Regina observou algumas experiências semelhantes às suas. É incontestável, por exemplo, seu poder psicocinético sobre o mecanismo dos relógios, especialmente de pulso, de seu uso pessoal. Acabou tendo de desistir de usá-los, passando aos eletrônicos que se têm revelado menos suscetíveis à influênciação mental.
Ela selecionou um caso típico para documentar essa curiosa faculdade. Por circunstâncias estranhas à sua vontade, atrasou-se, certa vez, na ida para o trabalho.
O início de sua aula estava marcado para uma hora da tarde. Faltavam alguns minutos e ela ainda estava bem longe do colégio. Habituada a uma severa auto disciplina de pontualidade, começou a experimentar um estado íntimo de tensão que se avolumou a ponto de desejar com intensidade que o tempo parasse. A todo momento, consultava o relógio de pulso, acompanhando o inexorável fluxo dos minutos.
Ao tomar o segundo ônibus, o relógio marcava vinte minutos para as treze horas.
Durante todo o percurso, o relógio foi o principal objeto de sua concentrada atenção.
Ao chegar à escola, respirou aliviada, pois ele marcava exatamente treze horas.
Conseguira, enfim, chegar à hora certa! Logo, porém, teve a decepção de verificar que a sua turma já a aguardava na sala de aula, pois ela estava chegando com um atraso real de vinte minutos. Em contradição com o seu, os relógios do colégio marcavam a hora certa, ou seja, uma e vinte da tarde. Como o seu continuava a trabalhar regularmente, só havia uma explicação possível: ela conseguira, com o poder de sua vontade, atrasá-lo vinte minutos. Meio constrangida, ela o acertou, verificando que não lhe faltava corda, nem apresentava qualquer defeito mecânico, pois continuou funcionando normalmente.
Não foi esse o único episódio da espécie e, por isso, ela está convicta de sua faculdade telecinética. Condição, aliás, que ela já observou em mais de uma pessoa de suas relações.
Há pessoas que não conseguem usar relógios mecânicos por muito tempo, pois eles começam logo a apresentar defeitos, parando, adiantando ou atrasando sem motivo aparente. Ao perceber que tais fenômenos não eram simples incidentes, Regina passou a observá-los melhor, verificando que acontecia o mesmo com relógios novos, comprados com garantia e que, levados ao relojoeiro, funcionavam perfeitamente, não apresentando defeito algum.
Rcconduzidos ao pulso dela, os relógios voltavam a apresentar defeitos e paradas inexplicáveis. Bastava deixá-los sobre a mesinha ou em alguma gaveta, em casa, que funcionavam perfeitamente. Não havia dúvida, portanto: o problema estava com Regina e não com os relógios; era ela a fonte geradora das energias perturbadoras que exerciam influência telecinética sobre os mecanismos.
5. MISTÉRIOS DA PSICOSFERA
Aliás, a palavra psicosfera acabou sendo introduzida na terminologia doutrinária precisamente para expressar o conceito de uma atmosfera ou zona psíquica resultante de uma concentração de energia mental harmoniosa, num extremo do espectro, ou perturbada e perturbadora, no extremo oposto.
Regina é particularmente sensível à psicosfera das cidades e, dentro destas, de determinados locais, fenômeno que faz lembrar o que denominamos alhures de psicometria ambiental.
Cada cidade tem, a seu ver, uma espécie de 'aura vibratória' específica mais pura ou mais poluída, segundo as correntes de pensamento nelas dominantes. Lamento dizer aos cariocas que a psicosfera do Rio de Janeiro lhe parece sempre "opressiva, sufocante, desarmonizante". Certos locais se apresentam, à sua sensibilidade, particularmente aflitivos.
Ocorre-lhe, com freqüência, voltar para casa com uma terrível dor de cabeça, após percorrer algumas ruas a fazer compras, ou com cansaço físico incomum. Sabe de pessoas que experimentam sensações semelhantes, como mal-estar, náuseas, tonteiras, muitas vezes sem saberem a que a tribuir tais desconfortos.
