Já vimos como é importante a uniformidade de sentimentos para a obtenção de bons resultados. Essa uniformidade é tanto mais difícil de obter-se quanto maior for o número de pessoas. Nas pequenas reuniões, em que todos se conhecem melhor, há mais segurança quanto à eficácia dos elementos que para elas entram. O silêncio e o recolhimento são mais fáceis e tudo se passa como em família. As grandes assembleias excluem a intimidade, pela variedade dos elementos de que se compõem, exigem locais especiais, recursos pecuniários e um aparato administrativo desnecessário nos pequenos grupos. A divergência dos caracteres, das ideias, das opiniões aí se delineia melhor e oferece aos Espíritos perturbadores mais facilidade para semearem a discórdia. Quanto mais numerosa é a reunião, tanto mais difícil é se contentarem todos os presentes. Cada um quererá que os trabalhos sejam dirigidos segundo o seu modo de entender; que sejam tratados preferentemente os assuntos que mais lhe interessam. Alguns julgam que o título de sócio lhes dá o direito de impor suas maneiras de ver. Daí as divergências, uma causa de mal-estar que acarreta, cedo ou tarde, a desunião e, depois, a dissolução, que é a sorte de todas as Sociedades, sejam quais forem os seus objetivos. Os grupos pequenos jamais se encontram sujeitos às mesmas flutuações. A queda de uma grande Sociedade seria um insucesso aparente para a causa do Espiritismo, da qual seus inimigos não deixariam de aproveitar-se. A dissolução de um pequeno grupo passa despercebida e, além disso, se um se dispersa, 20 outros se formam ao lado. Ora, 20 grupos de 15 a 20 pessoas obterão mais e farão muito mais pela propaganda do que uma assembleia de trezentos ou de quatrocentos indivíduos.
Dir-se-á, provavelmente, que os membros de uma Sociedade, que agissem da maneira que acabamos de descrever, não seriam verdadeiros espíritas, visto que a caridade e a indulgência são o principal dever que a Doutrina impõe a seus adeptos. Isto é perfeitamente justo, razão pela qual os que assim procedem são espíritas mais de nome do que de fato. Certamente não pertencem à terceira categoria. (Veja-se o item 28.) Mas quem diz que eles mereçam, ao menos, o simples qualificativo de espíritas? Aqui se apresenta uma consideração de certa gravidade.