Esta hipótese nada tem de fantástica, quando nos lembramos de que o famoso pesquisador canadense, dr. Penfield (ver A memória e o tempo), despertava lembranças específicas estimulando, com pequeno toque, determinados pontos no cérebro físico onde tais memórias estavam arquivadas, não propriamente nas células físicas, por certo, mas nos pontos correspondentes do cérebro perispiritual. Segundo André luiz, o corpo físico está ancorado no núcleo das células, enquanto o perispírito, no citoplasma. É portanto na intimidade de cada célula que o espírito atua sobre o corpo material; ali está na câmara de compensação, onde se processam as trocas entre um sistema físico e o outro (O perispiritual, e deste, ao espírito). Tudo isso confere com a informação contida na codificação de que o processo de reencarnação se realiza célula a célula. Estas, como indivíduos microscópicos, são orquestradas para que seja possível realizar-se a maravilhosa sinfonia da vida orgânica.
Continuemos com Regina.
Havia um terceiro processo de desdobramento para ela. Neste, ela sentia deslocar-se em círculos, como se estivesse atada à ponta de um cordão que ninguém fizesse girar com velocidade, chegando a provocar-lhe a clara sensação de zumbido. Este parecia ser o mais eficiente, porque, de repente, ela se via em pé, ali mesmo no ambiente físico, mas fora do corpo, lá estava o sofá e nele seu corpo físico, deitado, em repouso, enquanto ela o contemplava por alguns momentos, como que observando se estava tudo bem mesmo e, em seguida, partia para seu destino, fosse qual fosse.
Das primeiras vezes, as saídas eram angustiantes, porque, sem saber do que se tratava e exatamente o que se passava com ela, temia, como todas as pessoas, o desconhecido e seus riscos, imaginários ou reais. Aos poucos foi observando, porém, que não corria perigo algum, não se perdia nem morria só porque se afastava do corpo em repouso. Essa confiante tranqüilidade produziu uma sensação de segurança que facilitava consideravelmente o processo, uma vez que ela decidiu não oferecer resistência a ele. Vencido o temor, as impressões desagradáveis desapareceram e os desdobramentos passaram a ser mais suaves e interessantes.
Mais familiarizada com o fenômeno, começou a observar que também ocorria à noite, Parece, não obstante, que era mais fácil tomar conhecimento dele na volta ao corpo em vez de na ida. Notou isto ao perceber que, ao levantar-se no meio da noite para tomar água ou ir ao banheiro, por exemplo, nem sempre conseguia 'levar' consigo o corpo físico, nas primeiras tentativas. Era assim: sentava-se na cama para se levantar, mas observava o 'outro eu' deitado, ou seja, metade dela estava sentada na cama e a outra metade deitada. Era preciso deitar-se de novo, em espírito, 'apanhar' o corpo físico, por um impulso da vontade, e então levantar-se inteirinha, com os dois corpos fundidos um no outro para as providências que desejava tomar.
Ocorria também acordar durante a noite e ver duas cabeças suas, uma virada para o canto, por exemplo, e outra para o lado de fora da cama. Detalhe: 'a outra' é que estava dormindo, ou seja, o corpo físico.
Uma vez lidos O livro dos espíritos e O livro dos médiuns, ela passou a entender melhor os fenômenos e a observá-los com maior proveito para seu aprendizado. Mal sabia, àquela altura, que o treinamento das faculdades de desdobramento pelos diversos processos era a base do preparo para o exercício futuro de faculdades mediúnicas que, no devido tempo, estariam acopladas e prontas para entrar em serviço. Nessa época já se convencera de que o desdobramento era um fenômeno natural que nenhum dano lhe poderia causar e que, ao contrário, lhe proporcionava oportunidades valiosas para importantes observações e aprendizado.
Certa noite, uma de suas irmãs dormiu em sua casa com um filho menor, de quatro anos de idade, A criança estava resfriada e tossia muito. Como o apartamento era pequeno e havia uma só cama, ou melhor, um sofá, Regina cedeu-o à irmã e ao menino e improvisou para si mesma uma cama no chão. Estava absorta em seus pensamentos, perfeitamente acordada (irmã e \ menino já adormecidos), quando, de repente, viu-se desdobrada. Bem mais familiarizada com o processo, não criava resistências e por isso aprendera a dominar bem seu mecanismo. Uma vez fora do corpo físico, deitado aos seus pés, examinou o ambiente à sua volta. Lá estavam a irmã e o menino adormecidos no sofá e seu próprio corpo ali no chão, em repouso.
Ouviu a criança a tossir e continuou suas observações exploratórias. Caminhou pela sala e foi até uma saleta contígua, na entrada. Chegou junto à parede, do outro lado a qual era o apartamento vizinho e pensou: "Estou desdobrada; esta parede não existe para mim. Se quiser, posso atravessá-la, mas não devo fazê-lo porque estaria invadindo a privacidade alheia."
