. – São absolutamente as mesmas de sexta-feira. Pouco me ocupei das questões puramente intelectuais, no sentido em que as tomais. Como o poderia eu, deslumbrado, arrastado pelo maravilhoso espetáculo que me cerca? O mais poderoso laço do Espiritismo, que vós homens não podeis conceber, só pode atrair meu ser para a Terra, que abandono não com alegria, pois seria uma impiedade, mas com profundo reconhecimento pela libertação. 12. Vedes os Espíritos que aqui estão conosco? Resp. – Vejo principalmente Lázaro e Erasto; depois, mais afastado, o Espírito de Verdade, planando no espaço; mais adiante, uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, pressurosos e benevolentes. Sede felizes, amigos, porque as boas influências vos disputam às calamidades do erro. 13. Ainda uma pergunta, por obséquio. Conheceis as causas de vossa morte? Resp. – Não me faleis disto ainda. Observação – A Sra. Costel diz ter recebido uma comunicação em sua casa, pela qual lhe anunciavam que o Sr. Jobard tinha morrido porque queria ultrapassar o limite atualmente fixado ao Espiritismo. Assim, sua partida teria sido precipitada por este motivo. Pessoalmente, o Sr. Jobard ainda não se explicou a respeito. Várias outras comunicações parecem corroborar a opinião acima. Mas o que ressalta de certos fatos é uma espécie de mistério sobre as causas de sua morte precipitada que, conforme dizem, será explicada mais tarde. (Sociedade, 22 de novembro de 1861) 14. Quando vivo, partilháveis a opinião de que a formação da Terra se dera pela incrustação de quatro planetas, que se haviam soldado; ainda conservais a mesma crença? Resp. – É um erro. As novas descobertas geológicas provam as convulsões da Terra e sua formação sucessiva. Como todos os planetas, a Terra teve sua vida própria e Deus não necessita dessa grande desordem ou dessa agregação de planetas. A água e o fogo são os únicos elementos orgânicos da Terra. 15. Também pensáveis que os homens podiam entrar em catalepsia durante um tempo ilimitado e, que dessa maneira, o gênero humano tinha sido trazido à Terra. Resp. – Ilusão de minha imaginação, que sempre ultrapassava os limites. A catalepsia pode ser longa, mas não indefinida. Tradições, lendas ampliadas pela imaginação oriental. Meus amigos: já sofri muito ao repassar as ilusões de que se nutria o meu Espírito. Não vos enganeis mais. Muito tinha aprendido e, posso dizê-lo, minha inteligência, pronta para assenhorear-se de seus vastos e diversos estudos, tinha guardado da última encarnação o amor ao maravilhoso e ao conjunto tirado da imaginação popular. (Bordeaux, 24 de novembro de 1861 – Médium: Sra. Cazemajoux) 16. Evocação. Resp. – Teremos sempre de recomeçar? Muito bem! eis-me aqui. Que desejais? 17. Acabamos de saber de vossa morte. Como um dos campeões de nossa doutrina, poderíeis responder a algumas de nossas perguntas?
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Mês Março
Ano 1862
Revista Espírita - Por espíritos diversos através da codificação de Allan Kardec Sr. Jobard
Resp. – Olha, eu não sei bem com quem estou, mas os Espíritos me dizem que este médium recebeu algumas mensagens inseridas na Revista e que me agradaram. É preciso, por minha vez, que eu lhe dê algumas. Não faz muito tempo que me ausentei da Terra; dentro de alguns anos a ela voltarei para retomar o curso da missão que aí deveria cumprir, pois ela foi interrompida pelo anjo da libertação. 18. Falais de uma missão que deveríeis realizar na Terra. Poderíeis torná-la conhecida? Resp. – Missão de progresso intelectual e moral em estado de germe. A doutrina ou ciência espírita contém os elementos fecundos que devem desenvolver, fazer crescer e amadurecer as modernas idéias de liberdade, de unidade e de fraternidade. É por isso que não se deve temer lhe dar um vigoroso impulso, que a fará transpor os obstáculos com uma força que nada poderá dominar. 19. Marchando mais rápido que o tempo não é de temer prejudicar a doutrina? Resp. – Derrubaríeis os adversários. Vossa lentidão lhes deixa ganhar terreno. Não gosto do passo vagaroso e pesado da tartaruga; prefiro o vôo audacioso do rei dos ares. Observação – Isto é um erro. Os partidários do Espiritismo ganham terreno diariamente, enquanto seus adversários o perdem. O Sr. Jobard é sempre entusiasta; não compreende que, com prudência, se alcança o objetivo com mais segurança, ao passo que nos arriscamos a comprometer a sua causa quando nos atiramos violentamente contra os obstáculos. A. K. 20. Então, como explicar os desígnios de Deus, em vos arrancando da Terra de maneira tão súbita, se tinha em vós o instrumento necessário à marcha rápida da Humanidade para o progresso moral e intelectual? Resp. – Oh! que alavanca seria uma parte dos espíritas com minhas idéias! Mas não; o medo os paralisa! 21. Podeis nos explicar os desígnios de Deus vos chamando antes do término de vossa missão? Resp. – Não me aborreci; vejo e aprendo para estar mais forte quando soar a hora da luta. Redobrai de fervor e zelo pela nobre e santa causa da Humanidade. Uma só existência não é suficiente para ver realizar-se a crise que deve transformar a sociedade e muitos dentre vós, que preparais os caminhos, revivereis depois de algum tempo para ajudar novamente a obra santa e bendita. Creio que já vos disse o bastante por esta noite. Mas estou à vossa disposição; voltarei, porque sois bom e fervoroso adepto. Adeus. Nesta noite quero assistir à sessão de nosso caro mestre Allan Kardec. 22. Não respondestes à pergunta sobre os desígnios de Deus vos chamando antes do término de vossa missão. Resp. – Somos instrumentos adequados para ajudar seus desígnios. Ele nos dobra à sua vontade e nos põe novamente em cena quando julga útil. Submetamo-nos, pois, aos seus desígnios sem procurar aprofundá-los, porque ninguém tem direito de rasgar o véu que oculta aos Espíritos os decretos imutáveis. Adeus! Jobard (Passy, 20 de dezembro de 1861 – Médium: Sra. Dozon) 23. Evocação. Resp. – Não sei por que me evocais. Nada sou para vós; assim, nada vos devo. Também nada responderei sem o Espírito de Verdade, que me diz que foi Kardec quem vos pediu para que eu viesse até vós. Pois bem! aqui estou. Que vos devo dizer? 24. Com efeito, o Sr. Allan Kardec nos pediu que vos evocássemos, com vistas a controlar diversas comunicações vossas, comparando-as entre si. É um estudo, e esperamos que vos presteis a isso, no interesse da ciência espírita, descrevendo a vossa situação e as vossas impressões desde que deixastes a Terra. Resp. – Eu não estava certo de tudo na vida terrestre; começo a saber. Depurando-se da perturbação, minhas idéias chegam a uma nova claridade e, desde já, volto dos erros de minhas crenças. Isto é uma graça da bondade de Deus, mas um pouco tardia. O Sr. Allan Kardec não tinha total simpatia por meu Espírito, e assim devia ser: ele é positivo na sua fé. Muitas vezes eu sonhava e rebuscava, ao lado da realidade. Não sei ao certo o que eu queria, a não ser uma vida melhor do que a que tinha. O Espiritismo me veio mostrá-la e o mais esclarecido dos espíritas me ergueu o véu da vida dos Espíritos. Foi A Verdade quem o inspirou; O Livro dos Espíritos fez uma verdadeira revolução em minha alma e um bem impossível de dizer. Mas houve em meu Espírito dúvidas sobre muitas coisas que a mim se mostram hoje sob uma luz completamente diversa. Já vos dissera no começo desta comunicação: desembaraçando-se da perturbação, o Espírito mostra-me o que eu não via. O Espírito se afasta; seu desprendimento ainda não é total; entretanto, já se comunicou várias vezes. Mas – coisa bizarra, talvez para vós – é a mudança que se faz aos olhos dos evocadores nas comunicações do Espírito Jobard. Em seguida o mesmo médium recebeu a comunicação espontânea: Jobard era um Espírito pesquisador, querendo subir, sempre subir. As idéias espíritas pareciam-lhe um panorama por demais acanhado. Jobard representava o espírito de curiosidade; queria saber, sempre saber. Essa necessidade, essa sede o impeliram a pesquisas que excediam os limites daquilo que Deus quer que saibais. Não tenteis, pois, arrancar o véu que cobre os mistérios de seu poder! Jobard empunhou o arco e foi fulminado. Isto é um ensinamento: buscai o Sol, mas não sejais audaciosos a ponto de o fixar, pois ficareis cegos. Deus não vos dá bastante, enviando-vos os Espíritos? Deixai, pois, à morte o poder que Deus lhe concedeu: o de erguer o véu a quem o merece. Então podereis