Não podendo compreender senão o que vê, o homem primitivo naturalmente moldou o seu futuro pelo presente. Para compreender outros tipos, além dos que tinha à vista, precisava de um desenvolvimento intelectual que só o tempo deveria completar. Por isso o quadro por ele idealizado das penas futuras não passa de um reflexo dos males da humanidade, em mais vasta proporção. Aí foram reunidas todas as torturas, todos os suplícios, todas as aflições que achou na Terra. Nos climas abrasadores imaginou um inferno de fogo, e nas regiões boreais um inferno de gelo. Não estando ainda desenvolvido o sentido que mais tarde o levaria a compreender o mundo espiritual, não podia conceber senão penas materiais. É assim que, com pequenas diferenças de forma, os infernos de todas as religiões se assemelham.