Mas replicarão, por que Deus não lhes revelou desde o princípio toda a verdade? Pela mesma razão por que não se ensina à infância o que se ensina aos de idade madura. A revelação limitada foi suficiente a certo período da humanidade e Deus a proporciona gradativamente segundo os progressos do Espírito. Os que recebem hoje uma revelação mais completa são os mesmos Espíritos que já receberam parte dela em outros tempos e que desde então se engrandeceram em inteligência.
Antes que a Ciência tivesse revelado aos homens as forças vivas da natureza, a constituição dos astros, o verdadeiro papel da Terra e sua formação, poderiam eles compreender a imensidade do Espaço, a pluralidade dos mundos? Antes que a Geologia comprovasse a formação da Terra, poderiam os homens tirar-lhe o inferno das entranhas e compreender o sentido alegórico dos seis dias da Criação? Antes que a Astronomia descobrisse as leis que regem o universo, poderiam compreender que não há alto nem baixo no Espaço, que o céu não está acima das nuvens nem limitado pelas estrelas? Antes dos progressos da ciência psicológica poderiam as criaturas identificar-se com a vida espiritual? Seriam capazes de conceber, depois da morte, uma vida feliz ou infeliz, a não ser em lugar circunscrito e sob uma forma material? Não; compreendendo mais pelos sentidos do que pelo pensamento, o universo era muito vasto para o cérebro deles; era preciso restringi-lo ao seu ponto de vista para alargá-lo mais tarde. Uma revelação parcial tinha sua utilidade; embora adequada para aquele tempo, não satisfaria hoje. O erro provém dos que, não se dando conta do progresso das ideias, pretendem poder governar homens maduros, quais se fossem crianças. (Veja-se O evangelho segundo o espiritismo, cap. III.)⁸