Os médiuns involuntários ou naturais são aqueles cuja influência se exerce à revelia deles. Não têm consciência alguma do poder que possuem e, muitas vezes, o que se passa de anormal em torno deles não lhes parece de modo algum extraordinário. Isso é próprio da natureza que os anima, exatamente como se dá com as pessoas que, sem de nada desconfiarem, são dotadas de dupla vista. Esses indivíduos são muito dignos de observação e ninguém deve descuidar-se de recolher e estudar os fatos deste gênero que lhe cheguem ao conhecimento. Manifestam-se em todas as idades e, frequentemente, em crianças ainda muito novas. (Veja-se o capítulo V, Manifestações físicas espontâneas.)
Tal faculdade não constitui, em si mesma, indício de estado patológico, visto que não é incompatível com uma saúde perfeita. Se aquele que a possui é doente, isso se deve a uma causa estranha; por isso mesmo, os meios terapêuticos empregados são impotentes para fazê-la desaparecer. Em alguns casos, pode manifestar-se depois de uma certa fraqueza orgânica, embora nunca seja a sua causa determinante. Não há, portanto, do ponto de vista da saúde, qualquer razão plausível para nos inquietarmos com ela. Só poderia causar algum problema se aquele que a possui abusasse dela, depois de se haver tornado médium facultativo, porque então poderia haver excessiva emissão de fluido vital, com o consequente enfraquecimento do organismo.