Capítulo 4
Desde todas as épocas o homem acreditou, por intuição, que a vida futura seria feliz ou infeliz, conforme o bem ou o mal praticado neste mundo. A ideia, porém, que ele tem feito dessa vida está em relação com o desenvolvimento de seu senso moral e com as noções mais ou menos justas do bem e do mal. As penas e recompensas são o reflexo dos instintos predominantes. É assim, por exemplo, que os povos guerreiros fazem consistir a suprema felicidade nas honras conferidas à bravura; os caçadores, na abundância da caça; os sensuais, nas delícias da voluptuosidade. Enquanto o homem for dominado pela matéria, não poderá compreender senão imperfeitamente a espiritualidade, razão pela qual imagina para as penas e gozos futuros um quadro mais material que espiritual; acredita que deve comer e beber no outro mundo, porém mais e melhor que na Terra.⁹ Mais tarde já se encontra nas crenças sobre a vida futura um misto de espiritualismo e materialismo, de modo que ao lado da beatitude contemplativa ele coloca um inferno com torturas físicas.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo O inferno
Tema Intuição das penas futuras
Item 1