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Espíritos
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O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: “Se fosse um homem bom, teria morrido.” Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que, por prêmio do seu mérito, receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação. Por conseguinte, quando vos utilizais daquele axioma, não suspeitais de que proferis uma blasfêmia. Se morre um homem de bem, cujo vizinho é mau homem, logo observais: “Antes fosse este.” Enunciais uma enormidade, porquanto aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre? Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito? Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro. Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem. Tão limitadas, no entanto, são as vossas faculdades, que o conjunto do grande todo não o apreendem os vossos sentidos obtusos. Esforçai-vos por sair, pelo pensamento, da vossa acanhada esfera e, à medida que vos elevardes, diminuirá para vós a importância da vida material que, nesse caso, se vos apresentará como simples incidente, no curso infinito da vossa existência espiritual, única existência verdadeira. – Fénelon. (Sens, 1861.)
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Nome do Capítulo Bem aventurados os aflitos
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Se fosse um homem de bem, teria morrido
Item 22
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Vive o homem incessantemente em busca da felicidade, que também incessantemente lhe foge, porque felicidade sem mescla não se encontra na Terra. Entretanto, malgrado as vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, isto é, nos gozos materiais em vez de a procurar nos gozos da alma, que são um prelibar dos gozos celestes, imperecíveis; em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo, ele se mostra ávido de tudo o que o agitará e turbará, e, coisa singular! o homem, como que de intento, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar. Haverá maiores do que os que derivam da inveja e do ciúme? Para o invejoso e o ciumento, não há repouso; estão perpetuamente febricitantes. O que não têm e os outros possuem lhes causa insônias. Dão-lhes vertigem os êxitos de seus rivais; toda a emulação, para eles, se resume em eclipsar os que lhes estão próximos, toda a alegria em excitar, nos que se lhes assemelham pela insensatez, a raiva do ciúme que os devora. Pobres insensatos, com efeito, que não imaginam sequer que, amanhã talvez, terão de largar todas essas frioleiras cuja cobiça lhes envenena a vida! Não é a eles, decerto, que se aplicam estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados”, visto que as suas preocupações não são aquelas que têm no céu as compensações merecidas. Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é. Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si, e não para cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele. É calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas. E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida? – Fénelon. (Lyon, 1860.)
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Nome do Capítulo Bem aventurados os aflitos
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Os tormentos voluntários
Item 23
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 11
O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último, tendes, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. É fato, que já haveis podido comprovar muitas vezes, este: o homem, por mais abjeto, vil e criminoso que seja, vota a um ente ou a um objeto qualquer viva e ardente afeição à prova de tudo quanto tendesse a diminuí-la e que alcança, não raro, sublimes proporções. A um ente ou um objeto qualquer, disse eu, porque há entre vós indivíduos que, com o coração a transbordar de amor, despendem tesouros desse sentimento com animais, plantas e, até, com coisas materiais: espécies de misantropos que, a se queixarem da Humanidade em geral e a resistirem ao pendor natural de suas almas, que buscam em torno de si a afeição e a simpatia, rebaixam a lei de amor à condição de instinto. Entretanto, por mais que façam, não logram sufocar o gérmen vivaz que Deus lhes depositou nos corações ao criá-los. Esse gérmen se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência e, embora comprimido amiúde pelo egoísmo, torna-se a fonte das santas e doces virtudes que geram as afeições sinceras e duráveis e ajudam a criatura a transpor o caminho escarpado e árido da existência humana. Há pessoas a quem repugna a reencarnação, com a ideia de que outros venham a partilhar das afetuosas simpatias de que são ciosas. Pobres irmãos! o vosso afeto vos torna egoístas; o vosso amor se restringe a um círculo íntimo de parentes e de amigos, sendo-vos indiferentes os demais. Pois bem! para praticardes a lei de amor, tal como Deus o entende, preciso se faz chegueis passo a passo a amar a todos os vossos irmãos indistintamente. A tarefa é longa e difícil, mas cumprir-se-á: Deus o quer e a lei de amor constitui o primeiro e o mais importante preceito da vossa nova doutrina, porque é ela que um dia matará o egoísmo, qualquer que seja a forma sob que se apresente, dado que, além do egoísmo pessoal, há também o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Disse Jesus: “Amai o vosso próximo como a vós mesmos.” Ora, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a seita, a nação? Não; é a Humanidade inteira. Nos mundos superiores, o amor recíproco é que harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam, e o vosso planeta, destinado a realizar em breve sensível progresso, verá seus habitantes, em virtude da transformação social por que passará, a praticar essa lei sublime, reflexo da Divindade. Os efeitos da lei de amor são o melhoramento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrestre. Os mais rebeldes e os mais viciosos se reformarão, quando observarem os benefícios resultantes da prática deste preceito: Não façais aos outros o que não quiserdes que vos façam; fazei-lhes, ao contrário, todo o bem que vos esteja ao alcance fazer-lhes. Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano; ao amor verdadeiro, ele, a seu mau grado, cede. É um ímã a que não lhe é possível resistir. O contato desse amor vivifica e fecunda os germens que dele existem, em estado latente, nos vossos corações. A Terra, orbe de provação e de exílio, será então purificada por esse fogo sagrado e verá praticados na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor. Não vos canseis, pois, de escutar as palavras de João, o Evangelista. Como sabeis, quando a enfermidade e a velhice o obrigaram a suspender o curso de suas prédicas, limitava-se a repetir estas suavíssimas palavras: “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros.” Amados irmãos, aproveitai dessas lições; é difícil o praticá-las, porém, a alma colhe delas imenso bem. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: “Amai-vos” e vereis a Terra em breve transformada num Paraíso onde as almas dos justos virão repousar. – Fénelon. (Bordeaux, 1861.)
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Nome do Capítulo Amar próximo como a si mesmo
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Item A lei de amor
Item 9
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 12
Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Tomai sobretudo a peito amar os que vos inspiram indiferença, ódio, ou desprezo. O Cristo, que deveis considerar modelo, deu-vos o exemplo desse devotamento. Missionário do amor, Ele amou até dar o sangue e a vida por amor. Penoso vos é o sacrifício de amardes os que vos ultrajam e perseguem; mas, precisamente, esse sacrifício é que vos torna superiores a eles. Se os odiásseis, como vos odeiam, não valeríeis mais do que eles. Amá-los é a hóstia imácula que ofereceis a Deus na ara dos vossos corações, hóstia de agradável aroma e cujo perfume lhe sobe até o seio. Se bem a lei de amor mande que cada um ame indistintamente a todos os seus irmãos, ela não couraça o coração contra os maus procederes; esta é, ao contrário, a prova mais angustiosa, e eu o sei bem, porquanto, durante a minha última existência terrena, experimentei essa tortura; mas Deus lá está e pune nesta vida e na outra os que violam a lei de amor. Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele. – Fénelon. (Bordeaux, 1861.)
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Nome do Capítulo Amai os vossos inimigos
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema O ódio
Item 10
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 16
Sendo o homem o depositário, o administrador dos bens que Deus lhe pôs nas mãos, contas severas lhe serão pedidas do emprego que lhes haja Ele dado, em virtude do seu livre-arbítrio. O mau uso consiste em os aplicar exclusivamente na sua satisfação pessoal; bom é o uso, ao contrário, todas as vezes que deles resulta um bem qualquer para outrem. O merecimento de cada um está na proporção do sacrifício que se impõe a si mesmo. A beneficência é apenas um modo de empregar-se a riqueza; ela dá alívio à miséria presente; aplaca a fome, preserva do frio e proporciona abrigo ao que não o tem. Dever, porém, igualmente imperioso e meritório é o de prevenir a miséria. Tal, sobretudo, a missão das grandes fortunas, missão a ser cumprida mediante os trabalhos de todo gênero que com elas se podem executar. Nem, pelo fato de tirarem desses trabalhos legítimo proveito os que assim as empregam, deixaria de existir o bem resultante delas, porquanto o trabalho desenvolve a inteligência e exalça a dignidade do homem, facultando-lhe dizer, altivo, que ganha o pão que come, enquanto a esmola humilha e degrada. A riqueza concentrada em uma mão deve ser qual fonte de água viva que espalha a fecundidade e o bem-estar ao seu derredor. Ó vós, ricos, que a empregardes segundo as vistas do Senhor! O vosso coração será o primeiro a dessedentar-se nessa fonte benfazeja; já nesta existência fruireis os inefáveis gozos da alma, em vez dos gozos materiais do egoísta, que produzem no coração o vazio. Vossos nomes serão benditos na Terra e, quando a deixardes, o soberano Senhor vos dirá, como na Parábola dos Talentos: “Bom e fiel servo, entra na alegria do teu Senhor.” Nessa parábola, o servidor que enterrou o dinheiro que lhe fora confiado é a representação dos avarentos, em cujas mãos se conserva improdutiva a riqueza. Se, entretanto, Jesus fala principalmente das esmolas, é que naquele tempo e no país em que Ele vivia não se conheciam os trabalhos que as Artes e a Indústria criaram depois e nas quais as riquezas podem ser aplicadas utilmente para o bem geral. A todos os que podem dar, pouco ou muito, direi, pois: dai esmola quando for preciso; mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a receba não se envergonhe dela. – Fénelon. (Argel, 1860.)
