Quanto ao mais, seja qual for a natureza da reunião, numerosa ou não, as condições que deve satisfazer para atingir o seu objetivo são as mesmas. É para isto que devemos concentrar todos os nossos cuidados e os que os satisfazerem serão fortes, porque terão, necessariamente, o apoio dos Espíritos bons. Tais condições estão traçadas em O Livro dos Médiuns (no 341).
Um erro muito freqüente entre alguns neófitos é o de se julgarem mestres após alguns meses de estudo. Como sabeis, o Espiritismo é uma ciência imensa, cuja experiência não pode ser adquirida senão com o tempo, como, aliás, em todas as coisas. Há nessa pretensão de não mais necessitar de conselhos e de se julgar acima de todos uma prova de incompetência, pois não atende a um dos primeiros preceitos da doutrina: a modéstia e a humildade.
Quando os Espíritos maléficos encontram semelhantes disposições num indivíduo, não deixam de o superexcitar e de o entreter, persuadindo-o de que só ele possui a verdade. É um dos escolhos que podem ser encontrados, e contra o qual julguei dever vos prevenir, acrescentando que não basta dizer-se espírita, como não basta dizer-se cristão: é preciso prová-lo pela prática.
Se, pela formação dos grupos, evitamos a rivalidade dos indivíduos, essa rivalidade não poderia existir entre os próprios grupos que, marchando por vias um pouco divergentes, poderiam produzir cismas, enquanto uma Sociedade única manteria a unidade de princípios? A isto respondo que o inconveniente assinalado não seria evitado, considerando-se que aqueles que não adotassem os princípios da Sociedade dela se separariam e nada os impediria de formarem um grupo à parte. Os grupos são outras tantas pequenas Sociedades, que marcharão necessariamente no mesmo caminho se todas adotarem a mesma bandeira e as bases da ciência, consagradas pela experiência. A respeito, chamo igualmente a vossa atenção para o no 348 de O Livro dos Médiuns. Nada impede, aliás, que um grupo central seja formado por delegados dos diversos grupos particulares, que, assim, teriam um ponto de reunião e um correspondente direto com a Sociedade de Paris. Depois, anualmente, uma assembléia geral poderia reunir todos os adeptos e tornar-se, assim, uma verdadeira festa do Espiritismo. Aliás, preparei uma instrução detalhada sobre esses diversos pontos, que terei a honra de vos transmitir posteriormente, tanto sobre a organização, quanto sobre a ordem dos trabalhos. Os que a seguirem manter-se-ão naturalmente na unidade de princípios.
Tais são, senhores, os conselhos que julguei por bem vos dar, já que vos quisestes conformar com a minha opinião.
Sinto-me feliz por acrescentar que em Bordeaux encontrei elementos excelentes e um progresso muito maior do que esperava.
Aqui me deparei com um grande número de espíritas sinceros e verdadeiros e levo da visita a fundada esperança de que a doutrina se desenvolverá sobre as mais largas bases e em excelentes condições. Crede que meu concurso jamais faltará, naquilo que estiver ao meu alcance fazer, para secundar os esforços dos que são sincera e conscienciosamente devotados de coração a esta nobre causa, que é a da Humanidade.
Senhores, o Espírito Erasto, que já conheceis pelas notáveis dissertações que dele lestes, também quer trazer-vos o tributo de seus conselhos. Antes de minha partida de Paris, ele ditou, por seu médium habitual, a comunicação seguinte, cuja leitura terei a honra de fazer.