Segundo o Espiritismo, nem os anjos nem os demônios são seres à parte, já que a criação de seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, esses seres constituem a Humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas; uma vez libertos do corpo material, constituem o mundo espiritual ou dos Espíritos, que povoam os espaços. Deus os criou perfectíveis e deu-lhes por meta a perfeição, com a felicidade que dela resulta, mas não lhes deu a perfeição. Quis que a obtivessem por seu próprio esforço, a fim de que tivessem o mérito. Desde o momento da sua criação que os seres progridem, quer encarnados, quer no estado espiritual. Chegados ao apogeu, tornam-se Espíritos puros ou anjos segundo a expressão vulgar, de sorte que, a partir do embrião do ser inteligente até o anjo, há uma cadeia ininterrupta na qual cada um dos elos assinala um grau de progresso.
Disso resulta que há Espíritos em todos os graus de adiantamento, moral e intelectual, conforme a posição em que se acham na escala do progresso. Por conseguinte, em todos os graus existe saber e ignorância, bondade e maldade. Nas classes inferiores destacam-se Espíritos ainda profundamente propensos ao mal e que nele se comprazem. A estes se pode denominar demônios, caso se queira, pois são capazes de todos os malefícios atribuídos aos últimos. O Espiritismo não lhes dá tal nome porque o termo demônio se prende à ideia de uma criação distinta do gênero humano, como seres de natureza essencialmente perversa, votados ao mal eternamente e incapazes de progredir para o bem.