Capítulo 9
Se nos reportarmos a estes últimos, então, vê-los-emos preocupados exclusivamente com a satisfação das necessidades materiais, resumindo o bem e o mal neste mundo à satisfação ou prejuízo dessas necessidades. Acreditam num poder extra-humano; entretanto, como o prejuízo material é o que mais de perto os incomoda, atribuem-no a esse poder, do qual fazem, aliás, uma ideia muito vaga. Incapazes de conceber qualquer coisa fora do mundo visível e tangível, eles o imaginam e o identificam nos seres e coisas que o prejudicam. Os animais nocivos não passam para eles de representantes naturais e diretos desse poder. Pela mesma razão, veem nas coisas úteis a personificação do bem, o que explica o culto prestado a certas plantas, a certos animais e mesmo a objetos inanimados. Mas o homem é geralmente mais sensível ao mal que ao bem; este lhe parece natural, ao passo que o mal o afeta com mais intensidade. É por isso que nos cultos primitivos as cerimônias em homenagem ao poder maléfico sempre foram mais numerosas, visto que o temor suplantava o reconhecimento. Durante muito tempo o homem não compreendeu senão o bem e o mal físicos. Só mais tarde os sentimentos morais vieram marcar o progresso da inteligência humana, fazendo-lhe entrever na espiritualidade um poder extra-humano fora do mundo visível e das coisas materiais. Tal progresso foi obra de algumas inteligências de escol, mas que não puderam exceder certos limites.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo Os demônios
Tema Origem da crença nos demônios
Item 3