Até aqui, só temos combatido o dogma das penas eternas com o raciocínio. Vamos demonstrá-lo agora em contradição com os fatos positivos que observamos e provar, desse modo, a sua impossibilidade.
Segundo esse dogma, a sorte das almas após a morte está fixada de forma irrevogável e, por conseguinte, vetado definitivamente o seu progresso. Ora, a alma progride ou não? Eis a questão. Se progride, a eternidade das penas é impossível.
Pode-se duvidar desse progresso, quando se vê a enorme variedade de aptidões morais e intelectuais existentes na Terra, desde o selvagem até o homem civilizado? Quando se vê a diferença apresentada por um mesmo povo de um século a outro? Se admitirmos que não são mais as mesmas almas, é preciso então admitir que Deus criou almas em todos os graus de adiantamento, segundo os tempos e lugares, favorecendo umas e destinando outras à perpétua inferioridade, o que seria incompatível com a justiça, que deve ser igual para todas as criaturas.