A crença na eternidade das penas perde diariamente tanto terreno que, sem ser profeta, é possível prever-se para breve o seu fim. Tem sido combatida por meio de argumentos tão poderosos e tão categóricos que, de agora em diante, nos parece quase supérfluo ocuparmo-nos de tal doutrina, deixando que se extinga por si mesma. Entretanto, não se pode contestar que, mesmo caduca, ainda constitui o argumento principal utilizado pelos adversários das ideias novas, o ponto que defendem com mais obstinação, por ser um dos lados mais vulneráveis que ela apresenta, e porque preveem as consequências dessa queda. Por este lado, a questão merece sério exame.