O local do purgatório e a natureza das penas aí sofridas nunca foram determinados e definidos claramente. Estava reservado à Nova Revelação o preenchimento dessa lacuna, ao nos explicar as causas das misérias da vida terrena, das quais só a pluralidade das existências poderia mostrar-nos a justiça. Essas misérias decorrem necessariamente das imperfeições da alma, pois se ela fosse perfeita não cometeria faltas nem teria de sofrer-lhe as consequências.
O homem que na Terra fosse sóbrio e moderado em tudo, por exemplo, não padeceria enfermidades oriundas dos excessos. Na maior parte das vezes ele é infeliz por sua própria culpa; porém, se é imperfeito, é porque já o era antes de vir à Terra, expiando não somente faltas atuais, mas faltas anteriores não reparadas. Sofre em uma vida de provações o que fez sofrer a outrem em anterior existência. As vicissitudes que experimenta são, ao mesmo tempo, uma correção temporária e uma advertência quanto às imperfeições que lhe cumpre eliminar de si, a fim de evitar males futuros e progredir para o bem. São para a alma lições da experiência, rudes às vezes, mas tanto mais proveitosas para o porvir quanto profundas as impressões que deixam. Essas vicissitudes provocam lutas incessantes que desenvolvem suas forças e suas faculdades intelectuais e morais. Por essas lutas a alma se retempera no bem, triunfando sempre que tiver coragem para mantê-las até o fim. O prêmio da vitória está na vida espiritual, onde a alma entra radiosa e triunfante, como o soldado que sai da refrega para receber a palma gloriosa.