olhar a Deus, Sol dos céus, sem serdes enceguecidos nem fulminados pelo poder que vos diz: “Não vades mais longe.” Eis o que vos devo dizer. A Verdade (Sociedade, 3 de janeiro de 1862 – Médium: Sra. Costel) Nota – O Sr. Jobard manifestou-se várias vezes em casa do Sr. e da Sra. P..., membros da Sociedade. Uma vez, e sem que tivessem pensado nele, ele se mostrou espontaneamente a uma sonâmbula, que o descreveu de maneira muito exata e disse seu nome, embora jamais o tivesse conhecido. Tendo-se estabelecido uma conversa entre ele e o Sr. P..., por intermédio da sonâmbula, o Sr. Jobard lembrou diversas particularidades, de modo a não deixar qualquer dúvida quanto à sua identidade. Uma coisa, sobretudo, os havia chocado: é que, na única ocasião que o viram na Sociedade, ele mantivera os olhos fixos neles, como se procurasse pessoas conhecidas, circunstância que haviam esquecido e que o Espírito Jobard lhes recordou, por intermédio da sonâmbula. O Sr. e a Sra. P..., que jamais haviam tido contato com ele em vida, desejavam saber o motivo da simpatia que lhes parecia manifestar. Foi com esse propósito que ele ditou a seguinte comunicação: “Incrédulo! tu tinhas necessidade dessa confirmação da sonâmbula para acreditar em minha identidade! Ingrato! esqueceste-me durante muito tempo sob o pretexto de que os outros se recordam mais. Porém, deixemos as censuras e falemos. Abordemos o assunto para o qual me fizestes evocar. Posso explicar facilmente por que minha atenção se havia excitado à vista daquele casal que me era estranho, mas que uma espécie de instinto, de dupla vista, de presciência me levava a reconhecer. Depois de minha libertação vi que nos tínhamos conhecido precedentemente e eu voltei para eles: é a palavra. “Começo a viver espiritualmente, mais tranqüilo e menos perturbado pelas evocações por vias indiretas que choviam sobre mim. A moda impera, mesmo entre os Espíritos. Quando a moda Jobard ceder lugar a um outro e eu tiver entrado no nada do esquecimento humano, então pedirei aos amigos sérios – e com isto entendo as inteligências que não esquecem – que me evoquem. Então aprofundaremos questões tratadas muito superficialmente, e o vosso Jobard, completamente transfigurado, vos poderá ser útil, o que ele deseja de todo o coração.” Jobard (Ao médium, Sra. Costel) – “Volto. Desejas saber por que manifesto preferência por ti. Quando eu era mecânico, tu eras poeta, e te conheci no hospital onde morreste, senhora! Jobard (Montreal – Canadá, 19 de dezembro de 1861) O Sr. Henri Lacroix nos escreve de Montreal que havia dirigido três cartas ao Sr. Jobard, mas este não recebeu senão duas, pois a terceira chegara tarde demais. Só a primeira foi respondida. Tendo tomado conhecimento de sua morte pelos jornais, o Sr. Lacroix recebeu comunicações de vários Espíritos, assinadas por Voltaire, Volney, Franklin, garantindo que a notícia era falsa e que o Sr. Jobard se encontrava muito bem. A Revista Espírita acaba de afastar suas dúvidas, confirmando o acontecimento. Foi então que o Espírito Jobard, ao ser evocado, deu a seguinte comunicação, cuja exatidão pede o Sr. Lacroix que controlemos. “Meu caro mestre: como dizeis, morri, mas não estou morto, pois vos falo. Aqueles que se incumbiram de vos dizer que eu não havia falecido talvez quisessem pregar-vos uma peça. Não os conheço ainda, mas os conhecerei e saberei o motivo por que agiram assim. Escrevei a Kardec e eu vos responderei. Penso que não poderei responder pela mesa, mas, em todo o caso, tentai e farei o que puder. As duas cartas que recebi de vossa parte contribuíram fortemente para me causar a morte. Mais tarde sabereis como.” Jobard Evocado a respeito, a 10 de janeiro, na Sociedade de Paris, o Sr. Jobard respondeu que se reconhecia como o autor da comunicação, mas que o suposto retrato, feito a seguir, não era ele, nem dele, o que acreditamos sem dificuldade, pois não se parece nem um pouco com ele. P. – Como puderam contribuir para a vossa morte as duas cartas que recebestes?
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Mês Março
Ano 1862
Revista Espírita - Por espíritos diversos através da codificação de Allan Kardec Sr. Jobard
Resp. – Não posso e nem quero dizer aqui senão uma coisa: a leitura dessas duas cartas após a refeição determinou a congestão que me levou, ou, se preferis, que me libertou. Observação – Enquanto o médium escrevia esta resposta, e antes que fosse lida, outro médium recebeu de seu guia particular a seguinte resposta: “Explicação difícil, que ele não dará em detalhes. Há coisas que Jobard não pode dizer aqui.” P. – O Sr. Lacroix deseja saber por que razão vários Espíritos vieram espontaneamente desmentir a notícia de vossa morte. Resp. – Se ele tivesse prestado mais atenção, teria reconhecido facilmente o embuste. Quantas vezes será preciso repetir que devemos desconfiar, quase de modo absoluto, das comunicações espontâneas dadas a propósito de um fato, afirmando ou negando com intenção deliberada! Os Espíritos só enganam os que se deixam enganar.” Observação – Durante esta resposta outro médium escreveu o seguinte: “Espíritos que gostam de tagarelar sem se importarem com a verdade. Há Espíritos que são como os homens; tomam conhecimento de uma notícia, afirmando-a ou desmentindo-a com a mesma facilidade.” É evidente que os nomes que assinaram o desmentido da morte do Sr. Jobard são apócrifos. Para o reconhecer, bastava considerar que Espíritos como Franklin, Volney e Voltaire têm coisas mais sérias com que se ocupar e que semelhantes detalhes são incompatíveis com o caráter deles. Só isto já deveria inspirar a dúvida quanto à sua identidade e, conseguintemente, sobre a veracidade das comunicações. Nunca repetiremos em demasia: somente um estudo prévio, completo e atento da ciência espírita pode oferecer os meios de frustrar as mistificações dos Espíritos enganadores, a que estão expostos todos os noviços que não possuem a necessária experiência. P. – Só respondestes à primeira carta do Sr. Lacroix. Ele deseja obter resposta das duas últimas, sobretudo da terceira que, como diz, tinha um cunho particular que só por vós poderia ser compreendida. Resp. – Ele a terá mais tarde. No momento não o posso. Seria inútil provocá-la; de outro modo, ele poderia estar certo de que não seria eu que responderia. (Sociedade Espírita de Paris, 21 de fevereiro de 1862 – Médium: Srta. Estefânia) Quando a Sociedade abriu a subscrição em favor dos operários de Lyon, um sócio depositou 50 francos, dos quais 25 por sua conta e 25 em nome do Sr. Jobard. A propósito, este último deu a seguinte comunicação: “Ainda uma vez vou responder, meu caro Kardec. Estou sensibilizado e reconhecido por não ter sido esquecido entre meus irmãos espíritas. Obrigado ao coração generoso que vos levou a oferta que eu vos teria feito se ainda habitasse no vosso mundo. Naquele onde agora vivo não há necessidade de moeda. Assim, foi preciso tirá-la da bolsa da amizade para dar provas materiais de que estava tocado pelo infortúnio dos meus irmãos de Lyon. Bravos trabalhadores, que ardentemente cultivais a vinha do Senhor, quanto deveis crer que a caridade não é uma palavra vã, pois os pequenos e os grandes vos demonstraram simpatia e fraternidade. Estais na grande via humanitária do progresso; possa Deus nela vos manter e possais vós ser mais felizes. Os Espíritos amigos vos sustentarão e triunfareis!” Jobard Subscrição para erigir um monumento à memória do Sr. Jobard Tendo os jornais anunciado uma subscrição para erigir um monumento ao Sr. Jobard, o Sr. Allan Kardec comunicou o fato à Sociedade na sessão de 31 de janeiro último, acrescentando que se propunha a falar do assunto na Revista, mas que tinha achado melhor adiar o anúncio dessa subscrição, considerando que teria pouca possibilidade de sucesso, a exemplo daquela em favor dos operários; que refletissem que mais valeria dar pão aos vivos do que pedras aos mortos. Interrogado sobre o que pensava, o Sr. Jobard respondeu: “Certamente. Mas refleti: quereis saber se gosto de estátuas. Começai por dar vosso dinheiro aos pobres; e se, por acaso, nos vossos bolsos restarem algumas moedas de 5 francos, mandai erigir uma estátua; isto sempre dará para um artista viver.” Em conseqüência, a Sociedade receberá os donativos que lhe forem feitos para esse fim e depositará os valores no escritório do jornal La Propriété industrielle, rue Bergère, 21, onde a subscrição está aberta.
