Capítulo 2
Para libertar-se do temor da morte é preciso que o homem a encare sob o seu verdadeiro ponto de vista, isto é, que tenha penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma ideia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um certo desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria. Naqueles que não progrediram suficientemente, a vida material prevalece sobre a espiritual. Como se apega às aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, embora na alma esteja a vida real. Aniquilado o corpo, tudo se lhe afigura perdido, desesperador. Se, ao contrário, em vez de concentrar o pensamento no corpo ele se reportasse à alma, fonte da vida, ser real que sobrevive a tudo, lastimaria menos a perda da vestimenta carnal, fonte de tantas misérias e de tantas dores. Para isso, porém, o Espírito necessita de uma força que só pode adquirir com a maturidade. O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio de que a destruição do corpo seja a destruição total; é, assim, provocado pelo secreto desejo da sobrevivência da alma, velado ainda pela incerteza. Esse temor decresce à medida que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é completa. Eis aí o lado providencial da questão. Não seria conveniente deslumbrar o homem com tal ideia, cuja razão não estivesse ainda bastante forte para suportar a perspectiva muito positiva e sedutora de um futuro melhor, já que ele poderia negligenciar o presente, necessário ao seu adiantamento material e intelectual.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo Temor da morte
Tema Causas do temor da morte
Item 4