Capítulo 29
Não nos esqueçamos de que o Espiritismo tem inimigos interessados em impedir a sua marcha, aos quais seus triunfos causam despeito. Os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem na sombra; estes o acariciam com uma das mãos e o apunhalam com a outra. Esses seres malfazejos se insinuam por toda parte em que possam fazer o mal. Como sabem que a união é uma força, tratam de destruí-la, semeando a discórdia. Quem poderá então afirmar que, nas reuniões, as pessoas que semeiam a perturbação e a cizânia não sejam agentes provocadores, interessados na desordem? Sem dúvida alguma, não são espíritas verdadeiros, nem bons espíritas; jamais farão o bem e podem fazer muito mal. Compreende-se que têm muito mais facilidade em se infiltrarem nas reuniões numerosas do que nos núcleos pequenos. Graças a manobras escusas, que passam despercebidas, semeiam a dúvida, a desconfiança e a inimizade; sob a aparência de falso interesse pela causa, criticam tudo e formam grupinhos, que logo rompem a harmonia do conjunto; é o que querem. Com gente dessa espécie, apelar para os sentimentos de caridade e fraternidade é falar a surdos voluntários, porque o objetivo de tais criaturas é justamente destruir esses sentimentos, que constituem os maiores obstáculos às suas manobras. Semelhante estado de coisas, desagradável em todas as Sociedades, torna-se ainda mais irritante nas associações espíritas, porque, se não ocasiona um rompimento, gera uma preocupação incompatível com o recolhimento e a atenção.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Reuniões e Sociedades Espíritas
Tema Sociedades propriamente ditas
Item 336