Resp. – Não posso e nem quero dizer aqui senão uma coisa: a leitura dessas duas cartas após a refeição determinou a congestão que me levou, ou, se preferis, que me libertou.
Observação – Enquanto o médium escrevia esta resposta, e antes que fosse lida, outro médium recebeu de seu guia particular a seguinte resposta: “Explicação difícil, que ele não dará em detalhes. Há coisas que Jobard não pode dizer aqui.”
P. – O Sr. Lacroix deseja saber por que razão vários Espíritos vieram espontaneamente desmentir a notícia de vossa morte.
Resp. – Se ele tivesse prestado mais atenção, teria reconhecido facilmente o embuste. Quantas vezes será preciso repetir que devemos desconfiar, quase de modo absoluto, das comunicações espontâneas dadas a propósito de um fato, afirmando ou negando com intenção deliberada! Os Espíritos só enganam os que se deixam enganar.”
Observação – Durante esta resposta outro médium escreveu o seguinte: “Espíritos que gostam de tagarelar sem se importarem com a verdade. Há Espíritos que são como os homens; tomam conhecimento de uma notícia, afirmando-a ou desmentindo-a com a mesma facilidade.”
É evidente que os nomes que assinaram o desmentido da morte do Sr. Jobard são apócrifos. Para o reconhecer, bastava considerar que Espíritos como Franklin, Volney e Voltaire têm coisas mais sérias com que se ocupar e que semelhantes detalhes são incompatíveis com o caráter deles. Só isto já deveria inspirar a dúvida quanto à sua identidade e, conseguintemente, sobre a veracidade das comunicações. Nunca repetiremos em demasia: somente um estudo prévio, completo e atento da ciência espírita pode oferecer os meios de frustrar as mistificações dos Espíritos enganadores, a que estão expostos todos os noviços que não possuem a necessária experiência.
P. – Só respondestes à primeira carta do Sr. Lacroix. Ele deseja obter resposta das duas últimas, sobretudo da terceira que, como diz, tinha um cunho particular que só por vós poderia ser compreendida.
Resp. – Ele a terá mais tarde. No momento não o posso.
Seria inútil provocá-la; de outro modo, ele poderia estar certo de que não seria eu que responderia.
(Sociedade Espírita de Paris, 21 de fevereiro de 1862 – Médium: Srta. Estefânia) Quando a Sociedade abriu a subscrição em favor dos operários de Lyon, um sócio depositou 50 francos, dos quais 25 por sua conta e 25 em nome do Sr. Jobard. A propósito, este último deu a seguinte comunicação: “Ainda uma vez vou responder, meu caro Kardec.
Estou sensibilizado e reconhecido por não ter sido esquecido entre meus irmãos espíritas. Obrigado ao coração generoso que vos levou a oferta que eu vos teria feito se ainda habitasse no vosso mundo. Naquele onde agora vivo não há necessidade de moeda.
Assim, foi preciso tirá-la da bolsa da amizade para dar provas materiais de que estava tocado pelo infortúnio dos meus irmãos de Lyon. Bravos trabalhadores, que ardentemente cultivais a vinha do Senhor, quanto deveis crer que a caridade não é uma palavra vã, pois os pequenos e os grandes vos demonstraram simpatia e fraternidade. Estais na grande via humanitária do progresso; possa Deus nela vos manter e possais vós ser mais felizes. Os Espíritos amigos vos sustentarão e triunfareis!”
Jobard Subscrição para erigir um monumento à memória do Sr. Jobard Tendo os jornais anunciado uma subscrição para erigir um monumento ao Sr. Jobard, o Sr. Allan Kardec comunicou o fato à Sociedade na sessão de 31 de janeiro último, acrescentando que se propunha a falar do assunto na Revista, mas que tinha achado melhor adiar o anúncio dessa subscrição, considerando que teria pouca possibilidade de sucesso, a exemplo daquela em favor dos operários; que refletissem que mais valeria dar pão aos vivos do que pedras aos mortos.
Interrogado sobre o que pensava, o Sr. Jobard respondeu: “Certamente. Mas refleti: quereis saber se gosto de estátuas. Começai por dar vosso dinheiro aos pobres; e se, por acaso, nos vossos bolsos restarem algumas moedas de 5 francos, mandai erigir uma estátua; isto sempre dará para um artista viver.”
Em conseqüência, a Sociedade receberá os donativos que lhe forem feitos para esse fim e depositará os valores no escritório do jornal La Propriété industrielle, rue Bergère, 21, onde a subscrição está aberta.