Perguntastes se a multiplicidade dos grupos, em uma mesma localidade, não poderia gerar rivalidades prejudiciais à Doutrina. Responderei que os que se acham imbuídos dos verdadeiros princípios desta Doutrina veem unicamente irmãos em todos os espíritas, e não rivais. Os que vissem com ciúme outras reuniões provariam existir- lhes no íntimo uma segunda intenção ou o sentimento do amor- próprio, e que não são guiados pelo amor da verdade. Asseguro que, se essas pessoas se achassem entre vós, logo semeariam no vosso grupo a discórdia e a desunião.
O verdadeiro Espiritismo tem por divisa benevolência e caridade. Não admite qualquer rivalidade, a não ser a do bem, que todos podem fazer. Todos os grupos que inscreverem essa divisa em suas bandeiras, estenderão as mãos uns aos outros, como bons vizinhos, que não são menos amigos pelo fato de não habitarem a mesma casa. Os que pretendem que os seus guias são Espíritos melhores que os dos outros grupos deverão prová-lo, mostrando melhores sentimentos. Que haja, pois, luta entre eles, mas luta de grandeza de alma, de abnegação, de bondade e de humildade. O que atirar pedra a outro provará, por esse simples fato, que se acha influenciado por Espíritos maus. A natureza dos sentimentos recíprocos que dois homens manifestem é a pedra de toque para se conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem.