Capítulo 1
A responsabilidade é grande, pois, e sabemos disso. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas remidas pelo bem. Mesmo assim, desejamos o grupo. Um pouco de humildade nos fará, aqui, um bem enorme. Não planejamos um grupo para reformar o mundo, nem para conquistar todos os grandes Espíritos que se debatem nas sombras. Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela, porque, muito melhor do que nós, estão em condições de avaliar as nossas forças, recursos, possibilidades e intenções, bem como as nossas fraquezas. O planejamento é realizado no mundo espiritual. A nós, encarnados, caberá executá-lo, dentro das nossas limitações. De tudo isto estamos conscientes. Tudo isto aceitamos. Resta o compromisso do amor fraterno, que não pode ser parcial, condicionado, a meio coração, reservado; tem de ser total. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo, que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos, para o que, obviamente, é indispensável que todos se estimem e se respeitem. Sem isso, impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem, movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. É nessa oportunidade, que se renovará em todos os encontros, que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus, que nos recomenda amar os nossos inimigos. Muitos espíritos, em doloroso estado de desajuste emocional, se apresentarão, diante de nós, como verdadeiros inimigos, irritados, agressivos, a deblaterarem em altas vozes, indignados com a nossa interferência em seus afazeres. Sem aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo, como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas, portanto, as preliminares. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. A frequência as reuniões é usualmente de uma vez por semana, à noite. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente, durante vários anos, mais de uma vez por semana. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais, familiares e até profissionais, que tornam impraticável reuniões mais frequentes. A noite é escolhida justamente porque, a partir de certa hora, estão todos com as tarefas do dia concluídas. Uma boa sugestão seria reservar, para os trabalhos mediúnicos, a segunda-feira, a partir de 20 horas ou 20:30hs, com duração máxima de duas horas. Justifiquemos a escolha da segunda-feira. Ê que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana, quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade, tanto profissional quanto no próprio grupo. Isto é especialmente válido para os médiuns, nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local, de preferência um centro, com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa, com receio da influência negativa dos Espíritos desarmonizados que são atraídos. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente, sim ou não. Há uma porção de condicionantes. Se for possível um local apropriado, num centro espírita bem orientado, o trabalho deve ser feito aí. Por outro lado, num lar tumultuado por disputas, rivalidades, ciúmes, paixões subalternas e desajustes de toda sorte, a realização de trabalhos de desobsessão poderá agravar as condições, pois será difícil aos companheiros desencarnados, que orientam o grupo, assegurar um clima de equilíbrio e proteção, tanto para os espíritos trazidos para serem atendidos, como para as pessoas que vivem na casa. Num lar normal, porém, o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido, sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos, pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observação, pois é evidente que Espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso, ou seja, àqueles que deixarem cair suas guardas, criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. Mas isto acontece, haja ou não haja grupo mediúnico reunido em casa. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos, é a prece, são as boas intenções, é o desejo de purificar-se, de aperfeiçoar-se, de servir. Para cobrar nossos compromissos, os Espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar, até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne, ou nas furnas do mundo espiritual inferior. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades, disputas internas, questões de ordem material ou financeira, desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. Em tais condições, torna-se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. Os espíritos perturbadores poderão encontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam, de início, promissoras. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos espíritos bem-intencionados que nos assistem, mas, em todo relacionamento com o mundo espiritual, há sempre a parte que compete a nós realizar. Essa, os Espíritos não a farão por nós. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física, geográfica; é o equilíbrio psíquico, emocional, daqueles que o compõem. Em ambiente perturbado, no lar ou no centro, qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio constante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. Se na vida diária, sob condições perfeitamente normais, já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis, é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles, quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões, ódios e rancores. Por outro lado, antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação, pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas. Nada de ilusões, pois. O trabalho de desobsessão não é fácil, qualquer que seja o ambiente em que se realize, e, por isso, não pode ser recomendado para um meio que, do ponto de vista humano, já se encontre tumultuado e desequilibrado. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo cuidado. Precisa ser suficientemente amplo e arejado, para acomodar bem todos os participantes. Deve ser isolado, tanto quanto possível, das demais dependências do prédio, sendo inadmissível, por exemplo, para essa finalidade, uma passagem obrigatória para aqueles que não participem dos trabalhos, como uma sala de entrada que dê para a rua. A qualquer momento, uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta, interrompendo o curso das atividades. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente, causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua, sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. Quando possível, deve ser provido de um condicionador de ar, para as noites de verão intenso, dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. Mesmo nos demais dias da semana, a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. É preciso evitar ali reuniões sociais, conversas descuidadas, visitas inconvenientes, atos reprováveis. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais, o que se nota, especialmente nos dias de reunião, ao se penetrar no cômodo. O ideal, portanto, é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. Quando isso for impraticável, que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres, como a boa leitura, a música erudita, o preparo de artigos e livros doutrinários, o estudo sério. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa, como no centro espírita. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado, para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho, não perturbar a harmonia do ambiente, não interferir com os meticulosos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. Ademais, com frequência, alguns Espíritos em tratamento ficam ali em repouso, por algumas horas, de um dia para o outro, por exemplo, enquanto não são removidos para instituições apropriadas. Quem não puder manter essas condições mínimas, em sua casa ou no centro, não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo, de vez que, por maior que seja o cuidado, pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz, numa conversa descontraída, especialmente porque, após o espaço de uma semana, que usualmente vai de uma reunião à outra, quase todos gostam de relatar experiências e acontecimentos. Torna-se, dessa maneira, mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. Com frequência, os Espíritos nos demonstram, depois, no decorrer dos trabalhos, que se achavam presentes à conversação prévia.
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Nome do Capítulo O grupo
Parte Primeira