Capítulo 1
Pode-se, além disso, fazer esta objeção: todas as gotas de água tomadas ao oceano se assemelham e possuem idênticas propriedades como partes de um mesmo todo. Por que, então, as almas, tomadas ao grande oceano da inteligência universal assemelham-se tão pouco? Por que o gênio ao lado da estupidez, as mais sublimes virtudes convivendo com os vícios mais ignóbeis? Por que a bondade, a doçura, a mansuetude ao lado da maldade, da crueldade, da barbaria? Como podem ser tão diferentes entre si as partes de um mesmo todo homogêneo? Dir-se-á que é a educação que a modifica? Mas então de onde vêm as qualidades inatas, as inteligências precoces, os instintos bons e maus, independentes de toda educação e tantas vezes em desarmonia com o meio no qual se desenvolvem? É fora de dúvida que a educação modifica as qualidades intelectuais e morais da alma. Aqui, porém, se apresenta outra dificuldade. Quem dá à alma a educação para fazê-la progredir? Outras almas, que por sua origem comum não devem ser mais adiantadas. Por outro lado, tornando a alma a entrar no Todo Universal, de onde havia saído, e havendo progredido durante a vida, leva-lhe um elemento mais perfeito. Daí se deduz que esse Todo, com o passar do tempo, se encontraria profundamente modificado e melhorado. Assim, como se explica saírem incessantemente dele almas ignorantes e perversas?
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Parte Primeira
Nome do Capítulo O porvir e o nada
Item 6