Capítulo 11
Outra contradição: se Moisés proibiu evocar o Espírito dos mortos, é que estes podiam vir, pois do contrário seria inútil a proibição. Ora, se os mortos podiam vir naqueles tempos, também o podem hoje, e se são Espíritos de mortos os que vêm, é que não são exclusivamente demônios. Aliás, Moisés não fala de modo algum nestes últimos. É, pois, evidente que não se pode aceitar logicamente a lei de Moisés nessa circunstância, pelo duplo motivo de que ela não rege o Cristianismo, nem é apropriada aos costumes da nossa época. Mesmo supondo que ela tenha toda a autoridade que alguns lhe atribuem, não poderá, como vimos, aplicar-se ao Espiritismo. É verdade que Moisés engloba, na sua proibição, a interrogação dos mortos, porém de modo secundário, como acessório às práticas da feitiçaria. O próprio vocábulo interrogar, junto aos de adivinho e agoureiro, prova que entre os hebreus as evocações eram um meio de adivinhar. Entretanto, os espíritas não evocam os mortos para obter revelações ilícitas, mas para receber sábios conselhos e proporcionar alívio aos que sofrem. Certamente, se os hebreus não se tivessem servido das comunicações de além-túmulo com essa finalidade, Moisés, longe de as proibir, tê-las-ia estimulado, porque teriam tornado mais dócil e mais obediente o seu povo.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo É proibido evocar os mortos?
Item 8