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Mês Março
Ano 1862
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec Cartão de visita do Sr. Jobard
(Sociedade Espírita de Paris, 9 de janeiro de 1863 – Médium: Sr. d’Ambel) Hoje venho fazer minha visita de confraternização e, ao mesmo tempo, apresentar-vos um velho camarada de colégio, com que acabam de enriquecer-se as nossas legiões etéreas. Acolhei-o, pois, como um novo e zeloso partidário da verdade nova. Se em vida não foi um espírita autêntico, podemos afirmar que jamais se pronunciou abertamente contra as nossas crenças. Direi mesmo que no âmago de sua consciência ele via no Espiritismo a salvaguarda de todas as religiões do futuro. Mais de uma vez em sua vida teve a indizível felicidade de sentir a iluminação interior que lhe mostrava o caminho da verdade, quando a incerteza estava a ponto de invadir sua alma. Assim, quando trocamos fraterno aperto de mãos apenas algumas horas atrás, disse-me ele com seu meigo sorriso: Amigo, tínheis razão. Se ele não se prestou ao desenvolvimento de nossas idéias, é que a intuição mediúnica que nele agia lhe deu a entender que nem a hora nem o momento eram chegados, e que ele teria corrido perigo em fazê-lo no meio das graves complicações de seu ministério e entre um rebanho tão difícil de conduzir quanto o seu. Hoje, que se acha liberto das preocupações da vida terrena, não poderia estar mais feliz por assistir a uma de vossas sessões; porque, desde muito tempo, ambicionava vir sentar-se em vosso meio. Muitas vezes teve vontade de visitar o nosso caro presidente, pelo qual nutria uma estima muito particular, apreciando o quanto seus livros e ensinamentos reconduziam as almas, se não para o seio da Igreja, ao menos à crença e ao respeito de Deus e à certeza da imortalidade. Devo, entretanto, dizer que quando fui visitá-lo, recebendo-me com a efusão de um antigo condiscípulo, tinha oposto ao meu zelo, talvez exagerado, de o converter, a famosa razão de Estado, ante a qual tive de me inclinar. Todavia, acompanhando-me, disse estas palavras simpáticas: Si non é vero é ben trovato! Agora que veio juntar-se às nossas falanges e já não está retido pelos mesmos escrúpulos, faz votos pelo sucesso de nossa obra e encara com alegria o futuro que ela promete à Humanidade. Contempla com satisfação inefável a terra prometida às novas gerações, ou, antes, às velhas gerações que tanto lutaram, e prevê a hora abençoada em que seus sucessores empunharão resolutamente a nova bandeira da fé galicana: o Espiritismo! Meu caro presidente e meus bem-amados confrades: seja como for tive a honra de receber às portas da vida este venerável amigo e tenho orgulho de o apresentar ao vosso meio. Ele me encarrega de vos assegurar toda a sua simpatia e vos dizer que seguirá com muito interesse vossos trabalhos e estudos. À felicidade de ser o seu intérprete ao vosso lado, junto a de vos apresentar as felicitações de uma legião de grandes Espíritos que acompanham vossas sessões com assiduidade. Trago-vos, pois, em meu nome e no deles o tributo de nossa estima, formulando votos pelo sucesso da grande causa. Vamos! em breve a Terra não contará mais entre os seus habitantes senão alguns raros humanimais. Aperto a mão de Allan Kardec em nome de todos os vossos amigos de além-túmulo, em cujo número peço me conteis como um dos mais dedicados. Jobard
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Mês Abril
Ano 1863
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec O Sr. Jobard e os Médiuns Mercenários – Exemplo notável de concordância
Uma sonâmbula médium, que pretende ser adormecida pelo Espírito Jobard, dizia ter recebido uma comunicação dirigida a um outro médium, a quem aconselhava cobrar as consultas dos ricos e dá-las gratuitamente aos pobres e aos operários. O Espírito lhe indicava o emprego do dia, sem poupar elogios a suas eminentes faculdades e a sua alta missão. Tendo alguém levantado dúvidas sobre a autenticidade dessa comunicação, e sabendo que o Espírito Jobard se manifesta freqüentemente na Sociedade, pediu-nos que a submetêssemos a um controle. Para maior segurança, dirigimos imediatamente a seis médiuns estas simples palavras: “Perguntai ao Espírito Jobard se ele ditou à Sra. X..., em sonambulismo magnético, uma comunicação por um outro médium, que o estimula a explorar a sua faculdade. Precisaria desta resposta para amanhã.” Tivemos o cuidado de não os prevenir desta espécie de concurso, de modo que cada um se julgou o único chamado a resolver a questão. Contávamos com a elevação do Espírito Jobard para se prestar à circunstância, e não se ofender ou se impacientar com esta pergunta, que lhe devia ser dirigida quase simultaneamente de seis pontos diferentes. No dia seguinte recebemos as respostas abaixo, que fizemos acompanhar de algumas reflexões. (20 de outubro de 1864 – Médium: Sr. Leymarie) Pois quê! então, caros amigos, meu nome serve de escudo a toda espécie de gente! Há muito tempo habituei-me a esses plagiadores desonestos que, sucessivamente, me fazem assumir todas as cores, como se eu fosse um camaleão; tomam-me por um palerma. Entretanto, minha vida passada, meus trabalhos e as numerosas provas de identidade, dadas à Sociedade Espírita de Paris, afastam qualquer equívoco quanto aos meus sentimentos. Sou o mesmo, seja como Espírito encarnado, seja como Espírito livre, e minha missão junto a todos vós, meus amigos, é de devotamento e, sobretudo, de desinteresse. O Espiritismo é uma ciência positiva; os fatos sobre os quais se assenta ainda não estão completos. Mas tende paciência, vós que sabeis esperar, e esta ciência, que nada inventou, já que é uma força da Natureza, provará, aos menos clarividentes, que seu objetivo, todo moral, é a regeneração da Humanidade e que, fora de todas as ciências especulativas, seu ensino é o oposto do materialismo, que procede por hipótese. Proceder com análise, estabelecer fatos para remontar às causas, proclamar o elemento espiritual, depois da constatação, tal é a sua maneira de agir, clara e sem rodeios; é a linha reta, a que deve ser o guia de todo espírita convicto. Rejeito, pois, o joio do trigo, todos os interesses mesquinhos, os devotamentos pela metade, os compromissos imorais, que são a chaga de nossa fé. Desde que vos dizeis espíritas, tenho o direito de vos perguntar o que sois, o que quereis ser. Pois bem! se tendes fé, sois, antes de tudo, caridosos. Aos vossos olhos, todos os encarnados sofrem uma provação; como espectadores, assistis a muitos desfalecimentos e, nesse rude combate da vida, no qual os vossos irmãos buscam a luz, vosso dever, de privilegiados que vistes e sabeis, é dar generosamente o que Deus também vos distribuiu com generosidade. Médiuns, não vos deveis orgulhar, porque a mão que dispensa pode retirar-se de vós. Quando, por vosso intermédio, um Espírito vem consolar, encorajar, ensinar, deveis estar feliz e agradecer a Deus, que vos permite ser a boa fonte, onde os que têm sede vêm saciar-se. Mas esta água não vos pertence, pois pertence a todos: não a podeis vender, nem ceder, porque este domínio não é deste mundo. Queríeis que vos expulsásseis, como aos vendedores do templo? Ricos ou pobres, acorrei e pedi: cada um de vós tem seu sofrimento secreto; os andrajos de um tornar-se-ão a púrpura de outro numa nova existência, e é por isto que a mediunidade não é usurária: diante dela todos os encarnados são iguais. Olhai à vossa volta: são ricos, são pobres os que fazem profissão do dom providencial? Eles vendem a ciência dos Espíritos, e o óbolo que recolhem é a gangrena do seu espiritualismo. Fizeram bem em dizer espiritualismo, porque, como sabeis, os espíritas reprovam toda venda moral; a venalidade não é o seu caso. Repelimos do nosso seio todas essas escórias vergonhosas, que fazem rir os assistentes introduzidos em sua loja. Quanto a mim, caro mestre, respondei àqueles ou àquelas que querem comerciar com o meu nome que, por mais palerma que eu pudesse ser, jamais o seria bastante para apor minha assinatura em escritos falsificados, atribuídos ao vosso devotado, Jobard (Médium: Sra. Costel) Venho reclamar e protestar contra o abuso que fazem do meu nome. Os pobres de espírito – e os há muito entre os Espíritos – têm o hábito lamentável de apossar-se de nomes que lhes sirvam de passaporte junto a médiuns orgulhosos e crédulos. Certamente eu não ficaria muito à vontade para defender a nobreza de meu pobre nome, sinônimo de ingênuo. Contudo, espero tê-lo colocado bem alto no julgamento dos que me conheceram para temer solidarizar-me com as banalidades imputadas à minha assinatura. É, pois, apenas por amor à verdade que protesto não