O indivíduo que se mostra simultaneamente em dois lugares diferentes tem, portanto, dois corpos. Mas desses dois corpos, somente um é real, o outro é simples aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e que o segundo tem a vida da alma. Quando o indivíduo desperta, os dois corpos se reúnem e a vida da alma volta ao corpo material. Não parece possível — pelo menos não temos exemplo algum do fato e a razão o demonstra — que, quando separados, os dois corpos possam gozar, simultaneamente e no mesmo grau, da vida ativa e inteligente. Além disso, pode-se deduzir, com base no que acabamos de falar, que o corpo real não poderia morrer, enquanto o corpo aparente se conservasse visível, uma vez que a aproximação da morte sempre atrai o Espírito para o corpo, ainda que apenas por um instante. Do mesmo modo, o corpo aparente não poderia ser assassinado, porque não é orgânico, não é formado de carne e osso. Desapareceria no momento em que o quisessem matar.¹⁹