Não há nenhum meio de se obrigar um Espírito a atender a uma evocação contra a sua vontade, desde que ele seja, do ponto de vista moral, igual ou superior à pessoa que o evoca, caso em que esta não terá nenhuma autoridade sobre ele. Porém, se o Espírito lhe for inferior, o evocador pode consegui-lo, desde que seja para o bem do Espírito evocado, porque, nesse caso, outros Espíritos o ajudarão. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXV, item 282, pergunta 10.)
Para as evocações, a mais essencial de todas as disposições é o recolhimento, quando se pretende lidar com Espíritos sérios. Com fé e com o desejo do bem, tem-se mais força para evocar os Espíritos superiores. Elevando sua alma por alguns instantes de recolhimento, no momento da evocação, o evocador se identifica com os Espíritos bons e os predispõe a virem. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXV, item 282, pergunta 12.)
Nenhum objeto, medalha ou talismã tem a propriedade de atrair ou repelir Espíritos, pois a matéria não exerce qualquer ação sobre eles. Jamais um Espírito bom aconselhará tais absurdos. A virtude dos talismãs nunca existiu, a não ser na imaginação das pessoas demasiado crédulas. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXV, item 282, pergunta 17.)
Não há nenhuma fórmula sacramental para a evocação dos Espíritos. Quem quer que pretenda indicar alguma pode ser tachado, sem receio, de impostor, visto que a forma não tem nenhum valor para os Espíritos. Contudo, a evocação deve sempre ser feita em nome de Deus. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XVII, item 203.)
Os Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres e em horas inconvenientes são Espíritos que se divertem à custa dos que lhes dão ouvidos. É sempre inútil e quase sempre perigoso ceder a tais sugestões. Inútil porque nada absolutamente se ganha em ser mistificado; perigoso, não pelo mal que os Espíritos possam fazer, mas pela influência que isso pode ter sobre cérebros fracos. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXV, item 282, pergunta 18.)
Não há dias nem horas especialmente mais favoráveis às evocações. Para os Espíritos, isso é completamente indiferente, como tudo o que é material e seria superstição acreditar-se na influência dos dias e das horas. Os momentos mais propícios são aqueles em que o evocador possa estar menos distraído pelas suas ocupações habituais; aqueles em que se ache mais calmo de corpo e de espírito. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXV, item 282, pergunta 19.)
A crítica malévola apraz-se em representar as comunicações espíritas revestidas das práticas ridículas e supersticiosas da magia e da necromancia. Entretanto, se os que falam do Espiritismo, sem conhecê-lo, procurassem estudá-lo, poupariam trabalhos de imaginação e alegações que só servem para demonstrar a sua ignorância e má vontade. Para conhecimento das pessoas estranhas à ciência espírita, diremos que não há horas mais apropriadas, umas que outras, como não há dias nem lugares, para comunicar com os Espíritos; que não há fórmulas nem palavras sacramentais ou cabalísticas para evocá-los; que não há necessidade alguma de preparo ou iniciação; que é inútil o emprego de qualquer sinal ou objeto material para atraí-los ou repeli-los, bastando para tanto o pensamento; e, finalmente, que os médiuns recebem deles as comunicações sem sair do seu estado normal, tão simples e naturalmente como se tais comunicações fossem ditadas por uma pessoa viva. Só o charlatanismo poderia emprestar às comunicações espíritas formas excêntricas e adicionar-lhes acessórios ridículos. (O que é o espiritismo, cap. II, item 49.)
Em princípio, o futuro é oculto ao homem e somente em casos raros e excepcionais Deus permite que seja revelado. Se o homem conhecesse o futuro negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade, porque seria dominado pela ideia de que, se uma coisa tem que acontecer, não adianta ocupar-se com ela, ou então tentaria impedir que acontecesse. Deus não quis que assim fosse, a fim de que cada um concorra para a realização das coisas, até daquelas a que desejaria opor-se. Deus permite a revelação quando esse conhecimento prévio deve facilitar a realização de alguma coisa, em vez de dificultá-la, induzindo o homem a agir de modo diverso do que faria, caso não tivesse esse conhecimento. (O livro dos espíritos, Livro III, cap. X, questões 868 a 870.)
