Há uma outra doutrina que se defende do epíteto de materialista, porque admite a existência de um princípio inteligente fora da matéria: é a da absorção no Todo Universal. Segundo esta doutrina, cada indivíduo assimila ao nascer uma parcela desse princípio, que constitui sua alma e lhe dá a vida, a inteligência e o sentimento. Pela morte, esta alma volta ao foco comum e se perde no infinito, qual gota d’água no oceano.
Sem dúvida esta doutrina é um passo adiante sobre o materialismo puro, visto como admite alguma coisa, ao passo que este nada admite. Contudo, as consequências são exatamente as mesmas. Ser o homem imerso no nada ou no reservatório comum, é para ele a mesma coisa. Se, no primeiro caso, ele é aniquilado, no segundo perde a sua individualidade; logo, é como se não existisse, visto que as relações sociais nem por isso deixam de romper-se, e para sempre. O que é essencial para o homem é a conservação do seu eu; sem este, que lhe importa se subsistirá ou não? O futuro se lhe afigura sempre nulo, e a vida presente é a única coisa que o interessa e preocupa. Sob o ponto de vista das consequências morais, esta doutrina é tão perversa, tão desesperadora e estimula de tal modo o egoísmo quanto o materialismo propriamente dito.