Capítulo 6
A crença na eternidade das penas materiais prevaleceu como crença salutar enquanto os homens não tiveram ao seu alcance a compreensão do poder moral. É o que acontece com as crianças durante certo tempo, contidas pela ameaça de seres quiméricos com os quais são intimidadas. Chegadas, porém, ao período do raciocínio, repelem por si mesmas essas quimeras da infância, tornando-se absurdo querer governá-las por tais meios. Se os que as dirigem persistirem em afirmar-lhes que tais fábulas são verdadeiras e que, portanto, devem ser tomadas ao pé da letra, por certo perderão a sua confiança. É isso que se dá hoje com a humanidade, saindo da infância e abandonando, por assim dizer, as fraldas que a envolviam. O homem não é mais esse instrumento passivo vergado à força material, nem aquele crédulo de outrora, que aceitava tudo de olhos fechados.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo Doutrina das penas eternas
Tema A doutrina das penas eternas fez sua época
Item 22