Visitante: — Eu compreendo a utilidade do estudo prévio do qual acaba de falar. Como predisposição pessoal, eu não sou pró nem contra o Espiritismo, mas esse assunto, por ele mesmo, instiga ao máximo o meu interesse. No círculo dos meus conhecimentos encontram-se partidários dele, mas também, adversários; tenho ouvido, a esse respeito, os argumentos mais contraditórios. Eu me proporia submeter-lhe algumas das objeções que têm sido feitas em minha presença, e que me parecem ter um certo valor, pelo menos para mim que confesso minha ignorância.
A.K.: — É um prazer responder às questões que me apresentam, quando são feitas com sinceridade e sem segundas intenções, sem me gabar, entretanto, de poder resolvê-las todas. O Espiritismo é uma ciência que acaba de nascer e onde há ainda muito a aprender; portanto, seria muito pretensioso para mim pretender acabar com todas as dificuldades; só posso dizer o que sei.
O Espiritismo liga-se a todos os ramos da Filosofia, da Metafísica, da Psicologia e da Moral; é um campo imenso que não pode ser percorrido em algumas horas. Ora, o senhor compreende que me seria materialmente impossível repetir de viva voz, e a cada um em particular, tudo o que escrevi sobre esse assunto para uso de todas as pessoas. Aliás, em uma leitura prévia, feita seriamente, se encontrará a resposta para a maioria das questões que naturalmente vêm ao pensamento; ela tem uma dupla vantagem: evitar repetições inúteis e provar uma vontade sincera de se esclarecer. Se, após essa leitura, ainda restam dúvidas ou pontos obscuros, a sua explicação torna-se mais fácil porque já existe algo em que se apoiar, e não se perde mais tempo revendo os princípios mais elementares. Portanto, se o senhor o permitir, eu me limitarei, por agora, a algumas questões gerais.
Visitante: — Seja; queira, por favor, me chamar à ordem se eu me afastar dela.