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Nome do Capítulo Não se pode servir a Deus e a Mamon
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Emprego da riqueza
Item 13
O Livro dos Médiuns - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 31
Meus amigos, quereis formar um grupo espírita e eu o aprovo, porque os Espíritos não podem ver com satisfação que os médiuns conservem isolados. Deus não lhes concedeu essa sublime faculdade somente para eles, mas para o bem de todos. Comunicando-se com outros, eles terão mil oportunidades de se esclarecerem sobre o mérito das comunicações que recebem, ao passo que, isolados, estão muito melhor sob o domínio dos Espíritos mentirosos, que ficam muito contentes por não sofrerem nenhuma fiscalização. Eis o que vos deixo e, se o orgulho não vos subjuga, compreendereis e aproveitareis. Aqui vai agora para os outros. Estais bem certos do que deve ser uma reunião espírita? Não, visto que, no vosso zelo, julgais que o melhor que tendes a fazer é reunir o maior número possível de pessoas, a fim de as convencerdes. Desenganai-vos. Quanto menos pessoas, mais obtereis. É principalmente pelo ascendente moral que exercerdes que atraireis os incrédulos, muito mais do que pelos fenômenos que obtiverdes. Se somente os atrairdes pelos fenômenos, os que vos procurarem serão movidos apenas pela curiosidade; topareis com curiosos que não acreditarão em vós e que zombarão de vós. Se, entre vós, só se encontrarem pessoas dignas de apreço, muitas, talvez, não vos acreditem, mas vos respeitarão e o respeito inspira sempre a confiança. Estais convencidos de que o Espiritismo deve produzir uma reforma moral. Seja, pois, o vosso grupo o primeiro a dar exemplo das virtudes cristãs, visto que, nesta época de egoísmo, é nas Sociedades Espíritas que a verdadeira caridade há de encontrar refúgio.⁶¹ Tal deve ser, meus amigos, um grupo de verdadeiros espíritas. De outra vez, vos darei novos conselhos.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Dissertações espíritas
Tema Sobre as Sociedades Espíritas
Item 21
O Livro dos Médiuns - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 31
Perguntastes se a multiplicidade dos grupos, em uma mesma localidade, não poderia gerar rivalidades prejudiciais à Doutrina. Responderei que os que se acham imbuídos dos verdadeiros princípios desta Doutrina veem unicamente irmãos em todos os espíritas, e não rivais. Os que vissem com ciúme outras reuniões provariam existir- lhes no íntimo uma segunda intenção ou o sentimento do amor- próprio, e que não são guiados pelo amor da verdade. Asseguro que, se essas pessoas se achassem entre vós, logo semeariam no vosso grupo a discórdia e a desunião. O verdadeiro Espiritismo tem por divisa benevolência e caridade. Não admite qualquer rivalidade, a não ser a do bem, que todos podem fazer. Todos os grupos que inscreverem essa divisa em suas bandeiras, estenderão as mãos uns aos outros, como bons vizinhos, que não são menos amigos pelo fato de não habitarem a mesma casa. Os que pretendem que os seus guias são Espíritos melhores que os dos outros grupos deverão prová-lo, mostrando melhores sentimentos. Que haja, pois, luta entre eles, mas luta de grandeza de alma, de abnegação, de bondade e de humildade. O que atirar pedra a outro provará, por esse simples fato, que se acha influenciado por Espíritos maus. A natureza dos sentimentos recíprocos que dois homens manifestem é a pedra de toque para se conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Dissertações espíritas
Tema Sobre as Sociedades Espíritas
Item 22
