Capítulo 7
Passemos ao segundo fenômeno, o da transfiguração. Consiste na mudança de aspecto de um corpo vivo. Eis um fato dessa natureza, cuja perfeita autenticidade podemos garantir, ocorrido durante os anos de 1858 e 1859, nos arredores de Saint-Étienne: Uma jovem de cerca de 15 anos gozava da singular faculdade de se transfigurar, isto é, de tomar, em dados momentos, todas as aparências de certas pessoas mortas. A ilusão era tão completa que se acreditava ter diante de si a própria pessoa, cuja aparência ela tomava, tal a semelhança dos traços fisionômicos, do olhar, do som da voz e, até mesmo, de certas expressões coloquiais. Esse fenômeno se repetiu centenas de vezes, sem qualquer participação da vontade da jovem. Tomou várias vezes a aparência de seu irmão, falecido alguns anos antes. Reproduzia-lhe não somente o semblante, como também o porte e a corpulência. Um médico do lugar, que muitas vezes havia presenciado esses estranhos efeitos, querendo assegurar-se de que não era vítima de ilusão, fez interessante experiência. Colhemos as informações dele mesmo, do pai da moça e de diversas outras testemunhas oculares, muito honradas e dignas de crédito. O médico teve a ideia de pesar a jovem no seu estado normal e durante a transfiguração, quando apresentava a aparência do irmão, que contava, ao morrer, 20 e tantos anos, e que era mais alto do que ela e de compleição mais forte. Pois bem! Verificou que o peso da jovem quase dobrava, quando estava transfigurada. A experiência era conclusiva, de modo que se tornava impossível atribuir-se aquela aparência a uma simples ilusão de óptica. Tentemos explicar esse fato, que em outro tempo teria sido qualificado de milagre e que hoje chamamos simplesmente de fenômeno.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Bicorporeidade e transfiguração
Tema Transfiguração²⁰
Item 122