Livros Espíritas
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Se nos reportarmos a estes últimos, então, vê-los-emos preocupados exclusivamente com a satisfação das necessidades materiais, resumindo o bem e o mal neste mundo à satisfação ou prejuízo dessas necessidades. Acreditam num poder extra-humano; entretanto, como o prejuízo material é o que mais de perto os incomoda, atribuem-no a esse poder, do qual fazem, aliás, uma ideia muito vaga. Incapazes de conceber qualquer coisa fora do mundo visível e tangível, eles o imaginam e o identificam nos seres e coisas que o prejudicam. Os animais nocivos não passam para eles de representantes naturais e diretos desse poder. Pela mesma razão, veem nas coisas úteis a personificação do bem, o que explica o culto prestado a certas plantas, a certos animais e mesmo a objetos inanimados. Mas o homem é geralmente mais sensível ao mal que ao bem; este lhe parece natural, ao passo que o mal o afeta com mais intensidade. É por isso que nos cultos primitivos as cerimônias em homenagem ao poder maléfico sempre foram mais numerosas, visto que o temor suplantava o reconhecimento. Durante muito tempo o homem não compreendeu senão o bem e o mal físicos. Só mais tarde os sentimentos morais vieram marcar o progresso da inteligência humana, fazendo-lhe entrever na espiritualidade um poder extra-humano fora do mundo visível e das coisas materiais. Tal progresso foi obra de algumas inteligências de escol, mas que não puderam exceder certos limites.
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