O estudo da especialidade dos médiuns não só lhes é necessário, como também ao evocador. Conforme a natureza do Espírito que se deseja chamar e as perguntas a serem feitas a ele, convém que se escolha o médium mais apto àquilo que se tem em vista. Interrogar o primeiro que se apresente é expor-se a receber respostas incompletas ou errôneas. Por exemplo: Ninguém confiará a redação de qualquer trabalho, nem mesmo uma simples cópia, ao primeiro que apareça, apenas porque saiba escrever. Suponhamos um músico, que queira a execução de um trecho de canto por ele composto. Tem à sua disposição muitos cantores, todos eles hábeis; entretanto, não os tomará ao acaso: escolherá, para seu intérprete, aquele cuja voz, cuja expressão, cujas qualidades, enfim, correspondam melhor à natureza do trecho musical. Os Espíritos fazem a mesma coisa com relação aos médiuns, e nós devemos fazer como os Espíritos.
Cumpre notar, além disso, que as variações que a mediunidade apresenta e às quais outras mais se poderiam acrescentar nem sempre guardam relação com o caráter do médium. Assim, por exemplo, um médium naturalmente alegre, jovial, pode obter habitualmente comunicações graves, mesmo severas e vice-versa. É ainda uma prova evidente de que age sob a impulsão de uma influência estranha. Voltaremos ao assunto no capítulo que trata da Influência moral do médium.