Voltou-se para o interior, onde o corpo físico continuava em repouso. O menino tossiu e ela o viu agitar-se. 'Deitou-se' então sobre o corpo físico e, assumindo-lhe os controles, abriu os olhos físicos. A criança voltou a tossir e ela pensou: "É, o menino continua tossindo; realmente me desdobrei. Interessante!" Ouvira, pois, a criança tossindo, tanto na condição de vigília como na de desdobramneto, fora do corpo físico. Em seguida, adormeceu e desdobrou-se novamente, desta vez pelo sono natural, e sem consciência, a partir daí, do que fazia e para onde seguia.
Examinemos alguns dos seus depoimentos ainda no campo do desdobramento.
7. CASO TÍPICO DE DESDOBRAMENTO
Regina tinha uma amiga com muitos problemas pessoais que freqüentemente recorria a ela, pedindo conselhos e orientação, pois via em Regina uma pessoa em quem podia confiar. Certo dia, à tarde, Regina começou a detectar, via telepática, certas 'chamadas' insistentes em seu campo mental. Parou o que estava fazendo e fechando a mente a estímulos externos - o que muita gente chama erradamente de concentração, como vimos - procurou identificar de onde provinha o 'apelo'. Era como desdobrar a antena portátil de um receptor de rádio. Percebeu logo que a chamada vinha dessa amiga. E pensou: "Ela está precisando de mim, mas agora não posso ir lá."
Mesmo depois disso, continuou captando o insistente apelo. Como era meu hábito, nas tardes de domingo, deitou-se para repousar. Viu-se logo desprendida do corpo físico, e na casa da amiga, falando-lhe: "M., tenha calma; não posso vir agora. Mais tarde virei, lá pelas seis horas." Dito isto, voltou para casa e para o corpo. Fora tão rápido e natural o fenômeno que achou que tudo não passara de um momento de abstração ou divagação. Notou, contudo que cessara a interferência telepática sobre sua mente e adormeceu. Ao acordar, vestiu -se para sair e foi à casa da amiga. Eram quase seis horas da tarde quando lá chegou.
- Que bom que você veio - disse a amiga ao recebê-la. - Eu estava querendo tanto falar com você que pedia mesmo para você vir.
- O que houve: Você está bem: - perguntou-lhe Regina.
A moça explicou que agora estava, mas estivera muito nervosa durante dia, até que teve a sensação de que Regina não poderia vir logo, mas que ela deveria ficar calma que mais tarde seria possível a visita.
- Olha - disse ela -, tinha tanta certeza disso que pedi a mamãe para fazer umas batatas fritas para você.
Sabiam da preferência de Regina pelas batatinhas, fritas com muito carinho e competência, e sempre as preparavam quando a amiga almoçava ou jantava com elas.
Apesar de nenhuma comunicação pelos canais ordinários, havia uma convicção de que Regina iria mesmo à tarde.
Esse foi o primeiro desdobramento comandado e dirigido pela vontade consciente de Regina. Ela sentiu o chamado da outra, foi lá, deu o recado e voltou. Só mais tarde iria verificar que fora 'ouvida' e atendida. Funcionou tudo direitinho.
8. O CORDÃO FLUÍDICO
Aliás, as tardes de domingo pareciam as prediletas para aventuras fora do corpo, o que não é difícil de explicar. Regina tinha muitos compromissos durante a semana, profissionais e sociais, além dos que lhe foram acrescidos quando passou a freqüentar grupos espíritas para aprendizado e trabalho e dos que tinha como dona-de-casa.
Pouco espaço havia, portanto, em sua vida, para um repouso maior, descontraído, sem a pressão do relógio.
Foi também num domingo à tarde sua descoberta do cordão fluídico, o laço energético que liga o corpo físico ao perispírito como o fio elétrico liga um aparelho à tomada na parede.
Estava ela deitada, em repouso, mas acordada, bem alerta, nem mesmo sonolenta. De repente, vê na parede junto a uma de suas tapeçarias algo intensamente brilhante, um brilho prateado. Pareceu-lhe, de início, ser uma espécie de 'cobrinha' luminosa, irrequieta e tremeluzente, como se tivesse vida. Fixando o olhar, percebeu que a estrutura era semelhante à de uma mola, um tanto estirada, tênue, de aparência frágil na qual os anéis espiralados não eram contínuos como feitos de um só fio, mas constituídos de pequenos segmentos encaixados uns nos outros. Não tinha aparência material, compacta, e sim leve, como feita de energia modulada, ou seja, a estranha luz de brilho prateado e que parecia ter vida própria era um feixe de luz enrolado sobre si mesmo. Sua primeira impressão foi a de que' aquilo' vinha de baixo para cima, do chão, mas logo percebeu que ela é que estava lá no alto e o cordão ligava-se ao seu próprio corpo físico, mais abaixo, lembrou-se de referências lidas e concluiu que aquilo deveria ser o tão falado cordão fluídico.
Como sempre acontecia, ela procurou tirar o máximo proveito do fenômeno para observá-lo, estudando-o com atenção. Como se percebe, tinha a consciência dividida eqüitativamente entre o corpo físico e corpo espiritual, pois tanto via um como o outro.