Todas estas variedades de médiuns apresentam uma infinidade de graus em sua intensidade. Muitas, em verdade, não passam de nuanças de outras, mas que nem por isso deixam de resultar de aptidões especiais. É muito raro que a faculdade de um médium se circunscreva rigorosamente a um único gênero, o que se compreende facilmente. Um médium pode, sem dúvida, ter muitas aptidões, mas sempre haverá a predominância de uma, e essa é que ele deve tratar de cultivar, se for útil. É erro grave querer forçar a todo custo o desenvolvimento de uma faculdade que não se possua. A pessoa deve cultivar todas aquelas cujos germens reconheça possuir. Procurar ter as outras é, antes de tudo, perder tempo; em segundo lugar, é correr o risco de perder, ou, com certeza, enfraquecer as faculdades de que já seja dotado.
“Quando existe o princípio, o gérmen de uma faculdade, esta se manifesta sempre por sinais inequívocos. Limitando-se à sua especialidade, o médium pode distinguir-se e obter grandes e belas coisas; ocupando-se de tudo, nada de bom obterá. Notai, de passagem, que o desejo de ampliar indefinidamente o círculo de suas faculdades é uma pretensão orgulhosa, que os Espíritos nunca deixam impune. Os bons abandonam sempre os presunçosos, que se tornam então joguete de Espíritos mentirosos. Infelizmente, não é raro verem-se médiuns que, não contentes com os dons que receberam, aspiram, por amor- próprio ou ambição, à posse de faculdades excepcionais, capazes de os tornarem notados. Essa pretensão lhes tira a qualidade mais preciosa: a de médiuns seguros.”
SÓCRATES