haver adormecido nenhuma sonâmbula, nem exaltado nenhum médium. Comunico-me muito raramente, pois tenho muita coisa a aprender para servir de guia e instrutor dos outros. Em princípio, reprovo a exploração da mediunidade, por uma razão muito simples: não gozando o médium de sua faculdade senão de maneira intermitente e incerta, jamais pode algo prejulgar ou se fundar sobre ela. Assim, erram as pessoas pobres quando abandonam a profissão para exercerem a mediunidade no sentido lucrativo do vocábulo. A pretexto de desempenharem uma missão, muitas delas abandonam o lar, do qual desertam por orgulhosas satisfações e pela importância passageira que lhes concede a curiosidade mundana. Espero que esses médiuns se enganem de boa-fé; mas, enfim, eles se equivocam. A mediunidade é um dom sagrado e íntimo, que não pode ter um consultório aberto. Os médiuns muito pobres para se consagrarem ao exercício de sua faculdade devem subordiná-la ao trabalho que os faz viver. Com isto nada perderá o Espiritismo: ao contrário, muito ganhará em dignidade. Não quero desencorajar ninguém, nem frustrar nenhuma boa vontade, mas convém que nossa cara doutrina esteja ao abrigo de toda acusação perniciosa. Não se deve suspeitar da mulher de César; tampouco dos espíritas. Eis o que é dito, e desejo que não reste a menor dúvida quanto às palavras do vosso velho amigo, Jobard (Médium: Sr. Rul.) Como poderiam crer que aquele que, em todas as suas comunicações, recomendou a caridade e o desinteresse, hoje viria contradizer-se? É uma provação para a sonâmbula e eu a aconselho a não se deixar seduzir pelos Espíritos maus que, por esta pequena especulação de além-túmulo, querem lançar o descrédito sobre os médiuns em geral e, em particular, sobre este de que se trata. Creio não ser necessário fazer de novo minha profissão de fé. Não é àquele que, encarnado, tantas vezes enganado, sempre teve por regra de conduta a retidão e a lealdade, que se podem atribuir semelhantes comunicações! Ele seria feliz se, à maneira do que se faz com certas mercadorias da Terra, se pudessem opor sobre as comunicações de além-túmulo o selo que constata a identidade do autor. Ainda não estais bastante adiantados, mas, em falta do selo, servi-vos de vossa razão, que não vos pode enganar; e desafio todos os Espíritos, por mais numerosos que sejam, que me façam passar, aos olhos de meus antigos confrades, por mais tolo do que sou. Adeus. Jobard (Médium: Sr. Vézy) Por que, ainda, tanta tolice entre os que crêem de boa-fé? E dizer que se se lhes põe diante dos olhos os verdadeiros princípios da coisa, eles mudam de repente e tornam-se mais incrédulos do que São Tomé! Ide dizer àquela cara senhora que jamais me comuniquei com ela. Ela vos dirá: é possível, e em vossa presença dará a impressão de que concorda convosco. Mas, no seu foro íntimo, dirá que sois insensatos. Proibir um louco de fazer loucuras é ser mais louco do que ele mesmo, dizem. Entretanto, seria preciso achar um remédio para curar tantos pobres de espírito que se desgarram sozinhos, convencidos que estão de ser guiados por maravilhas. Na verdade, meu caro presidente, julgais-me capaz de escrever as frivolidades que vos leram? Então seria realmente o caso de me aplicar o nome que eu tinha, por ter ousado escrever semelhantes bobagens. O Espiritismo não se ensina a tanto por lição. Que aquele que não pode levar nossas palavras a seus irmãos senão em detrimento do próprio salário, fique em casa e peça à sua ferramenta ou à sua agulha que continue lhe dando o pão quotidiano. Mas identificar-se com quem dá espetáculos é patinar no domínio da exploração ou do charlatanismo. Que aquele que é pobre e sente coragem para tornar-se apóstolo de nossa doutrina se escude na sua fé e na sua coragem, pois a Providência virá na hora dar-lhe o pão que lhe falta; mas não estenda a mão pelos serviços que prestar, porque seremos os primeiros a gritar: Retira-te daqui, mendigo, e deixa o lugar aos que podem fazer o trabalho. Sempre encontramos bastantes homens de boa vontade para desempenhar a tarefa que lhes pedimos.
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Mês Dezembro
Ano 1864
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec O Sr. Jobard e os Médiuns Mercenários – Exemplo notável de concordância
Mulheres ou homens que deixais a roda de fiar ou as ferramentas para vos tornardes pregador ou médium e pedis um salário: só o orgulho vos guia. Quereis um pouco de glória em torno de vosso nome: o metal só tem reflexos vis, que o tempo enferruja, enquanto a verdadeira glória tem mais esplendor na abnegação. Prefiro Malfilatre, Gilbert e Moreau, cantando sua agonia num leito de hospital, ao poeta mendicante, que, para preservar o luxo em torno de seu leito de morte, vende o próprio coração. Os desinteressados serão mais bem recompensados; uma felicidade duradoura os espera e seus nomes serão tanto mais poderosos quanto mais lágrimas tiverem derramado e mais suor e poeira coberto suas frontes. Isto é tudo quanto vos posso dizer a respeito, caro presidente, e aproveito a ocasião que se me apresenta para vos apertar a mão e reiterar todos os meus votos e meus sinceros sentimentos. Conservai sempre a coragem e a energia na tarefa que vos impusestes. Fazei calar os invejosos e os maledicentes que vos cercam por esta firmeza e simplicidade que vos assenta tão bem. Hoje é preciso ser positivo; não vos deixeis arrastar à pesquisa da Lua quando a Terra está aos vossos pés e que nesta tendes com que completar o vosso trabalho. Há materiais em abundância em torno de vós. Provai vossas teorias pelos fatos, e que vossos exemplos não se apoiem em teoremas algébricos, que nem todos poderiam compreender, mas sobre axiomas matemáticos. Uma criança sabe que dois e dois são quatro. Deixai correr na frente os que têm pernas compridas; eles quebrarão o pescoço e é inútil que os acompanheis na queda. Apressemo-nos com prudência; o mundo ainda é novo e os homens dispõem de tempo para se instruírem. O Sol se põe ao entardecer porque a obscuridade se faz necessária para compreendermos o seu brilho. Por vezes a verdade se veste de trevas para não ofuscar os que a olham muito de frente. P. – Dissestes que jamais vos comunicastes com aquela senhora. Contudo, ela afirma que a magnetizastes! Resp. – Pobre mulher! ela atribui a seres inteligentes o que só a tolice pode ditar, ou então algumas palavras muito boas e muito simples a grandes oráculos. É uma doença que não se deve contrair; tem sede nos nervos e se cura pela prudência e por duchas frias. Jobard (Médium: Sra. Delanne) Saudações fraternais a todos, meus bons amigos, que trabalhais com ardor para esclarecer a Humanidade. É preciso que redobreis a atenção, porque, neste momento, uma incrível revolução se opera entre os desencarnados. Também tendes entre eles adversários que se empenham em vos suscitar entraves, mas Deus vela por sua obra. Ele vos colocou como cabeça um chefe vigilante, dotado de sangue-frio, perspicácia e uma vontade enérgica para vos fazer vencer os obstáculos que os vossos inimigos visíveis e invisíveis erguem a cada instante aos vossos passos. Por isso ele não se enganou lendo esta comunicação; ele bem compreendeu que Jobard não podia falar assim, nem aprovar semelhante linguajar. Não, meus amigos, o Espiritismo não deve ser explorado por espíritas sinceros e de boa-fé. Pregais contra os abusos desta natureza, que desacreditam a religião; portanto, não podeis praticar o que condenais, porque afastais aqueles que o vosso desinteresse poderia trazer a vós. Alguma vez já refletistes seriamente nas funestas conseqüências das reuniões pagas? Compreendei bem que se Allan Kardec autorizasse semelhantes idéias, por seu silêncio ou sua aprovação tácita, em dois anos o Espiritismo estaria exposto a uma multidão de exploradores, e essa coisa santa e sagrada seria desacreditada pelo charlatanismo. Eis a minha opinião. Assim, repilo hoje, como sempre, toda idéia de especulação, seja qual for o pretexto, que entravasse a doutrina, em vez de ajudá-la. Empenhai-vos, no momento e antes de tudo, a reformar os homens por vossos ensinos e exemplos. Que vosso desinteresse e vossa moderação falem tão alto que nenhum de vossos adversários possa vos censurar. Estando cada um de vós colocado em posições diferentes, deveis trabalhar conforme vossas forças: Deus não pede o impossível. Tende confiança nEle, e deixai que cada coisa venha a seu tempo. Se Ele tivesse querido que o Espiritismo marchasse mais rapidamente, teria enviado mais cedo os grandes Espíritos que estão encarnados e que surgirão quase ao mesmo tempo em todos os pontos do globo, quando chegar o tempo. Enquanto esperais, preparai