Capítulo 1
Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres, eles fazem uma advertência amiga, pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou, pelo menos, em conversa neutra. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias, por motivos mais que óbvios, os comentários sobre o crime da semana, sobre o último casamento do astro da novela, a piada do dia, ou a derrota do nosso time de futebol. Em lugar desses assuntos, que deixaremos para as frívolas reuniões sociais, a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. Uma boa sugestão é a de recapitular a semana, naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. Frequentemente, os médiuns e outros participantes têm sonhos, recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos, ou têm a relatar contactos mantidos, em desdobramento, com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. Essa técnica se desenvolve com o tempo. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e vantagens, passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos, intuições e “recados” do mundo espiritual. É evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado, para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. De modo geral, os “sonhos”, que são verdadeiros desdobramentos, trazem informações valiosas, que os Espíritos em tratamento posteriormente confirmam, no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. Geralmente, esses contactos são preliminares ao trabalho, iniciado no mundo espiritual, antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. * Minutos antes de iniciar a sessão, todos se dirigirão, em silêncio, ao cômodo destinado aos trabalhos, e se sentarão em torno da mesa. Cessaram, a essa altura, todas as conversas. Aquietam-se as mentes, tranquilizam-se os corações, desligam-se das preocupações do dia, relaxam os músculos, e todos se predispõem ao trabalho. A essa altura, a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. No grupo do qual faço parte, um dos médiuns viu, mais tarde, depois de recolhido ao leito, em retrospecto, toda a sessão, desde o preparo da sala. Neste caso, o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa, tendo acesso apenas por uma passagem externa. Cerca de duas horas antes, a sala está preparada fisicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição, a água destinada à fluidificação, os livros que contêm os textos destinados à leitura, material para eventual psicografia, papel, lápis, canetas esferográficas, o caderno de preces, o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo, uma pequena luz indireta, preferentemente de cor, pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. Sugere-se a cor vermelha. Depois de todos esses preparativos, os trabalhadores do mundo espiritual, segundo viu o nosso médium, em retrospecto, inspecionam o cômodo, dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior, através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa, uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a facilitar o trabalho, atendendo a características específicas de suas mediunidades, bem como às condições do espírito que será trazido para tratamento. Outra recomendação, que parece útil, a esta altura, ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível, o dirigente deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas, que recomenda que duas ou mais pessoas, que vão debater um assunto, não devem defrontar-se, para não exacerbar o antagonismo. A razão é puramente subjetiva e psicológica. É mais fácil, a qualquer um de nós, alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado, do que se ela estiver exatamente diante de nós. A posição frente a frente parece levantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. No caso das sessões mediúnicas, o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte, mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero, que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. Se opomos, à sua agressividade, a nossa, nada conseguiremos. Tudo deve ser feito, pois, para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. Antes de prosseguir, façamos uma revisão geral na sala. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. Todos devem ocupar os assentos em silêncio, sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. Se há trabalhos de psicografia, o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas, vários lápis apontados e esferográficas, num copo ou outro recipiente apropriado. Se os trabalhos forem mistos, ou seja, de psicografia e incorporação, convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação, pois um Espírito mais turbulento pode, num gesto brusco, atirar os objetos ao chão. Se há psicografia, quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas, à medida que são escritas. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão, sempre em silêncio, sem comentários. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal, em forma de cruz, os nomes das pessoas desencarnadas. Na hora da prece, serão mentalizados pelos interessados. Lá está, igualmente, sobre a mesa, o livro que contém o material de leitura preparatória, geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”, “Pão Nosso”, “Fonte Viva” —, ou por outro autor da preferência do grupo. A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro, juntamente com pequenos copos, de preferência ao lado da mesa, para que, num movimento mais violento, não sejam atirados ao chão. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse, certa vez, que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. Quanto ao gravador de som, deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição, microfone já anteriormente testado, de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. Se emitir luz intensa de algum visor, este deve ser coberto com um objeto opaco. No momento oportuno, bastará dar a partida. É conveniente, ao testá-lo, gravar a data da sessão. No grupo que frequentamos, o gravador é reservado para a mensagem final, usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. Essas mensagens, acumuladas ao longo do tempo, constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual, e devem ser preservadas para referência futura. Todos se encontram, assim, a postos. As sugestões oferecidas a seguir não são, obviamente, mandamentais, pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria, dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. Proporemos, aqui, um roteiro típico, que pode, evidentemente, sofrer variações, a critério de cada grupo. Depois de todos acomodados e em silêncio, é feita a leitura do texto do dia, geralmente, em sequência, ou seja, um para cada sessão. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido; tais comentários não devem ser muito longos, nem elaborados, nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. Em seguida, a luz mais intensa é apagada, restando apenas a lâmpada mais fraca, que forneça iluminação discreta, de preferência em cor suave, indireta, apenas suficiente para se distinguir o ambiente, as pessoas e os objetos. Convém retirar, neste momento, os objetos que se encontrem sobre a mesa, pelas razões já apresentadas. É feita a prece, que também não deve ser longa, nem decorada, ou em tom de discurso: uma rogativa simples, na qual se solicite a proteção para os trabalhos, a colaboração dos amigos espirituais, a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor, tolerância e compreensão. Finda a prece, todos ficam recolhidos, em silêncio, concentrados, atentos, mas em estado de tranquilidade e relaxamento muscular.
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Nome do Capítulo O grupo
Parte Primeira