Este estado de coisas é alimentado e prolongado por causas puramente humanas, que o progresso fará desaparecer. O primeiro é o aspecto sob o qual é apresentada a vida futura, aspecto que poderia contentar as inteligências pouco desenvolvidas, mas que não conseguiria satisfazer as exigências da razão dos homens que refletem. Assim, eles dizem: “Desde que nos apresentam como verdades absolutas princípios contestados pela lógica e pelos dados positivos da Ciência, é que eles não são verdades.” Daí, a incredulidade de alguns e a crença vacilante de muitos outros. Para estes a vida futura é uma ideia vaga, constituindo mais uma probabilidade do que uma certeza; acreditam nela, desejariam que assim fosse, mas apesar disso exclamam: “E se não for assim? O presente é positivo, ocupemo-nos dele primeiro, que o futuro virá por sua vez.”
E, depois, acrescentam: “Afinal de contas, que é a alma? Um ponto, um átomo, uma faísca, uma chama? Como se sente, vê ou percebe?” É que a alma não lhes parece uma realidade efetiva, mas uma abstração. Os seres que lhes são caros, reduzidos ao estado de átomo no seu modo de pensar, estão por assim dizer perdidos para eles, e não têm mais a seus olhos as qualidades pelas quais se lhes fizeram amados; não podem compreender o amor de uma faísca nem o que a ela possamos ter; eles mesmos ficam mediocremente satisfeitos de se transformarem em mônadas. Daí o retorno ao positivismo da vida terrena, que possui algo de mais substancial, sendo considerável o número de criaturas dominadas por este pensamento.