os caminhos com prudência e sabedoria. Coragem, caro presidente, cada dia as rédeas se tornam mais difíceis. Mas aqui estamos para vos sustentar e Deus vela por vós. Jobard (Médium: Sr. d’Ambel) Ora, ora! isto vos admira! Mas há tantos bobos no mundo dos Espíritos, como entre vós – e não vos estou ofendendo – que um bobo pôde dar a outro a comunicação sonambúlica em questão. Quanto ao médium, é preciso inquietar-se tanto? Deixai o tempo passar: é um grande reformador. Os que põem à venda sua mediunidade fazem como certas pessoas que, abrindo um baralho a seus consulentes, dizem: “Eis um homem da cidade, ou um homem do campo; há uma carta em caminho, eis o ás de ouro.” Quem sabe se, nalguns, não é uma volta ao passado, um resquício de antigos hábitos? Pois bem! tanto pior para os que caem nesta difícil situação. Não lucrarão e lamentarão que um dia hajam tomado o caminho errado. Tudo quanto vos posso dizer é que, estando completamente alheio a esse comércio, bem o sabeis, lavo as mãos e lamento a pobre Humanidade, porque ainda recorre a tais expedientes. Adeus, Jobard. OBSERVAÇÕES A necessidade de desinteresse nos médiuns de tal modo passou a ser um princípio, que teria sido supérfluo publicar o fato acima, se ele não oferecesse, além da questão principal, um notável exemplo de coincidência e uma prova manifesta de identidade, pela similitude de pensamentos e o cunho de originalidade que, de modo geral, caracterizam todas as comunicações do nosso antigo colega Jobard. É a tal ponto que quando ele se manifesta espontaneamente na Sociedade, é raro que, desde as primeiras linhas, não se adivinhe o autor. Assim, não se levantou nenhuma dúvida quanto à autenticidade das que acabamos de referir, ao passo que, nas que nos haviam pedido para controlar, a fraude salta aos olhos de quem quer que conheça a linguagem e o caráter do Sr. Jobard, bem como os princípios que ele havia professado constantemente, como homem e como Espírito. Teria sido irracional admitir que subitamente ele tivesse mudado em benefício dos interesses materiais de um indivíduo. Que trapaça desastrada! Quanto à questão do desinteresse, seria inútil repetir tudo quanto foi dito sobre esse ponto, e que se encontra admiravelmente resumido nas respostas do Sr. Jobard. Apenas acrescentaremos uma consideração, que não é sem importância. Certos médiuns exploradores julgam salvar as aparências fazendo-se pagar apenas pelos ricos, ou só aceitando uma contribuição voluntária. Em primeiro lugar, isto não deixa de ser um ofício, a exploração de uma coisa santa, e um lucro tirado do que se recebe gratuitamente. Quando Jesus e seus apóstolos ensinavam e curavam, não mercadejavam suas palavras, nem os seus cuidados, embora não tivessem renda para viver. Por outro lado, esta maneira de operar não é garantia de sinceridade nem afasta a suspeita de charlatanismo. Certos médicos e certos negociantes de artigos agem com segundas intenções no campo da filantropia, os primeiros dando consultas gratuitas, e os segundos vendendo com prejuízo, ou quase de graça. Em algumas ocasiões, a gratuidade é um meio de atrair a clientela produtiva. Existe, porém, outra consideração, ainda mais poderosa. Por que sinal reconhecer o que pode ou não pagar? A aparência por vezes é enganosa e, muitas vezes, uma roupa limpa oculta miséria maior que a blusa de um operário. Então é preciso declinar sua pobreza, seus títulos à caridade, ou exibir um atestado de indigência? Aliás, quem diz que o médium, mesmo admitindo de sua parte a maior sinceridade, terá a mesma solicitude para o que não paga, ou paga menos, do que para o que paga generosamente, e que não dará a cada um conforme o seu dinheiro? Que, se um rico e um pobre a ele se dirigissem ao mesmo tempo, não receberia primeiro o rico, que apenas tinha em vista satisfazer à vã curiosidade, enquanto o pobre, que talvez esperasse suprema consolação, seria atendido mais tarde? Sem o querer, sua consciência estará em luta com a tentação da preferência; será levado a olhar melhor para o que paga, ainda mesmo que lhe atirasse com desdém uma moeda de outro, como se faz com um mercenário, enquanto olhará com indiferença os parcos centavos que lhe apresentar timidamente o pobre envergonhado. Tais sentimentos são compatíveis com o Espiritismo? Não é manter entre o rico e o pobre essa demarcação humilhante, que já fez tanto mal, e que o Espiritismo deve fazer desaparecer, provando a igualdade do rico e do pobre perante Deus? pois Deus não mede os raios de seu sol pela fortuna, nem a esta pode subordinar mais consolações do coração que as prodigalizadas aos homens pelos Espíritos bons, seus mensageiros. Pensando bem, se houvesse uma escolha a fazer, preferiríamos o médium que cobrasse sempre, porque ao menos não há hipocrisia; sabe-se imediatamente com quem se está tratando.
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Mês Dezembro
Ano 1864
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec O Sr. Jobard e os Médiuns Mercenários – Exemplo notável de concordância
Além do mais, a multiplicidade sempre crescente dos médiuns em todas as camadas da sociedade e no seio da maioria das famílias, tira à mediunidade remunerada toda utilidade e toda razão de ser. Essa multiplicidade matará a exploração pelo sentimento de repulsa que a ela se liga. Chamam-nos a atenção para o encerramento das atividades de um antigo e numeroso grupo espírita de província, organizado com propósitos interesseiros. O chefe desse grupo, bem como a família, tinha deixado de lado suas obrigações, sob o enganoso pretexto de devotamento à causa, à qual queria consagrar todo o seu tempo. Sua bolsa estaria garantida com os recursos que esperava tirar do Espiritismo. Infelizmente, a exploração da mediunidade está de tal modo desacreditada na província que, na maior parte das cidades, quem dela faz uma profissão, ainda que tivesse as mais transcendentes faculdades, não inspiraria a menor confiança; aí seria muito malvisto e todos os grupos sérios lhe fechariam as portas. A especulação não correspondeu à expectativa e consta que o chefe desse grupo teria se queixado, junto aos seus freqüentadores, pelas dificuldades por que passava, pedindo-lhes auxílio. Responderam-lhe que, se estava em apuros, a culpa era sua; que tinha errado em fechar a sua oficina para viver do Espiritismo e cobrar pelas instruções que os Espíritos lhe davam de graça; o médium refutou e pôs a culpa nos Espíritos. Dos nove médiuns presentes, aos quais a questão foi apresentada, oito receberam comunicações censurando sua maneira de agir; só uma o aprovou: era a de sua esposa. Submetendo-se de bom grado ao conselho dos Espíritos, o chefe do grupo anunciou que a partir daquele momento seu grupo estaria fechado. Por certo teria sido mais prudente escutar os conselhos que, desde muito tempo, lhe eram dados por amigos sinceros do Espiritismo. Um outro grupo, em condições mais ou menos idênticas, aos poucos foi sendo abandonado por seus freqüentadores e, finalmente, forçado a se dissolver. Assim, eis dois grupos que sucumbem sob a pressão da opinião. Escrevem-nos que o parágrafo da Imitação do Evangelho, número 392 e seguintes, por certo não é estranho a esse resultado. Aliás, é impossível que todo espírita sincero, compreendendo a essência e os verdadeiros interesses da doutrina, se torne defensor e suporte de um abuso que, inevitavelmente, tenderia a desacreditá-la. Nós os exortamos a desconfiar das armadilhas que os inimigos do Espiritismo lhes tentassem estender a tal propósito. Sabe-se que em falta de boas razões para o combater, uma de suas táticas é buscar arruiná-lo por si mesmo. Assim, vê-se com que ardor espreitam as ocasiões de o surpreender em falta ou em contradição consigo mesmo. É por isto que os Espíritos nos dizem, sem cessar, que vigiemos e nos mantenhamos em guarda. Quanto a nós, não ignoramos que nossa persistência em combater o abuso de que falamos não fizeram nossos amigos os que viram no Espiritismo uma matéria explorável, nem os que os sustentam. Mas, que nos importa a oposição de alguns indivíduos! Defendemos um princípio verdadeiro, e nenhuma consideração pessoal nos fará recuar ante o cumprimento de um dever. Nossos esforços tenderão sempre a preservar o Espiritismo da usurpação e da venalidade; o momento presente é o mais difícil, mas, à medida que a doutrina for mais bem compreendida, essa usurpação será menos temível, pois a opinião das massas lhe oporá uma barreira intransponível. O princípio do desinteresse, que satisfaz ao mesmo tempo o coração e a razão, terá sempre as mais numerosas simpatias, e o fará triunfar, pela força das coisas, sobre o princípio da especulação.
