Cada existência é uma oportunidade para a alma dar um passo à frente. Depende da sua vontade a maior ou menor extensão desse passo, seja franqueando muitos degraus, seja permanecendo no mesmo ponto. Neste último caso, de nada lhe aproveita o sofrimento; e, porque cedo ou tarde se impõe sempre o pagamento de suas dívidas, terá de recomeçar nova existência em condições ainda mais penosas, porque outra mancha virá juntar-se a uma mancha não apagada.
É, pois, nas sucessivas encarnações que a alma se despoja pouco a pouco das suas imperfeições, que se purga, até que esteja bastante pura para poder deixar os mundos de expiação, por mundos mais venturosos e, mais tarde, para fruir em outros a suprema felicidade. Assim, o purgatório não constitui uma ideia vaga e incerta. É uma realidade material que vemos, tocamos e sofremos; existe nos mundos de expiação, e a Terra é um desses mundos; nela os homens expiam o passado e o presente, em proveito do futuro. Contrariamente, porém, à ideia que deles se faz, depende de cada um prolongar ou abreviar a sua permanência, segundo o grau de adiantamento e pureza atingido pelo próprio esforço sobre si mesmo. Daí só se sai por mérito próprio, e não por conclusão de tempo ou pelos méritos alheios, consoante estas palavras do Cristo: A cada um segundo as suas obras, palavras que resumem integralmente a Justiça de Deus.