Capítulo 6
O dogma da eternidade absoluta das penas é, portanto, incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. Esses dois princípios anulam-se mutuamente, isto é, a condição da existência de um implica forçosamente o aniquilamento do outro. Qual dos dois existe de fato? A lei do progresso é clara: não é uma teoria, mas um fato confirmado pela experiência; é uma Lei da natureza, Lei divina, imprescritível. E, pois, já que esta lei existe e não pode conciliar-se com a outra, é porque a outra não existe. Se o dogma das penas eternas fosse uma verdade, Santo Agostinho, Paulo e tantos outros jamais teriam visto o céu, caso morressem antes de realizar o progresso que lhes trouxe a conversão. A este último argumento, respondem que a conversão desses santos personagens não é um resultado do progresso da alma, mas da graça que lhes foi concedida e pela qual foram tocados. Porém, isto é simples jogo de palavras. Se esses santos praticaram o mal e depois o bem, é que melhoraram; logo, progrediram. Por que Deus lhes teria concedido como especial favor a graça de se corrigirem? Sim, por que a eles e não a outros? Sempre a doutrina dos privilégios, incompatível com a Justiça de Deus e com o amor que Ele dispensa igualmente a todas as criaturas. Segundo a Doutrina Espírita, de acordo mesmo com as palavras do Evangelho, com a lógica e com a mais rigorosa justiça, o homem é filho de suas obras, durante esta vida e depois da morte, nada devendo ao favoritismo: Deus o recompensa pelos esforços que faz e o castiga pela negligência, por tanto tempo quanto nela persistir.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo Doutrina das penas eternas
Tema Impossibilidade material das penas eternas
Item 21