Sr. Jobard
Espírito de Verdade - Sr. Jobard
Resp. – Olha, eu não sei bem com quem estou, mas os Espíritos me dizem que este médium recebeu algumas mensagens inseridas na Revista e que me agradaram. É preciso, por minha vez, que eu lhe dê algumas. Não faz muito tempo que me ausentei da Terra; dentro de alguns anos a ela voltarei para retomar o curso da missão que aí deveria cumprir, pois ela foi interrompida pelo anjo da libertação. 18. Falais de uma missão que deveríeis realizar na Terra. Poderíeis torná-la conhecida? Resp. – Missão de progresso intelectual e moral em estado de germe. A doutrina ou ciência espírita contém os elementos fecundos que devem desenvolver, fazer crescer e amadurecer as modernas idéias de liberdade, de unidade e de fraternidade. É por isso que não se deve temer lhe dar um vigoroso impulso, que a fará transpor os obstáculos com uma força que nada poderá dominar. 19. Marchando mais rápido que o tempo não é de temer prejudicar a doutrina? Resp. – Derrubaríeis os adversários. Vossa lentidão lhes deixa ganhar terreno. Não gosto do passo vagaroso e pesado da tartaruga; prefiro o vôo audacioso do rei dos ares. Observação – Isto é um erro. Os partidários do Espiritismo ganham terreno diariamente, enquanto seus adversários o perdem. O Sr. Jobard é sempre entusiasta; não compreende que, com prudência, se alcança o objetivo com mais segurança, ao passo que nos arriscamos a comprometer a sua causa quando nos atiramos violentamente contra os obstáculos. A. K. 20. Então, como explicar os desígnios de Deus, em vos arrancando da Terra de maneira tão súbita, se tinha em vós o instrumento necessário à marcha rápida da Humanidade para o progresso moral e intelectual? Resp. – Oh! que alavanca seria uma parte dos espíritas com minhas idéias! Mas não; o medo os paralisa! 21. Podeis nos explicar os desígnios de Deus vos chamando antes do término de vossa missão? Resp. – Não me aborreci; vejo e aprendo para estar mais forte quando soar a hora da luta. Redobrai de fervor e zelo pela nobre e santa causa da Humanidade. Uma só existência não é suficiente para ver realizar-se a crise que deve transformar a sociedade e muitos dentre vós, que preparais os caminhos, revivereis depois de algum tempo para ajudar novamente a obra santa e bendita. Creio que já vos disse o bastante por esta noite. Mas estou à vossa disposição; voltarei, porque sois bom e fervoroso adepto. Adeus. Nesta noite quero assistir à sessão de nosso caro mestre Allan Kardec. 22. Não respondestes à pergunta sobre os desígnios de Deus vos chamando antes do término de vossa missão. Resp. – Somos instrumentos adequados para ajudar seus desígnios. Ele nos dobra à sua vontade e nos põe novamente em cena quando julga útil. Submetamo-nos, pois, aos seus desígnios sem procurar aprofundá-los, porque ninguém tem direito de rasgar o véu que oculta aos Espíritos os decretos imutáveis. Adeus! Jobard (Passy, 20 de dezembro de 1861 – Médium: Sra. Dozon) 23. Evocação. Resp. – Não sei por que me evocais. Nada sou para vós; assim, nada vos devo. Também nada responderei sem o Espírito de Verdade, que me diz que foi Kardec quem vos pediu para que eu viesse até vós. Pois bem! aqui estou. Que vos devo dizer? 24. Com efeito, o Sr. Allan Kardec nos pediu que vos evocássemos, com vistas a controlar diversas comunicações vossas, comparando-as entre si. É um estudo, e esperamos que vos presteis a isso, no interesse da ciência espírita, descrevendo a vossa situação e as vossas impressões desde que deixastes a Terra. Resp. – Eu não estava certo de tudo na vida terrestre; começo a saber. Depurando-se da perturbação, minhas idéias chegam a uma nova claridade e, desde já, volto dos erros de minhas crenças. Isto é uma graça da bondade de Deus, mas um pouco tardia. O Sr. Allan Kardec não tinha total simpatia por meu Espírito, e assim devia ser: ele é positivo na sua fé. Muitas vezes eu sonhava e rebuscava, ao lado da realidade. Não sei ao certo o que eu queria, a não ser uma vida melhor do que a que tinha. O Espiritismo me veio mostrá-la e o mais esclarecido dos espíritas me ergueu o véu da vida dos Espíritos. Foi A Verdade quem o inspirou; O Livro dos Espíritos fez uma verdadeira revolução em minha alma e um bem impossível de dizer. Mas houve em meu Espírito dúvidas sobre muitas coisas que a mim se mostram hoje sob uma luz completamente diversa. Já vos dissera no começo desta comunicação: desembaraçando-se da perturbação, o Espírito mostra-me o que eu não via. O Espírito se afasta; seu desprendimento ainda não é total; entretanto, já se comunicou várias vezes. Mas – coisa bizarra, talvez para vós – é a mudança que se faz aos olhos dos evocadores nas comunicações do Espírito Jobard. Em seguida o mesmo médium recebeu a