Livros Espíritas
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O inferno pagão, descrito e dramatizado pelos poetas, foi o modelo mais grandioso do gênero, perpetuando-se no inferno dos cristãos, onde, por sua vez, também houve poetas e cantores. Comparando-os, encontram-se neles, salvo os nomes e algumas variações nos detalhes, numerosas analogias; ambos têm o fogo material por base de tormentos, como símbolo dos sofrimentos mais atrozes. Mas coisa estranha! os cristãos superaram em muitos pontos o inferno dos pagãos. Se estes últimos tinham o tonel das Danaides,¹⁰ a roda de Íxion,¹¹ o rochedo de Sísifo,¹² eram estes suplícios individuais; os cristãos, ao contrário, têm para todos, sem distinção, caldeiras ferventes, cujos tampos os anjos levantam para ver as contorções dos condenados;¹³ e Deus, sem a menor piedade, a lhes ouvir os gemidos por toda a eternidade! Jamais os pagãos figuraram os habitantes dos Campos Elíseos¹⁴ deleitando a vista nos suplícios do Tártaro.¹⁵
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Nota 1:
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(¹⁰) N.E.: Danaides era o nome das 50 filhas de Dânaos (rei do Egito e mais tarde de Argos) que, com exceção de uma delas, mataram os esposos na noite de núpcias.
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Nota 2:
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(¹¹) N.E.: Roda em chamas a qual Íxion foi amarrado e ficou girando eternamente.
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Nota 3:
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(¹²) N.E.: Sísifo, rei de Corinto, era um criminoso obstinado que, após a sua morte, foi condenado a empurrar eternamente, encosta acima, uma enorme pedra que caía sempre antes de atingir o cume da montanha.
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Nota 4:
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(¹³) Nota de Allan Kardec: Sermão pregado em Montpelier em 1860.
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Nota 5:
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(¹⁴) N.E.: Lugar de repouso e de felicidade eterna dos heróis e homens virtuosos, após a morte.
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Nota 6:
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(¹⁵) Nota de Allan Kardec:“Os bem-aventurados, sem deixarem o lugar que ocupam, poderão afastar-se de certo modo em razão do seu dom de inteligência e da vista distinta, a fim de considerarem as torturas dos condenados. Ao vê-los, não somente serão insensíveis à dor, mas até ficarão repletos de alegria e renderão graças a Deus por sua própria felicidade, assistindo à inefável calamidade dos ímpios.” (São Tomás de Aquino.)
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