Capítulo 7
Eis, porém, outro fato ainda mais característico. Estamos mesmo curiosos em saber como poderiam explicá-lo por meio de um simples jogo da imaginação. Trata-se de um senhor do interior que, apesar do empenho da família, jamais quis casar-se. Pediam insistentemente que desposasse uma moça que residia numa cidade vizinha e que ele jamais vira. Certo dia, estando no seu quarto, teve a enorme surpresa de se ver em presença de uma jovem vestida de branco e com a cabeça enfeitada por uma coroa de flores. Disse-lhe que era sua noiva e lhe estendeu a mão, que ele tomou nas suas, notando que ela usava um anel. Em poucos instantes tudo desapareceu. Surpreendido com aquela aparição, e depois de certificar-se de que estava perfeitamente acordado, perguntou se alguém estivera ali durante o dia, sendo informado de que nenhuma pessoa fora vista em sua casa. Um ano depois, cedendo a novas solicitações de uma parenta, resolveu conhecer a moça que lhe propunham. Chegou à cidade onde ela morava no dia de Corpus Christi; todos já haviam voltado da procissão. Uma das primeiras pessoas que lhe surgiram diante dos olhos, ao entrar na casa que ia visitar, foi uma jovem, que ele logo reconheceu como a mesma moça que lhe havia aparecido. Usava roupas idênticas à da aparição, que também se dera num dia de Corpus Christi. Ficou muito perturbado, e a mocinha, por seu lado, gritou e sentiu-se mal. Voltando a si, disse já ter visto aquele senhor, um ano antes. O casamento foi realizado. Isso se deu por volta de 1835, época em que ainda não se cogitava de Espíritos. Por outro lado, os dois protagonistas deste episódio são extremamente positivistas e dotados da imaginação menos exaltada que há no mundo. Talvez aleguem que o casal tivesse o espírito despertado pela ideia da união proposta e que essa preocupação determinou uma alucinação. Não devemos esquecer, porém, que o futuro marido se conservara tão indiferente ao caso, que deixou passar um ano sem ir ver a sua pretendida. Todavia, mesmo que se admita esta hipótese, restaria explicar ainda a dupla aparição, a coincidência do vestuário com o dia de Corpus Christi e, por fim, o reconhecimento físico e recíproco que se deu entre pessoas que jamais se viram, circunstâncias que não podem ser produto da imaginação.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Bicorporeidade e transfiguração
Tema Aparições de Espíritos de pessoas vivas
Item 117