Os Espíritos não podem guiar os homens nas descobertas, nem nas pesquisas científicas. A ciência é obra do gênio. Só deve ser adquirida pelo trabalho, pois é somente pelo trabalho que o homem se adianta no seu caminho. Que mérito teria ele, se não lhe bastasse senão interrogar os Espíritos para tudo saber? A esse preço, qualquer imbecil poderia tornar-se sábio. O mesmo se dá com as invenções e descobertas industriais.
Quando chega o tempo de uma descoberta, os Espíritos encarregados de dirigir sua marcha procuram o homem capaz de levá-la a bom termo e lhe inspiram as ideias necessárias, mas de maneira a lhe deixarem todo o mérito, pois é preciso que ele elabore essas ideias e as ponha em execução. O mesmo se dá com todos os grandes trabalhos da inteligência humana. Os Espíritos deixam cada homem na sua própria esfera; aquele que só é capaz de cavar a terra não será feito depositário dos segredos de Deus; mas sabem tirar da obscuridade aquele que seja capaz de lhes secundar os desígnios. Não vos deixeis, pois, arrastar pela curiosidade ou pela ambição, por um caminho que não corresponda aos fins do Espiritismo e que vos conduziria às mais ridículas mistificações. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXVI, item 294, perguntas 28 e 29.)
Os Espíritos não podem concorrer para a descoberta de tesouros ocultos. Os superiores não se ocupam com essas coisas; mas os Espíritos zombeteiros muitas vezes indicam tesouros que não existem, ou se comprazem em apontá-los num lugar, quando se acham em lugar oposto. Isto tem a sua utilidade: mostrar que a verdadeira riqueza está no trabalho. Se a Providência destina tesouros ocultos a alguém, esse os achará naturalmente; de outra forma, não. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXVI, item 295, pergunta 30.)
Esclarecendo-nos sobre as propriedades dos fluidos, que são os agentes e os meios de ação do mundo invisível, e que constituem uma das forças e uma das potências da natureza, o Espiritismo nos dá a chave de uma infinidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio e que, à falta de explicação, passaram por prodígio nos tempos antigos. Do mesmo modo que o magnetismo, ele nos revela uma lei, se não desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, melhor dizendo, de uma lei que não se conhecia, embora se conhecessem os seus efeitos, visto que estes sempre se produziram em todos os tempos, tendo a ignorância da lei gerado a superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis por que os espíritas, ao fazerem que uma mesa se mova, ou que os mortos escrevam, não operam maior milagre do que opera o médico que restitui a vida ao moribundo, ou o físico que faz cair o raio. Aquele que pretendesse, com o auxílio desta ciência, fazer milagres, ou seria ignorante do assunto, ou trapaceiro. (O livro dos médiuns, Primeira parte, cap. II, item 15, parágrafo final.)
Certas pessoas fazem uma ideia muito falsa das evocações; algumas creem que elas consistem em fazer que os mortos saiam do túmulo com todo o seu aparato lúgubre. Somente nos romances, nos contos fantásticos de almas do outro mundo e no teatro é que se veem os mortos aparecerem descarnados, saindo dos sepulcros envoltos em mortalhas e fazendo chocalhar os ossos. O Espiritismo, que nunca fez milagres, também não produz esse, pois que jamais fez reviver um corpo morto. Quando o corpo baixa à sepultura, não sairá mais dela; porém, o ser espiritual, fluídico e inteligente aí não permanece com o seu envoltório grosseiro. Separa-se dele no momento da morte, nada mais havendo de comum entre eles. (O que é o espiritismo, cap. II, item 48.)