Outra senhora, que reside no interior, estando gravemente enferma, viu certa noite, por volta das dez horas, um senhor idoso que residia na mesma cidade e com o qual já havia se encontrado algumas vezes em reuniões sociais, embora não existissem relações mais estreitas entre ambos. Estava sentado numa poltrona ao pé de sua cama e, de vez em quando, pegava uma pitada de rapé. Parecia velar por ela. Surpreendida com semelhante visita àquela hora, quis perguntar-lhe por que motivo ali estava, mas o senhor lhe fez sinal para que não falasse e tratasse de dormir. Tentou falar com ele várias vezes, mas, com o mesmo gesto, era sempre impedida de fazê-lo. A senhora acabou por adormecer. Alguns dias depois, já restabelecida, recebeu a visita do referido senhor, mas em hora conveniente; dessa vez, era ele realmente quem estava lá. Usava a mesma roupa, a mesma caixa de rapé e os modos eram os mesmos. Certa de que ele a visitara durante sua enfermidade, agradeceu-lhe o incômodo a que se dera. Bastante surpreso, o homem declarou que há muito tempo não tinha a satisfação de vê-la. A senhora, que já conhecia os fenômenos espíritas, compreendeu o fato que se passara, mas, não querendo entrar em maiores explicações com ele, limitou-se a dizer que provavelmente havia sonhado.
É o mais provável, dirão os incrédulos, os “espíritos fortes”, para quem essa expressão é sinônimo de pessoas esclarecidas. O que é certo, entretanto, é que aquela senhora não dormia, como também não dormia a outra de que já falamos. Então é porque sonhava acordada, ou... teve uma alucinação! Aí está a palavra mágica, a explicação universal de tudo o que não se compreende. Como já refutamos bastante essa objeção, prosseguiremos com o nosso estudo, dirigindo- nos aos que nos podem compreender.