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Espíritos
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Revista Espírita - Pelo espírito  Gérard de Nerval  através da codificação de Allan Kardec Os três tipos
Há no mundo três tipos que serão eternos. Esses três tipos, grandes homens os pintaram tais quais eram em seu tempo; e adivinharam que existiriam sempre. Esses três tipos são, inicialmente, Hamlet, que diz para si mesmo: To be or not to be, that is the question; depois Tartufe, que resmunga preces enquanto medita no mal; por fim Don Juan, que a todos diz: Não creio em nada. Molière achou, sozinho, dois desses tipos; Aviltou Tartufe e fulminou Don Juan. Sem a verdade o homem fica na dúvida como Hamlet, sem consciência como Tartufe, sem coração como Don Juan. Hamlet está em dúvida, é verdade, mas procura, é infeliz, a incredulidade o acabrunha, suas mais doces ilusões se afastam cada vez mais, e esse ideal, essa verdade que ele persegue cai no abismo como Ofélia e fica perdida para sempre. Então enlouquece e morre como um desesperado; mas Deus o perdoará, porque teve coração, amou e foi o mundo que lhe roubou aquilo que queria conservar. Os outros dois tipos são atrozes, porque egoístas e hipócritas, cada um a seu modo. Tartufe toma a máscara da virtude, o que o torna odioso; Don Juan em nada crê, nem mesmo em Deus: só acredita em si mesmo. Jamais tivestes a impressão de ver, nesse famoso símbolo que é Don Juan e na estátua do Comendador, o cepticismo diante das mesas girantes? O corrompido Espírito humano frente à sua mais brutal manifestação? Até o presente o mundo não viu neles senão uma figura inteiramente humana. Credes que não se deve neles ver e sentir algo mais? Como o gênio inimitável de Molière não teve, nessa obra, o sentimento do bem-senso dos fatos espirituais, como o tinha sempre dos defeitos deste mundo! Gérard de Nerval
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Mês Janeiro
Ano 1861