A mulher de um amigo nosso viu inúmeras vezes entrar no seu quarto, durante a noite, houvesse ou não claridade, uma vendedora de frutas da vizinhança, que ela conhecia de vista, mas com quem jamais havia falado. Essa aparição lhe causou grande pavor, não só porque na época em que se deu ela não conhecia o Espiritismo, como também porque se repetia com muita frequência. Ora, a vendedora de frutas estava perfeitamente viva e provavelmente dormia naquela hora. Assim, enquanto o seu corpo material repousava na sua casa, seu Espírito, com o respectivo corpo fluídico, se dirigia à casa da senhora em questão. Por que motivo? É o que não se sabe. Diante de tal fato, um espírita familiarizado com esse tipo de fenômeno já teria interrogado a aparição, mas a referida senhora nem mesmo teve essa ideia. Invariavelmente a aparição se desfazia, sem que ela soubesse como, certificando-se aquela dama, após cada desaparecimento, de que todas as portas estavam bem fechadas, de modo que ninguém poderia ter entrado no seu quarto. Esta precaução lhe deu a prova de que estava completamente acordada na ocasião e de que não fora joguete de um sonho.
De outras vezes ela viu, da mesma maneira que havia visto a vendedora de frutas, um homem que lhe era desconhecido. Certo dia viu seu próprio irmão, que se encontrava na Califórnia. A aparência era tão perfeita, tão real, que no primeiro momento ela acreditou que o irmão havia regressado. Quis dirigir-lhe a palavra, mas logo o vulto desapareceu, sem lhe dar tempo para isso. Uma carta recebida depois lhe trouxe a prova de que o irmão, que ela vira antes, não havia morrido. Essa senhora era o que se pode chamar um médium vidente natural. Mas, como já dissemos, naquela época ela ainda não ouvira falar de médiuns.