Em épocas que precedem às festas de Natal, Dia das Mães etc, durante as quais muitas pessoas saem à rua e povoam as lojas em busca, de presentes, a situação é particularmente aguda. Após observar o fenômeno, repetidamente, ela evita sair à rua em tais ocasiões. É como se ela 'ouvisse' o pensamento das pessoas, muitas vezes agoniadas por não disporem de dinheiro suficiente para comprar aquele mínimo de coisas que desejam. Ela percebe um zumbido ou burburinho indefinido, não ruído físico do ambiente, mas de uma qualidade imponderável, opressiva, inquietante. Parece perceber, também, vibrações outras, suscitadas pela ganância dos que estão apenas interessados em vender, bem como pensamentos de impaciência, irritação, competição e rivalidade entre compradores e vendedores.
Com certo esforço de vontade, ela consegue bloquear por algum tempo essa onda psíquica, como que isolando-se temporariamente do ambiente, mas esta não é atitude que se possa sustentar por um tempo mais longo e ela acaba tendo mesmo de se retirar por não suportar a pressão criada pela agitada psicosfera do ambiente.
Isto a levou a observar outros aspectos curiosos. No bairro onde reside, notou que duas galerias estão sempre vazias, como que abandonadas. Poucas pessoas se aventuram a ir ali para fazer compras. Sem saber por que, houve quem comentasse com ela que ia até o meio da galeria e voltava, como se esbarrasse numa parede invisível.
No seu entender, é o que realmente se dá. As galerias parecem estar sob uma psicosfera negativa, opressiva, sendo por isso pouco freqüentadas. A situação é agravada, obviamente, pela ansiedade e expectativa dos lojistas que passam logo a temer pelo êxito de seus respectivos negócios. O que resulta em acabarem eles próprios como que 'expulsando' fregueeses em potencial. O índice de 'mortalidade' comercial ali é elevado. Raramente uma loja dura mais do que alguns meses no ambiente negativo.
Em alguns pontos da cidade (Regina identifica até ruas, que prefiro não revelar), ela percebe, visualmente, por clarividência, uma densa camada escura pairando acima das lojas ou nas próprias ruas, criando um ambiente psíquico sombrio e opressivo.
Já em cidades do interior, especialmente as do sul de Minas, que ela freqüenta com certa regularidade, a situação é inteiramente outra. Há uma espécie de transparência, não apenas no ambiente físico e psíquico, mas também com relação às pessoas.
Em uma de tais cidades, ela observou que o ambiente era mais 'limpo' nos dias em que a afluência de turistas era menor e a cidade ficava mais entregue às suas atividades normais, com os habitantes locais.
Visitando certa vez uma família amiga, que costumava realizar modesto trabalho mediúnico semana, tive oportunidade de ouvir um espírito que se apresentava como preto velho. Sabedor de minhas caminhadas pela praia, a entidade estimulou-me a continuar com a prática que muitos benefícios traziam às minhas combalidas coronárias. E acrescentou, à sua maneira peculiar, que, ao chegar à beira d'água, saudasse as entidades que ali serviam, de vez que cada local especial da natureza tem os seus guardiães e trabalhadores: praias, florestas, recantos naturais, parques, jardins etc. ..
Ali estão, como vimos, para servir e zelar pela psicosfera ambiental procurando o quanto possível corrigir os desmandos e agressões que o ser humano pratica, a cada momento, contra a natureza que deveria ser tratada com a maior reverência e gratidão.
A vida é uma só força que circula por toda a parte, em cada ser. É o que nos ensinam, com a eloqüência da unanimidade, todos aqueles que sabem.
Mais uma observação pessoal, para encerrar. Incidentalmente, descobri certa vez em nosso trabalho mediúnico, que os anônimos trabalhadores das praias estavam se utilizando das vibrações de minhas preces (tenho o hábito de fazê-las, enquanto caminho) para socorrer entidades que vagam por esses locais ou ali se acham ainda retidas por terem desencarnado sob condições traumáticas: afogamento, quedas e acidentes outros.