Capítulo 4
O inferno pagão, descrito e dramatizado pelos poetas, foi o modelo mais grandioso do gênero, perpetuando-se no inferno dos cristãos, onde, por sua vez, também houve poetas e cantores. Comparando-os, encontram-se neles, salvo os nomes e algumas variações nos detalhes, numerosas analogias; ambos têm o fogo material por base de tormentos, como símbolo dos sofrimentos mais atrozes. Mas coisa estranha! os cristãos superaram em muitos pontos o inferno dos pagãos. Se estes últimos tinham o tonel das Danaides,¹⁰ a roda de Íxion,¹¹ o rochedo de Sísifo,¹² eram estes suplícios individuais; os cristãos, ao contrário, têm para todos, sem distinção, caldeiras ferventes, cujos tampos os anjos levantam para ver as contorções dos condenados;¹³ e Deus, sem a menor piedade, a lhes ouvir os gemidos por toda a eternidade! Jamais os pagãos figuraram os habitantes dos Campos Elíseos¹⁴ deleitando a vista nos suplícios do Tártaro.¹⁵
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo O inferno
Tema O inferno cristão imitado do inferno pagão
Item 3