Informou-me, certa vez, respeitável entidade espiritual, através de médium responsável e experimentado, que, em conseqüência da programação que eu trouxera para esta existência, fora necessário, para evitar impactos desagradáveis e perturbadores, que eu tomasse conhecimento consciente de algumas das minhas vidas pregressas. Era condição mesma do trabalho que me competia realizar, dado que, segundo esse e outros orientadores espirituais meus, a reencarnação seria o tema prioritário da tarefa que me fora atribuída por ocasião do preparo para esta vida. Assim, no próprio decorrer dos trabalhos e experimentações com fenômenos mediúnicos e anímicos - no primeiro caso, doutrinação; no segundo, regressões da memória - muitas vezes fui surpreendido - mas não chocado - com informações sobre existências anteriores da parte de pessoas encarnadas ou desencarnadas que me conheceram alhures, conviveram comigo ou sofreram conseqüências de equívocos meus. Devo lembrar que o reencontro com pessoas que nos amaram ou que se sentem gratas a nós por algum remoto benefício é sempre agradável, mas que nada tem de reconfortante o reencontro com aqueles aos quais prejudicamos com nossos desvarios. Assim, tanto para aquele que nos traz o testemunho do seu afeto e reconhecimento como para o que ainda não nos perdoou e nos impacta com seu rancor, temos de estar suficientemente preparados para manter serenidade. No primeiro caso, porque podem inocular o sutil germe da vaidade ("Você foi um mestre muito amado!" "Você me salvou da desgraça!"
"Você foi maravilhoso!") ou agredir-nos com seu ódio ("Você causou a minha ruína total!" "Você foi um pai insensível" "Você foi um marido infiel" ... ).
Cuidado, pois, com as identificações. É melhor mantê-las sob rigorosa reserva ou até rejeitá-las sumariamente, ainda que possíveis no quadro cármico e psicológico, do que se entregar a fantasias que certamente resultarão em prejuízos, mais cedo ou mais tarde. E nada de procurá-las deliberadamente, ainda mais se por mera curiosidade.
9. REENCONTROS
Outro aspecto para o qual é preciso estar atento é o dos chamados reencontros. São muitos os que justificam ou explicam atitudes lamentáveis com a 'fatalidade' de certos reencontros com 'almas gêmeas', ligadas por atrações consideradas irresistíveis. Que tais reencontros ocorrem - e até com freqüência - não há dúvida. Não, porém, que a situação justifique o abandono de compromissos retificadores ou a adoção de atitudes equívocas, eticamente inaceitáveis. Só porque encontrou a sua 'alma gêmea', deve a esposa abandonar marido e filhos para seguir o impulso do coração? E os compromissos livremente assumidos e que estão, bem ou mal, sendo cumpridos? E as responsabilidades, que ficam adiadas? E as complicações futuras, que fatalmente virão?
Será mesmo um reencontro ou mero artifício inventado pelos desmandos da paixão? É preciso lembrar que amor não é paixão. O amor precisa saber renunciar, se e quando necessário, mesmo porque ele somente poderá realizar-se em sua plenitude quando ambos estiverem totalmente libertos de compromissos com outras pessoas. Essa liberação nunca vem através do ódio, que apenas consolida os vínculos entre os que se detestam, mas pelo amor, que converte adversários em amigos.
O reencontro com pessoas queridas, as quais amamos de verdade, é possível e costuma produzir violentos abalos emocionais. Jamais deve ser chamado, no entanto, a justificar atitudes desastradas que só teremos a lamentar mais tarde. Mais do que qualquer outra, a revelação precisa ser acolhida com equilíbrio e posta em sua exata perspectiva. É até aconselhável que não seja transmitida à outra pessoa, ainda que ela também haja sentido emoção semelhante. Regina tem sobre o assunto a amadurecida convicção de sua experiência pessoal. Muitas vezes, no passado, ela e o amado ignoraram barreiras e impedimentos que ali estavam postos precisamente para ensinar-lhes a dominarem seus impulsos, em vez de se entregarem às suas paixões.
Por outro lado, há pessoas irresponsáveis que se escudam na desculpa de haverem encontrado a 'alma gêmea' para fugir de situações também criadas para corrigir desvios anteriores. Muitas vezes a outra nada tem de 'gêmea', é apenas uma aventura barata que logo será substituída por uma segunda ou terceira 'gêmea' ... Ainda que seja o reencontro de duas pessoas afins e que já viveram as alegrias do amor no passado, se um ou outro (ou ambos) já está comprometido com terceiros, é porque já estava isso previssto e deve ser respeitado.
O Livro dos Médiuns, item 290 - Perguntas sobre as existências passadas, e futuras nos adverte de que o conhecimento de vidas anteriores é permitido, às vezes, "conforme o objetivo", e acrescenta: "se for para a vossa edificação e instrução, as revelações serão verdadeiras e, nesse caso, feitas quase sempre espontaneamente e de modo inteiramente imprevisto".
São semelhantes os critérios segundo os quais existências futuras pooderão ser eventualmente conhecidas em suas linhas gerais, ou seja, se de tais revelações resultarem proveitos que possam contribuir para o processo evolutivo. Sempre sábios e objetivos, porém, os espíritos que se incumbem de transmitir essas instruções acrescentam que, estudando nosso presente, poderemos, nós mesmos, deduzir o passado.
Certamente foi com esses conceitos em mente que o Cristo nos preveniu de que a cada dia bastam seus próprios labores. Se substituirmos dia por vida, o conceito continua perfeito e válido ...