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Mês Dezembro
Ano 1864
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec O Fim do Mundo em 1911
O fim do mundo em 1911, tal é o título de uma pequena brochura in-18, de 58 páginas, espalhada em Lyon com profusão e que se acha naquela cidade na livraria Josserand, place Bellecour, no 3. Às considerações tiradas da concordância do estado atual das coisas com os sinais precursores anunciados no Evangelho, o autor acrescenta, conforme uma outra profecia, um cálculo cabalístico que fixa o fim do mundo para o ano 1911, nem mais, nem menos, isto é, dentro de 43 anos. De sorte que, entre os vivos de hoje, mais de um será testemunha dessa grande catástrofe. Ora, aqui não se trata de uma figura; é o fim bem real, o aniquilamento da Terra, a dispersão de seus elementos e a destruição completa de seus habitantes. É lamentável que a maneira por que se realizará este acontecimento não seja indicada, mas também é preciso deixar alguma coisa sem avisar. Será precedido pelo reino do Anticristo. Segundo os mesmos cálculos, que não foram feitos por Arago, esse personagem nasceu em 1855 e deve viver 55 anos e meio; e como sua morte deve marcar o fim dos tempos, isto nos leva justo a 1911, a menos que tenha havido algum erro de cálculo, como para 1840. Com efeito, a gente se lembra de que o fim do mundo também tinha sido predito para o ano de 1840; acreditavam com tanta certeza, que tinha sido pregado nas igrejas, e o vimos anunciado em certos catecismos de Paris às crianças da primeira comunhão, o que não deixou de impressionar deploravelmente alguns cérebros jovens. Como o melhor meio de salvar sua alma sempre foi dar dinheiro, despojar-se dos bens deste mundo, que são uma causa de perdição, foram feitas coletas e doações com este objetivo. Mas o Espírito do mal se insinua por toda parte neste século de racionalistas e impele aos piores pensamentos; ouvimos, com os próprios ouvidos, alunos de catecismo fazendo esta reflexão: "Se, diziam eles, o fim do mundo chega no próximo ano, como nos asseguram, será tanto para os padres quanto para os outros; então para que lhes servirá o dinheiro que pedem?” Na verdade não há mais crianças, mas meninos terríveis. Sucederá o mesmo com o ano de 1911? A brochura em questão nos dá um meio certo de nos assegurarmos disto: é o retrato do Anticristo, pelo qual será fácil reconhecer o original; é bastante característico para que possa haver engano. É traçado por um célebre profeta alemão, Holzauzer, nascido em 1613, e que escreveu um comentário sobre o Apocalipse. Segundo Holzauzer, o Apocalipse não é senão a história completa da Igreja católica, desde o seu nascimento até o fim do mundo, história que ele divide em sete épocas, figuradas, diz ele, pelas sete igrejas, às quais se dirige São João. Eis alguns dos traços mais característicos do Anticristo e dos acontecimentos que devem preceder a sua vinda. “Tocamos neste momento o fim da quinta época. É então que sucederão essas espantosas desgraças anunciadas no Apocalipse (cap. VIII). A peste, a guerra, a fome, os terremotos farão vítimas inumeráveis. Todos os povos se levantarão uns contra os outros; a guerra será geral na Europa; mas o incêndio rebentará primeiro na Alemanha... “Depois destas guerras formidáveis, que ensangüentarão o mundo inteiro, o protestantismo desaparecerá para sempre e o império dos turcos se desmoronará. Será o começo da sexta idade. “Os povos, esgotados por esses combates mortais, apavorados pelos horríveis flagelos, que marcarão o fim da quinta época, voltarão ao culto do verdadeiro Deus. Saindo vitoriosa das lutas sem-número que terá sustentado contra as heresias, a indiferença e a corrupção geral, a religião do Cristo reflorescerá mais brilhante que nunca. Jamais a Igreja católica terá tido um triunfo tão espetacular. Seus ministros, modelos de todas as virtudes, percorrerão o mundo para fazer ouvir aos homens a palavra de Deus... “Mas esse triunfo da religião será de curta duração. O vício, abatido mas não aniquilado, pouco a pouco erguerá a cabeça, e logo a corrupção, fazendo rápidos progressos, invadirá novamente todas as classes da sociedade, e se introduzirá até no santuário. É então que se verá a abominação da desolação, anunciada pelo profeta. O mundo inteiro não será mais que uma imensa sentina de vícios e de crimes de toda sorte. Assim terminará a sexta idade. “Então virá à Terra aquele que os profetas e os Pais da Igreja designaram sob o nome de Anticristo. “Pobre e desconhecido, viverá uma vida miserável durante sua infância e a primeira juventude. Educado por seu pai no estudo das ciências ocultas, a elas se aplicará com furor e fará rápidos progressos. Dotado de inteligência pouco comum, de um espírito ardente e resoluto e de um caráter de ferro, mostrará, desde o berço, as mais violentas paixões. Reconhecendo nesse menino as temíveis qualidades daquele que deve um dia secundá-lo tão ardentemente em sua luta contra o gênero humano, Satã estremecerá de alegria e, pouco a pouco, lhe comunicará todo o seu poder. “Todos os que dele se aproximarem ficarão maravilhados com os seus discursos e ações. Encará-lo-ão como um menino predestinado a grandes coisas, e dirão que a mão do Senhor estendeu-se sobre ele para o proteger e conduzir... “Pouco a pouco, ajudado pelo renome, e aumentando ainda as maravilhas atribuídas ao jovem chefe, o número de seus sectários tornar-se-á rapidamente muito considerável... “Logo se vendo à testa de um verdadeiro exército, composto de homens devotados até a morte, ele não hesitará mais em tomar o título de rei. Durante algum tempo ocupar-se-á em organizar o seu poder e pôr um pouco de ordem entre os seus novos súditos, mas nada negligenciando para lhes aumentar o número. Não tendo nome de família, tomará o nome de Cristo, que os judeus já lhe terão dado... “Crescendo sua ambição com a fortuna, formará, no seu orgulho, o desígnio de conquistar toda a Terra e submeter todos os povos às suas leis... “Em alguns dias o Anticristo reunirá um exército imenso e ver-se-á esse novo Átila engolir a Europa sob as ondas de suas hordas bárbaras. Os exércitos inimigos, feridos de pavor à vista dos numerosos prodígios que ele fará, deixar-se-ão dispersar e aniquilar, sem mesmo tentar combater. Três grandes reinos serão conquistados sem qualquer resistência. Seus soberanos expiarão nos mais cruéis suplícios sua recusa à submissão, e os povos vencidos serão entregues sem piedade a todos os furores de uma soldadesca desenfreada. Terrificadas ao saber dessas bárbaras vinganças, as outras nações imediatamente se submeterão. Então a Terra inteira não formará mais que um só e vasto reino, que o Anticristo governará a seu talante. Fará reconstruir, com uma magnificência inaudita, a cidade de Jerusalém, e dela fará a sede de seu império. “Arrastado por seu fatal destino, ele fará todos os esforços por destruir todas as religiões, sobretudo a religião católica. Sobre os escombros do antigo culto, reconstruirá o edifício de um culto novo, do qual será, ao mesmo tempo, o sumo-sacerdote e o ídolo. Esta nova religião terá os seus defensores e os seus sacerdotes em toda parte. Um dos mais encarniçados e mais terríveis, aquele que São João designou nos versículos 11, 12 e 13 do capítulo XIII, como a besta de dois chifres, semelhantes aos do cordeiro, será o grande apóstata. Holzauzer o chama assim porque será um dos primeiros a renunciar ao Cristianismo para se dedicar com furor ao culto do Anticristo. “Nessa época reinará sobre o trono de São Pedro um pontífice santo, com o nome de Pedro. Ferido de dor à vista dessas desgraças horrendas, e prevendo os perigos terríveis que correrão os fiéis, enviará a toda a cristandade santas exortações para premunir cada um contra as seduções do Anticristo, cuja perfídia desvendará claramente. Furioso por essa resistência aberta e pela imensa influência do Santo Padre, o grande apóstata entrará em Roma à frente de um exército e, com as próprias mãos, matará o último sucessor de Pedro nos degraus do altar... “Por toda parte as igrejas serão invadidas, os santuários violados, os objetos do culto profanados. Os livros santos serão queimados, a cruz e todos os símbolos de nossa augusta religião serão pisados e arrastados no pó. Os quadros e as estátuas expostos à veneração dos fiéis serão derrubados; em seu lugar elevar-se-á a estátua maldita do Anticristo. – E esta estátua falará, diz o profeta... “E ver-se-ão homens instruídos e eloqüentes pregando essa idolatria de um novo gênero e, numa linguagem brilhante e imaginosa, exaltando os louvores daquele cuja estátua fala e faz milagres... “Para ferir os olhos da multidão e subjugar as massas, o Anticristo realizará prodígios admiráveis. Transportará montanhas, andará sobre as águas e se elevará nos ares, todo brilhante de glória. Fará aparecerem vários sóis simultaneamente, ou mergulhará a Terra na mais completa escuridão. À sua voz, o raio cairá do céu, os rios suspenderão seu curso, as muralhas desabarão. Tornando-se invisível à vontade, irá de um lugar a outro com incrível rapidez e se mostrará em vários lugares ao mesmo tempo. Assim, como vimos, animará a sua imagem e lhe comunicará uma parte de seu poder. Mas, em sua maioria, esses prodígios não passarão de ilusões de óptica e o resultado de uma fantasmagoria diabólica; não serão verdadeiros milagres, porque Satã, com toda a sua força, não poderia mudar as leis da Natureza...”
