Somente muito depois, quando as brisas leves da madrugada anunciavam o dia, o ex-doutor da Lei conseguiu conciliar o sono. Quando despertou, era manhã alta. Muito ao longe, Tarso havia retomado o seu movi mento habitual. Ergueu-se encorajado como nu nca. O colóquio espiritual com Estevão e Abigail renovara-lhe as energias. Lembrou, instintivamente, a bolsa que o pai lhe havia mandado. Retirou-a para calcular as possibilidades finan ceiras de que podia dispor para novos cometimentos. A dádiva paterna fora abundante e generosa. Contudo, não conseguia atinar, de pronto, com a decisão preferível. Depois de muito refletir, decidiu adquirir um tear. Seria o recomeço da luta. A fim de consolidar as novas disposições interiores, julgou útil exercer em Tarso o mister de tecelão, visto que ali, na terra do seu berço, se ostentara como intelectual de valor e aplaudido atleta. Dentro em pouco, era reconhecido pelos conterrâneos como humilde tapeceiro. A notícia teve desagradável repercussão no lar an tigo, motivando a mudança do velho Isaac, que, após de serdá-lo ostensivamente, transferiu -se para uma de suas propriedades à margem do Eufrates, onde esperou a morte junto de uma filha, incapaz de compreender o pri mogênito muito amado. Assim, durante três anos, o sol itário tecelão das vizinhanças do Tauro exemplificou a humildade e o tra balho, esperando devotadamente que Jesus o convocasse ao testemunho.