Aqui se apresenta uma questão vital, a de saber se a alma pode adquirir conhecimentos após a morte do corpo. Se, uma vez liberta do corpo, ela não pode adquirir novos conhecimentos, a alma da criança, do selvagem, do imbecil, do idiota, do ignorante permanecerá tal qual era no momento da morte, condenada à nulidade por toda a eternidade. Mas se, ao contrário, ela adquire novos conhecimentos depois da vida atual, é que pode progredir.
Sem o progresso posterior da alma, chega-se a consequências absurdas; com o progresso, chega-se à negação de todos os dogmas fundados sobre o estacionamento, a sorte irrevogável, as penas eternas etc. E se a alma progride, qual o limite desse progresso? Não há razão alguma para não atingir o grau dos anjos ou dos Espíritos puros. Ora, com tal possibilidade, não se justificaria a criação de seres especiais e privilegiados, isentos de qualquer labor, gozando a felicidade eterna sem nada terem feito para conquistá-la, ao passo que outros seres menos favorecidos só obtêm essa felicidade suprema à custa de longos e cruéis sofrimentos e rudes provas. É fora de dúvida que Deus poderia ter assim determinado, mas, admitindo-se o infinito de suas perfeições, sem as quais Ele não seria Deus há que se admitir também que Ele nada fez de inútil, nada que desminta a soberana justiça e a soberana bondade.