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Ano 1868
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec O Fim do Mundo em 1911
Observação – Se não são milagres, na acepção rigorosa da palavra, não sabemos a que se pode dar esse nome; e se são, em sua maioria, ilusões de óptica, essas ilusões se afastam singularmente das leis da Natureza, e elas próprias seriam milagres, porquanto jamais se viu o raio cair e as muralhas desabarem por efeitos de óptica. O que ressalta de mais claro desta explicação é a dificuldade em distinguir os verdadeiros milagres dos falsos, e de fazer, nos efeitos dessa natureza, a parte dos santos e a do diabo. “Ao mesmo tempo que ferirá todos os espíritos de espanto e admiração, o Anticristo, para ganhar todos os corações, exibirá todas as aparências da mais austera virtude. Enquanto se entrega à mais vergonhosa devassidão no fundo do seu palácio, aparentará temperança e caridade. Prodigalizando ouro e prata em seu redor, fará grandes bens aos pobres e não haverá em toda parte senão concertos e louvores por sua beneficência e sua caridade. Vê-lo-ão cada dia passar horas inteiras em prece no seu templo; numa palavra, ele se cobrirá com o manto da hipocrisia com tanta habilidade, que mesmo os seus mais fiéis servidores serão persuadidos de sua virtude e de sua santidade. “Entretanto, o Senhor não deixará seus filhos sem defesa e sem socorro durante esses tempos de provação. Enoque e Elias voltarão à Terra para pregar a palavra de Deus, sustentar a coragem dos fiéis e desmascarar as imposturas dos falsos profetas. Durante mil duzentos e sessenta dias, ou três anos e meio, percorrerão o mundo, exortando todos os homens a fazer penitência e a voltar ao culto de Jesus-Cristo. Oporão verdadeiros milagres aos pretensos prodígios do Anticristo e de seus apóstolos... Mas, depois de terem acabado o seu testemunho, a besta que sobe do abismo (o Anticristo) lhes fará guerra, os vencerá e os matará.” Observação – Não se poderia afirmar mais claramente a reencarnação. Não é aqui uma aparência, uma ilusão de óptica, é bem a reencarnação em carne e osso, pois os dois profetas são mortos. “Então o orgulho do Anticristo não conhecerá mais limites. Orgulhoso da vitória que acaba de conquistar sobre os dois profetas que afrontavam tão impunemente o seu poder há três anos e meio, mandará construir um trono magnífico no Monte das Oliveiras e lá, cercado de uma legião de demônios transformados em anjos de luz, far-se-á adorar pela imensa multidão que será reunida para gozar de seu triunfo. “Mas, chegado o vigésimo quinto dia, o corpo dos dois profetas, animado pelo sopro de Deus, ressuscitará e eles subirão ao céu, brilhantes de glória, à vista da multidão espantada. Enceguecido pela cólera e pelo ódio, o Anticristo anunciará que vai subir ao céu para buscar os seus inimigos e os precipitar na Terra. Com efeito, partindo nas asas dos demônios que o cercam, ele se elevará nos ares; mas nesse momento o céu se abrirá e o Filho do Homem aparecerá sobre uma nuvem luminosa. O Anticristo será precipitado do céu com seu cortejo de demônios e, fendendo-se a terra, descerá vivo para o inferno... “Então o fim do mundo estará próximo. Não se escoarão mais anos, nem meses, mas poucos dias, último termo dado aos homens para fazer penitência. Os prodígios mais assustadores se sucederão sem parar, até que o mundo inteiro pereça numa imensa perturbação. “Eis o que anuncia Holzauzer, e isto não é senão a explicação do que está contido no Apocalipse; é a doutrina de todos os Pais da Igreja, encerrada no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos.” Observação – Assim, pois, acabará o mundo! Não é o sonho de um homem, é a doutrina de todos os Pais, que são a luz da Igreja. Aqueles de nossos leitores que apenas têm uma vaga idéia do Anticristo nos agradecerão, porque fizemos que o conhecessem com alguns detalhes, conforme as autoridades competentes. Se não há senão quarenta e três anos à sua frente, não tardaremos a ver esse reino maravilhoso. Por esses sinais reconheceremos a aproximação da data fatal. O que há de estranho nesse relato é a obliteração do poder de Deus e de sua Igreja diante do Anticristo. Com efeito, após um triunfo de curta duração, a Igreja sucumbe novamente para não mais se erguer; a fé de seus ministros não é bastante grande para impedir a corrupção de introduzir-se até no santuário. Não é uma confissão ingênua de fraqueza e de impotência? São coisas que se pode pensar, mas é inabilidade gritar de cima dos telhados. Teria sido deveras surpreendente que o Espiritismo não tivesse encontrado lugar nessa predição. Com efeito, ele aí está indicado como um dos sinais dos tempos, e eis em que termos. Não é mais Holzauzer quem fala, é o autor da brochura: “Mas eis que esses ruídos se precisam, que esses terrores, que parecem quiméricos, tomam consistência e se formulam claramente. O fim do mundo se aproxima, gritam de todos os lados! Na Europa, nos países católicos, recordam-se as velhas profecias que, todas, anunciam esse grande acontecimento para a nossa época... “Não são senão os Espíritos batedores que dão o alarme. Abri O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e lede na primeira página, nos prolegômenos, as palavras seguintes: ‘Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade’.” Observação – Não vemos que anunciar a regeneração da Humanidade seja anunciar o seu fim; estas duas idéias se contradizem. Os Espíritos, em vez de darem o alarme, vêm trazer a esperança. “Logo de começo o profeta Joel nos diz: ‘Naqueles tempos a magia cobrirá toda a Terra, e ver-se-ão até crianças de peito fazendo coisas extraordinárias e discursando como pessoas grandes.’” “O Espiritismo, esta magia do século dezenove, invadiu o mundo. Há apenas alguns anos, na América, na Inglaterra, na França, fenômenos admiráveis, inauditos, excitaram a curiosidade geral. Móveis inertes, animando-se à vontade dos operadores, entregavam-se às mais fantásticas evoluções, e respondiam sem hesitação às perguntas que lhes dirigiam. Buscou-se qual podia ser a causa inteligente desses efeitos inteligentes. As mesas responderam: São Espíritos, as almas dos homens que a morte levou, que vêm comunicar-se com os vivos. Novos fenômenos se produziram. Ouviram-se como que golpes batidos nos móveis, nas paredes das casas; viram-se objetos, movendo-se espontaneamente; ouviam-se vozes, sinfonias; viram-se mesmo aparições de pessoas mortas há muito tempo. Os prodígios se multiplicavam. Era preciso querer para ver; era preciso ver para ficar convencido. “Em breve uma nova religião se organizou. Interrogados, os próprios Espíritos redigiram um código de sua nova doutrina. Foi, é preciso confessar, um sistema filosófico admiravelmente bem combinado sob todos os aspectos. Jamais o mais hábil sofista soube tão bem disfarçar a mentira e o paradoxo. Não podendo, sem desvendar sua origem e despertar suspeitas, quebrar de um golpe as idéias de Deus e de virtude, os Espíritos começam reconhecendo altamente a existência de Deus, a necessidade desta virtude; mas fazem tão pouca diferença entre a sorte dos justos e a dos maus, que se é forçosamente levado, por essas crenças, a satisfazer a todas as suas paixões e a buscar na morte um refúgio contra a infelicidade. O crime e o suicídio são as duas conseqüências fatais desses princípios que, à primeira vista, parecem marcados por uma moral tão bela e tão pura. “Para explicar a anomalia dessas comunicações de além-túmulo, os Espíritos não puderam deixar de anunciar, como vimos, que os tempos marcados pela providência tinham chegado; mas, não querendo falar do fim do mundo, o que absolutamente não entrava em seu sistema, acrescentaram: para a regeneração universal da Humanidade.” Observação – Por uma singular