Em resumo, o perigo não está propriamente no Espiritismo, visto que ele pode, ao contrário, servir de controle, preservando-nos daquilo a que somos arrastados, mau grado nosso; o perigo está na propensão de certos médiuns que, muito levianamente, se julgam instrumentos exclusivos dos Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não os deixa compreender as tolices de que são intérpretes. Mesmo aqueles que não são médiuns podem ser levados a isso. Encerraremos este capítulo com as seguintes considerações: 1 o Todo médium deve desconfiar da compulsão irresistível que o leva a escrever sem cessar e nos momentos mais inoportunos; deve ser senhor de si mesmo e escrever somente quando o desejar; 2o Não dominamos os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem ser superiores, são bons e benévolos, mas podemos dominar e domar os Espíritos inferiores. Todo aquele que não é mestre de si não o poderá ser dos Espíritos; 3o O único critério para discernirmos o valor dos Espíritos é o bom-senso. Qualquer fórmula, dada a esse fim pelos próprios Espíritos, é absurda e não pode emanar de Espíritos superiores; 4o Como os homens, os Espíritos são julgados pela sua linguagem. Toda expressão, todo pensamento, toda máxima, toda teoria moral ou científica que choque o bom-senso ou não corresponda à idéia que fazemos de um Espírito puro e elevado, procede de um Espírito mais ou menos inferior; 5 o Os Espíritos superiores têm sempre a mesma linguagem com a mesma pessoa e jamais se contradizem; 6o Os Espíritos superiores são sempre bons e benevolentes; em seu palavreado jamais encontramos acrimônia, arrogância, aspereza, orgulho, fanfarronice ou a estólida presunção. Falam com simplicidade, aconselham e se retiram quando não são ouvidos.
7o Não devemos julgar os Espíritos pela forma material, nem pela correção da linguagem, mas sondar-lhes o íntimo, perscrutar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer distanciamento do bom-senso, da razão e da sabedoria não pode deixar dúvidas sobre sua origem, seja qual for o nome sob o qual se disfarce o Espírito; 8o Os Espíritos inferiores temem os que lhes analisam as palavras, os que lhes desmascaram as torpezas e não se deixam envolver em seus sofismas; às vezes ensaiam levantar a cabeça, mas terminam sempre abandonando a presa quando se sentem mais fracos; 9o Todo aquele que em tudo age visando ao bem, eleva-se acima das vaidades humanas, expulsa do coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme e o ódio, perdoa os inimigos e põe em prática esta máxima do Cristo: “Fazei aos outros o que gostaríeis que fizessem a vós mesmos”; simpatiza com os Espíritos bons, ao passo que os maus o temem e dele se afastam.
Seguindo esses preceitos, estaremos garantidos contra as más comunicações, o domínio dos Espíritos impuros e, aproveitando tudo quanto nos ensinam os Espíritos verdadeiramente superiores, contribuiremos, cada um por sua parte, para o progresso moral da Humanidade.