A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, nos é inteiramente desconhecida. Ele se nos revela pelos seus atos e esses atos não podem impressionar os nossos sentidos, a não ser por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para atuar sobre a matéria. Tem por instrumento direto de sua ação o perispírito, como o homem tem o corpo. Ora, o perispírito é matéria, conforme acabamos de ver. Depois, serve-lhe também de agente intermediário o fluido universal, espécie de veículo sobre o qual ele atua, como nós atuamos sobre o ar para obter determinados efeitos, por meio da dilatação, da compressão, da propulsão ou das vibrações.
Considerada dessa maneira, facilmente se concebe a ação do Espírito sobre a matéria. Compreende-se, desde então, que todos os efeitos que daí resultam pertencem à ordem dos fatos naturais e nada têm de maravilhosos. Só pareceram sobrenaturais porque sua causa era desconhecida. Conhecida esta, desaparece o maravilhoso e essa causa se encontra inteiramente nas propriedades semimateriais do perispírito. É uma nova ordem de fatos que uma nova lei vem explicar e dos quais, dentro de algum tempo, ninguém mais se admirará, como ninguém se admira hoje de se corresponder com outra pessoa a grande distância, em alguns minutos, por meio da eletricidade.