coincidência, no mesmo dia, 24 de fevereiro, em que nos chegou essa brochura, que nos era enviada por um de nossos correspondentes de Lyon, e no momento que líamos estes últimos parágrafos, recebemos das cercanias de Boulogne-sur-Mer uma carta, da qual extraímos as seguintes passagens: “É do fundo de um vale obscuro do Boulonais que vos chegam estas poucas palavras, reflexos de uma existência sofredora; porque o Espiritismo penetra por toda parte, para espalhar a luz e as consolações. Pessoalmente, quanto alívio não lhe devo, bem como a vós, senhor, que sois o seu dispensador! “Nascido de pais muito pobres, carregados de oito filhos, dos quais sou o mais velho, ai! até agora não ganhei o meu pão, embora tenha vinte e nove anos, pela debilidade de minha constituição. Juntai a isto uma propensão inata ao orgulho, à vaidade, à violência, etc., e julgai o que tive de suportar de males, na minha miserável condição, antes que o Espiritismo tivesse vindo explicar-me o enigma de meu destino. Cheguei a tal ponto que resolvi suicidar-me. “Para este fim, para acalmar as minhas apreensões e as censuras de minha consciência, eu me tinha dito, na minha fé de católico: Ferir-me-ei com um golpe que, embora mortal, não me fará morrer instantaneamente e me deixará dispor de alguns instantes de vida, suficientes para que eu tenha a possibilidade de me confessar, comungar e manifestar o meu arrependimento; numa palavra, de me pôr em condições de me assegurar uma vida ditosa no outro mundo, escapando aos males deste. “Meu raciocínio era muito absurdo, não acha, senhor?
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Mês Abril
Ano 1868
Revista Espírita - Pelo espírito  Sr. Jobard  através da codificação de Allan Kardec O Fim do Mundo em 1911
E, contudo, não era conseqüente com o dogma que nos afirma que todo pecado, todo crime mesmo, é apagado pela simples confissão feita a um sacerdote que dá a absolvição? “Agora, graças ao conhecimento do Espiritismo, semelhantes idéias estão para sempre banidas do meu pensamento; entretanto, quanta imperfeição ainda me resta a despojar!” Assim, o Espiritismo impediu um ato, um crime que teria sido cometido, não na ausência de toda fé, mas antes, diz a pessoa, pela conseqüência mesma de sua fé católica. Neste caso, qual foi a mais poderosa para impedir o mal? Esse rapaz será danado por ter seguido o impulso do Espiritismo, obra do demônio, segundo o autor da brochura, ou teria sido salvo, suicidando-se, por ter recebido, antes de morrer, a absolvição de um sacerdote? Que o autor da brochura, com a mão na consciência, responda a esta pergunta. Tendo sido lidos os fragmentos acima na Sociedade de Paris, o nosso antigo colega Jobard veio dar, espontaneamente, sobre o assunto, a comunicação seguinte, por um médium em sonambulismo espiritual: (Sociedade de Paris, 28 de fevereiro – Médium: Sr. Morin) Eu passava, quando o eco me trouxe a vibração de uma imensa gargalhada. Prestei atenção e, tendo reconhecido o ruído do riso dos encarnados e dos desencarnados, me disse: Sem dúvida a coisa é interessante; vamos ver!... E eu não acreditava, senhores, ter o prazer de vir passar a noite junto de vós. Contudo, estou feliz por isto, crede-o bem, porque sei toda a simpatia que conservastes por vosso antigo colega. Assim, aproximei-me e os ruídos da Terra me chegaram mais distintos: O fim do mundo! exclamavam; o fim do mundo!... Oh! meu Deus, me disse eu, se é o fim do mundo, em que se vão tornar?... A voz de vosso presidente e meu amigo, chegando até mim, compreendi que vos lia algumas passagens de uma brochura na qual se anuncia o fim do mundo como muito próximo. O assunto interessou-me; escutei atentamente e, após ter refletido maduramente, venho, como o autor da brochura, dizer-vos: Sim, senhores, o fim do mundo está próximo!... Oh! não vos assusteis, senhoras, porque é preciso estar bem perto para o tocar; e quando o tocardes o vereis. Esperando, se me permitis, vou dar-vos minha apreciação sobre esta palavra, espantalho dos cérebros fracos e, também, dos Espíritos fracos; porque, sabei-o, se o temor do fim do mundo aterroriza os seres pusilânimes do vosso mundo, fere igualmente de terror os seres atrasados da erraticidade. Todos os que não estão desmaterializados, isto é, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente que espiritualmente, se apavoram à idéia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, de que essa idéia emocione certos Espíritos, que não saberiam em que se tornar, se a Terra não existisse mais, porquanto a Terra ainda é o seu mundo, o seu ponto de apoio. Por mim, me disse: Sim, o fim do mundo está próximo; está aí, eu o vejo, o toco... está próximo para os que, mau grado seu, trabalham para precipitar o seu advento!... Sim, o fim do mundo está próximo; mas, o fim de que mundo? Será o fim do mundo da superstição, do despotismo, dos abusos mantidos pela ignorância, pela malevolência e pela hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do pauperismo, de tudo o que é vil e rebaixa o homem; numa palavra, de todos os sentimentos baixos e cúpidos, que são o triste apanágio do vosso mundo. Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Ao contrário, não se deve ver a realização dos altos destinos da Humanidade? E se refletirmos em tudo o que se passa em torno de nós, esses sinais precursores não serão o sinal do começo de um outro mundo, isto é, de um outro mundo moral, em vez do da destruição do mundo material? Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar... Tudo concorre para o fim do velho mundo, e os que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para a sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; pressentem-no e se apavoram, crede bem, mais que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, a que se apegam mais do que a qualquer outra coisa; e isto não será, em relação a eles, a vingança de Deus, pois Deus não se vinga, mas a justa recompensa de seus atos. Como vós, os Espíritos são filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o ser; se são maus, não é porque tenham trabalhado para o ser, mas porque não trabalharam para se tornarem bons. Amigos, o fim do mundo está próximo e vos convido vivamente a tomar boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo quanto já se trabalha para o reconstruir. A sábia previdência dAquele a quem nada escapa, quer que tudo se construa, antes que tudo seja destruído; e quando o edifício novo for concluído, quando a cumeeira estiver coberta, então é que desabará o antigo; cairá por si mesmo, de sorte que entre o mundo novo e o velho não haverá solução de continuidade. É assim que se deve entender o fim do mundo, que já pressagiam tantos sinais precursores. E quais serão os poderosos obreiros para esta grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós senhoritas, com o auxílio da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na mulher na qual o Espiritismo penetrou, há mais que uma mulher, há um trabalhador espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda muito mais que o homem na edificação do monumento, porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo e dele souber servir-se, a maior parte da obra por ela estará feita. Amamentando o corpo de seu filho, também poderá alimentar o seu espírito; e que melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? Assim o menino sugará, ao crescer, o leite da espiritualidade, e quando tiverdes espíritas, filhos de espíritas e pais de espíritas, o fim do mundo, tal qual o compreendemos, não estará realizado? Depois disto, admirai-vos de que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e do encarniçamento com que procuram sufocá-lo em seu berço? Jobard
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