comunicação espontânea: Jobard era um Espírito pesquisador, querendo subir, sempre subir. As idéias espíritas pareciam-lhe um panorama por demais acanhado. Jobard representava o espírito de curiosidade; queria saber, sempre saber. Essa necessidade, essa sede o impeliram a pesquisas que excediam os limites daquilo que Deus quer que saibais. Não tenteis, pois, arrancar o véu que cobre os mistérios de seu poder! Jobard empunhou o arco e foi fulminado. Isto é um ensinamento: buscai o Sol, mas não sejais audaciosos a ponto de o fixar, pois ficareis cegos. Deus não vos dá bastante, enviando-vos os Espíritos? Deixai, pois, à morte o poder que Deus lhe concedeu: o de erguer o véu a quem o merece. Então podereis olhar a Deus, Sol dos céus, sem serdes enceguecidos nem fulminados pelo poder que vos diz: “Não vades mais longe.” Eis o que vos devo dizer. A Verdade (Sociedade, 3 de janeiro de 1862 – Médium: Sra. Costel) Nota – O Sr. Jobard manifestou-se várias vezes em casa do Sr. e da Sra. P..., membros da Sociedade. Uma vez, e sem que tivessem pensado nele, ele se mostrou espontaneamente a uma sonâmbula, que o descreveu de maneira muito exata e disse seu nome, embora jamais o tivesse conhecido. Tendo-se estabelecido uma conversa entre ele e o Sr. P..., por intermédio da sonâmbula, o Sr. Jobard lembrou diversas particularidades, de modo a não deixar qualquer dúvida quanto à sua identidade. Uma coisa, sobretudo, os havia chocado: é que, na única ocasião que o viram na Sociedade, ele mantivera os olhos fixos neles, como se procurasse pessoas conhecidas, circunstância que haviam esquecido e que o Espírito Jobard lhes recordou, por intermédio da sonâmbula. O Sr. e a Sra. P..., que jamais haviam tido contato com ele em vida, desejavam saber o motivo da simpatia que lhes parecia manifestar. Foi com esse propósito que ele ditou a seguinte comunicação: “Incrédulo! tu tinhas necessidade dessa confirmação da sonâmbula para acreditar em minha identidade! Ingrato! esqueceste-me durante muito tempo sob o pretexto de que os outros se recordam mais. Porém, deixemos as censuras e falemos. Abordemos o assunto para o qual me fizestes evocar. Posso explicar facilmente por que minha atenção se havia excitado à vista daquele casal que me era estranho, mas que uma espécie de instinto, de dupla vista, de presciência me levava a reconhecer. Depois de minha libertação vi que nos tínhamos conhecido precedentemente e eu voltei para eles: é a palavra. “Começo a viver espiritualmente, mais tranqüilo e menos perturbado pelas evocações por vias indiretas que choviam sobre mim. A moda impera, mesmo entre os Espíritos. Quando a moda Jobard ceder lugar a um outro e eu tiver entrado no nada do esquecimento humano, então pedirei aos amigos sérios – e com isto entendo as inteligências que não esquecem – que me evoquem. Então aprofundaremos questões tratadas muito superficialmente, e o vosso Jobard, completamente transfigurado, vos poderá ser útil, o que ele deseja de todo o coração.” Jobard (Ao médium, Sra. Costel) – “Volto. Desejas saber por que manifesto preferência por ti. Quando eu era mecânico, tu eras poeta, e te conheci no hospital onde morreste, senhora! Jobard (Montreal – Canadá, 19 de dezembro de 1861) O Sr. Henri Lacroix nos escreve de Montreal que havia dirigido três cartas ao Sr. Jobard, mas este não recebeu senão duas, pois a terceira chegara tarde demais. Só a primeira foi respondida. Tendo tomado conhecimento de sua morte pelos jornais, o Sr. Lacroix recebeu comunicações de vários Espíritos, assinadas por Voltaire, Volney, Franklin, garantindo que a notícia era falsa e que o Sr. Jobard se encontrava muito bem. A Revista Espírita acaba de afastar suas dúvidas, confirmando o acontecimento. Foi então que o Espírito Jobard, ao ser evocado, deu a seguinte comunicação, cuja exatidão pede o Sr. Lacroix que controlemos. “Meu caro mestre: como dizeis, morri, mas não estou morto, pois vos falo. Aqueles que se incumbiram de vos dizer que eu não havia falecido talvez quisessem pregar-vos uma peça. Não os conheço ainda, mas os conhecerei e saberei o motivo por que agiram assim. Escrevei a Kardec e eu vos responderei. Penso que não poderei responder pela mesa, mas, em todo o caso, tentai e farei o que puder. As duas cartas que recebi de vossa parte contribuíram fortemente para me causar a morte. Mais tarde sabereis como.” Jobard Evocado a respeito, a 10 de janeiro, na Sociedade de Paris, o Sr. Jobard respondeu que se reconhecia como o autor da comunicação, mas que o suposto retrato, feito a seguir, não era ele, nem dele, o que acreditamos sem dificuldade, pois não se parece nem um pouco com ele. P. – Como puderam contribuir para a vossa morte as duas cartas que recebestes?
TAG Valor
Mês Março
Ano 1862