Nessa imensidade sem limites, onde está o céu? Em toda parte. Nada o cerca nem lhe traça limites. Os mundos felizes são as últimas estações do caminho que a ele conduz, cujo acesso as virtudes franqueiam e os vícios interditam.
Ante este quadro grandioso, que povoa todos os recantos do universo, que dá a todas as coisas da Criação um fim e uma razão de ser, quanto é pequena e mesquinha a doutrina que circunscreve a humanidade a um ponto imperceptível do Espaço, que no-la mostra começando em dado instante para acabar um dia igualmente com o mundo que a contém, não abrangendo mais que um minuto na Eternidade! Como é triste, fria e glacial essa doutrina quando nos mostra o resto do universo, antes, durante e depois da humanidade terrena, sem vida, nem movimento, qual imenso deserto mergulhado no silêncio! Como é desesperadora a perspectiva dos eleitos votados à contemplação perpétua, enquanto a maioria das criaturas é condenada a sofrimentos sem-fim! Como é doloroso, para os corações que amam, a ideia dessa barreira entre mortos e vivos! As almas felizes, dizem, só pensam na sua felicidade, como as infelizes, nas suas dores. Logo, é de admirar que o egoísmo reine na Terra quando no-lo mostram no céu? Oh! quão acanhada nos parece essa ideia da grandeza, do poder e da bondade de Deus!
Como é sublime, ao contrário, a ideia que o Espiritismo nos permite fazer do céu! Quanto a sua doutrina engrandece as ideias e amplia o pensamento! — Mas quem diz que ela é verdadeira? A razão primeiro, a revelação depois e, finalmente, a sua concordância com os progressos da Ciência. Entre duas doutrinas, das quais uma amesquinha e a outra exalta os atributos de Deus; uma está em desacordo e a outra em harmonia com o progresso; uma se deixa ficar na retaguarda enquanto a outra marcha para frente, o bom senso diz de que lado está a verdade. Que, pois, ao confrontá-las, cada um consulte a consciência e uma voz íntima lhe falará por ela. As aspirações são a voz de Deus, que não pode enganar os homens.