Capítulo 32
Graças a uma combinação íntima dos bons fluidos, sorvidos no reservatório ilimitado da Natureza, consegue-se, com a assistência dos Espíritos invisíveis, restabelecer a saúde comprometida, restituir a esperança e a energia dos desesperados. Pode-se mesmo, por um impulso regular e perseverante da vontade, agir a distância sobre os incrédulos, sobre os cépticos e sobre os maus, abalar a sua obstinação, atenuar seu ódio, fazer penetrar um raio de verdade no entendimento dos mais hostis. Eis aí uma forma ignorada da sugestão mental, dessa potência invisível de que se servem a torto e a direito, mas que, utilizada no sentido do bem, transformaria o estado moral das sociedades. A vontade, exercendo-se fluidicamente, desafia toda vigilância e todas as opressões. Opera na sombra e no silêncio, franqueia todos os obstáculos, penetra todos os meios. Mas, para que produza efeitos totais, é mister uma ação enérgica, poderosos impulsos, uma paciência que não esmoreça. Assim como uma gota d'água cava lentamente a mais dura pedra, assim também um pensamento incessante e generoso acaba por se insinuar no espírito mais refratário. A vontade insulada pode muito para o bem dos homens, mas que não seria de esperar de uma associação de pensamentos elevados, de um agrupamento de todas as vontades livres? As forças intelectuais, hoje divergentes, esterilizam-se e anulam-se reciprocamente. Daí vêm a perturbação e a incoerência das idéias modernas; mas, desde que o Espírito humano, reconhecendo sua força, agrupe as vontades esparsas em um feixe comum a fim de convergi-las para o Bem, o Belo e o Verdadeiro, nesse dia a Humanidade avançará ousadamente para as culminâncias eternas, e a face do mundo será renovada!
TAG Valor
Título A Vontade e os Fluidos
Parte Quarta
Título da Parte Além-Túmulo