Revista Espírita - Pelo espírito  Fénelon  através da codificação de Allan Kardec Instruções dos Espíritos – Sociedade Espírita de Antuérpia
I Reconhecei a grandeza e a misericórdia de Deus para com todos os seus filhos. A voz do Altíssimo se fez ouvir! Inclinai-vos e sede humildes, porque o poder do Senhor é grande. A Terra inteira deve vibrar sob sua mão misericordiosa, e os que se submeterem às suas leis serão abençoados, como outrora Abraão, que marchava para uma terra desconhecida, porque a voz do Eterno falava em seu coração. O Altíssimo vos sustentará, a vós que marchais sob o seu olhar paternal, humildes e crentes. Deixai que vos tratem como pobres de espírito, e o Deus forte vos atrairá a si por sua graça; sede firmes trabalhando em sua vinha, e desprezai o desdém dos ímpios, porque o Eterno vos tocou com sua mão protetora. Sede corajosos e marchai sem saber onde ele vos conduz; ele protege os que apoiam a própria fraqueza em sua força. O Criador é grande; admirai-o em suas obras. O Espiritismo espalha-se na Terra, semelhante ao orvalho benfazejo da noite que refresca uma terra muito seca. Ele espargirá em vossas almas o orvalho celeste; vossos corações, pela unção da graça divina, produzirão bons frutos, e vossos trabalhos proclamarão sua glória e sua grandeza. Deus é onipotente, e quando conduzia por sua força o braço de Moisés, as tábuas da lei não abalaram a Terra? Que temeis? Deus vos abandonou à vossa fraqueza, quando deu sua força a Moisés? O Altíssimo não enviou o maná do deserto? Será menos misericordioso para convosco do que foi para com os filhos de Israel, deixando que vossos corações se ressequem pela ignorância? Deus é tão justo quanto grande! Apoiai-vos nele e ele vos inundará de sua graça. Vossos corações abrir-se-ão e se tornarão asilo da fé e da caridade; porque a caridade brilhou na Terra e o Altíssimo vos tocou com sua mão benfeitora. Coragem, espíritas! o Deus forte vos olha. Que vossos corações sejam as tábuas onde ele inscreve suas leis, e que nada de impuro manche o templo do Eterno, a fim de que vos torneis dignos de pregar seus mandamentos. Não temais andar nas trevas, quando a luz divina vos conduz. Os tempos designados pelo Todo-Poderoso são chegados; as trevas desaparecerão da Terra dando lugar aos raios divinos que inundarão vossas almas, se não repelirdes a voz de Deus. A força do Altíssimo derramar-se-á sobre o seu povo, e seus filhos o bendirão entoando louvores pela pureza de seus corações. Que nada vos detenha, que nada vos desanime; sede firmes na obra de Deus. Sede todos filhos de uma grande família, e que o olhar do vosso Pai Celeste vos conduza e faça frutificarem os vossos trabalhos. II Aproxima-se o reino do Cristo; os precursores o anunciam; as guerras surdas aumentam; os Espíritos encarnados se agitam ao sopro impuro do príncipe das trevas: o demônio do orgulho, que lança o seu fogo, semelhante à cratera de um vulcão em atividade. O mundo invisível levanta-se ante a cruz; toda a hierarquia celeste está em marcha para o combate divino. Espíritas, erguei-vos; dai a mão aos vossos irmãos, os apóstolos da fé, a fim de que sejais fortes perante o exército tenebroso que vos quer engolir. Curvai-vos diante da cruz: é a vossa salvaguarda no perigo, o penhor da vitória. A luta está recheada de perigos, não vo-lo escondemos; mas os combates são necessários para tornar mais retumbante e mais sólido o triunfo da fé, e para que se cumpram estas palavras do Cristo: As portas do inferno não prevalecerão contra ela. III O homem só é bastante forte quando sente a sua fraqueza; tudo pode