Capítulo 1
Quanto menos o Espírito divisa além da vida corpórea, tanto mais se apega a ela; sente que a vida lhe escapa e quer retê-la a todo custo; em vez de se abandonar ao movimento que o empolga, resiste com todas as forças e pode mesmo prolongar a luta por dias, semanas e meses inteiros. É claro que, nesse momento, o Espírito não goza de toda a lucidez, visto que a perturbação se antecipou bastante à morte; mas nem por isso sofre menos, e o vácuo em que se acha, bem como a incerteza do que lhe sucederá, agravam-lhe as angústias. Quando a morte chega, nem tudo está terminado; a perturbação continua, ele sente que vive, mas não define se material, se espiritualmente; luta ainda, até que as últimas ligações do perispírito se tenham completamente rompido. A morte pôs termo à moléstia efetiva, porém, não lhe sustou as consequências e, enquanto existirem pontos de contato entre o corpo e o perispírito, o Espírito ressente-se e sofre com as suas impressões.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo A passagem
Item 10