empreender sob o olhar de Deus. Sua força moral cresce em razão de sua confiança, porque sente necessidade de dirigir-se ao Criador para pôr sua fraqueza ao abrigo das quedas a que a imperfeição humana o pode arrastar. Aquele que põe sua vontade na de Deus pode enfrentar impunemente o Espírito do mal, sem se julgar temerário. Se o Ser Supremo permite a luta entre o anjo e o demônio, é para dar à criatura oportunidade para triunfar e sacrificar-se nos combates. Quando São Paulo sentiu vibrar em si a voz de Deus, exclamou: “Tudo posso naquele que me fortalece.”7. E o maior pecador tornou-se o mais zeloso apóstolo da fé. Abandonado à fraqueza de sua natureza ardente e apaixonada, Santo Agostinho sucumbe; torna-se forte aos olhos de Deus, que sempre dá força a quem a pede para resistir ao mal. Mas, em sua cegueira, o homem julga-se poderoso por si mesmo e, deixando de recorrer a Deus, cai no abismo cavado pelo amor-próprio. Coragem, pois, porquanto, por mais forte que seja o Espírito que barra o caminho, apoiado na cruz nada tendes a temer; ao contrário, tereis tudo a ganhar para a vossa alma, que crescerá sob o raio divino da fé. Deixai-vos conduzir através das tempestades e chegareis ao termo de vossa marcha, onde Jesus vos espera. Todo homem necessita de conselhos. Infeliz aquele que se julga bastante forte por suas próprias luzes, porque terá numerosas decepções. O Espiritismo está cheio de escolhos, mesmo nos grupos, e, com mais forte razão, no isolamento. O medo excessivo que tendes, de ser enganados, é um bem para vós, porque foi a vossa salvaguarda em mais de uma circunstância. Contudo, vossas comunicações necessitam de controle; não bastam algumas apreciações. É por isso que vossos Espíritos protetores vos aconselharam que vos dirigísseis ao chefe espírita, a fim de serdes fixados sobre o seu valor. É preciso provar pela união que todos os adeptos sérios trabalham juntos na vinha do Senhor, que vai estender seus ramos sobre o mundo inteiro. Quanto mais se unirem os obreiros, mais depressa será formada a grande cadeia espírita e, também, mais depressa a família humana será inundada pelos eflúvios divinos da fé e da caridade, que regenerarão as almas sob o poder do Criador. Que cada um de vós leve sua pedra ao edifício na medida de suas forças; mas se cada um quiser construir à sua vontade, sem levar em conta as instruções que temos dado e que formam a sua base; se não houver compreensão entre vós; se não tiverdes um ponto de ligação, então fareis uma torre de Babel. Nós vos mostramos este ponto: que cada um faça dele o seu objetivo único; nós vos demos estes sinal: que cada qual o inscreva em sua bandeira; então vos reconhecereis todos e vos estendereis as mãos. Mas Deus dispersará os presunçosos que não tiverem ouvido a sua voz; cegará os orgulhosos, que se julgam bastante fortes por si mesmos; e os que se afastarem do caminho que lhes é traçado, perder-se-ão no deserto. Espíritas, sede fortes de coragem, de perseverança e de firmeza, mas humildes de coração, segundo o preceito do Evangelho e Jesus vos conduzirá através das tormentas e abençoará os vossos trabalhos. Cada luta suportada corajosamente sob o olhar de Deus é uma prece ardente, que sobe a Ele qual incenso puro e de agradável odor. Se bastasse formular palavras para se dirigir a Deus, os indolentes teriam apenas de tomar um livro de preces para satisfazer a obrigação de orar. O trabalho, a atividade da alma são a única boa prece que a purifica e a faz crescer. Fénelon Allan Kardec
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Mês Janeiro
Ano 1865